Mãe na real, Pausa para um papo

Se conectar para se conectar com os filhos

Colagem por Maja Egli

Olá chicas, como estão?

A avalanche de acontecimentos e obrigações ativa o modo automático e se distanciar de você mesma acaba que sendo uma resposta a isso tudo. Talvez uma mecanismo de defesa contra seu lado mais profundo?

É quando cai a ficha de que é preciso caber dentro de você primeiro pra se encaixar no lugar de mulher, mãe, o ser que deseja. Recuar, se fechar, se olhar. Se viver exige intensidade, esse portal de dentro de nós precisa ser abastecido para que haja imensidão. Manter essa conexão com nós mesmas é, sem dúvida, o maior desafio.

E nessa peleja, você tem parado pra se escutar ou tem fugido de você mesma? Estar inteira exige. Exige coragem, exige um querer de verdade. Exige ânimo pra tirar os móveis do lugar e levantar a poeira debaixo do tapete. Exige sair da zona de conforto, questionar suas certezas.

Essa tal necessidade de balançar nossas verdades, cavucar questões nunca tocadas antes é revolucionária e o impacto no lado mãe é avassalador. Precisamos transbordar pra poder dividir e, para além disso, mostrar na prática o que se aproxima do que é viver “plenamente”.

É da maternidade de onde nossas energias são consumidas numa potência surreal e para que esse maternar siga acontecendo forças precisam ser resgatadas, movimentos devem acontecer.

Nesse rolê louco da vida, quando a bússola está desregulada e as ruas ficam sem saída, daí a necessidade desse cara-a-cara com gente. Se colocar numa outra perspectiva, nadar de braçada sobre seus embates, apertar o que estava frouxo, te levar de volta à sua órbita.

Mas ledo engano achar que deixar de se alienar de nós mesmas significa encontrar a paz eterna, até porque, já diria Freud “O Eu não é senhor em sua morada, ele está sempre em conflito”. E apesar dessa visita à você ser algo sem fim, vale a pena, e, no fundo, a gente sabe disso.

Se reconectar com a natureza é potente e pode trazer respostas para as mais profundas questões. Andar sozinha, observar as ondas e o vento são remédios para alma, no fazendo escapar do burnout materno ou até nos curar dele.

Chega uma hora, que é preciso abandonar aquela mulher que já não se encaixa mais aí dentro, recolher os cacos e ir. E para que essa reprogramação aconteça é preciso abraçar o desconforto. Pois, como disse Rubem Alves: “ostra feliz não faz pérola”.

Bjs, se cuidem.

Mãe na real, Pausa para um papo

Aplicativos de relacionamento é o novo jeito de não “isolar” totalmente as pessoas

No Par Perfeito, uma das maiores plataformas de conhecer pessoas online no Brasil, cresceu 70% o número de usuários

Colagem por @sacharecorta

Às 21h apita a chamada de um número desconhecido no meu celular. Esse horário é melhor atender. Para uma pessoa preocupada com todos à sua volta esse pode ser um sinal de socorro. Dito e feito. Na verdade não era bem isso, mas um chamado de alerta de uma amiga.

Com voz animada, ela dizia: “anota o endereço que vou te passar caso eu não volte para a casa no dia seguinte.” Eu disse: “como assim?”. Ela tinha acabado de comprar um número para os flerts dos aplicativos de dates e alguém que ligeiramente decide ter um número de celular reservado para as aventura também tem a inteligência de ligar para uma amiga e deixá-la esperta na possibilidade dela sumir do mapa depois de uma aventura transferida do online para o físico.

Confesso que fiquei um pouco aflita com o jantar que ela disse que o tal do boy paquera que ela ia ver pela primeira vez tinha preparado. Mas ali a esperteza grita (ela é mais ligeira que o estádio do Maracanã), e mesmo num terreno desconhecido saberia se ia dar pra pisar nele ou sair correndo. Me apeguei a isso.

Mandei mensagem na mesma noite para saber se estava tudo bem. Ela retornou com uma resposta feliz, e eu, fiquei aliviada. Nesses meses de quarentena, pessoas têm se jogado na internet adentro nesse novo contexto de paqueras que, para mim, ainda é um tanto desconhecido, e, admito, me divirto com as histórias que me chegam.

Outro dia, por pouco os ovos que fervilhavam no fogo não carbonizaram enquanto um amigo desenvolvia um papo interessante com um “matcher”. Vasculhadora assídua de quem é você e qual a vida que leva, a tecnologia desperta essa hipótese de cair em tentação.

Volta e meia cai no meu celular o anúncio de um app que promete fazer você encontrar alguém “à sua altura”. Não duvido que deva rolar gente interessante, mas preguiça pra desenvolver papos longos precisa passar longe dessa porta dos encontros online.

Tenho a impressão que na época do “quer tc?” era tudo mais fluido, no mínimo você já tinha visto a pessoa pelo menos uma vez. Nos aplicativos de hoje em dia é tudo mais rápido e líquido. Novos tempos!

Visão estereotipada à parte, mas, sim, o amor pode começar nas telas e existir além delas. Prova disso é que dois casais que conheço se encontraram numa destes apps bem famosos, casaram e formaram uma família.

O que não substitui o encontro ao acaso, um olho no olho, um toque de pele espontâneo, uma troca de risada sem ter tela pra separar. Gente, só de pensar eu indo para um date com alguém que cruzei nas vias online já me ataca a gastrite.

E o medo de estar me encontrando com um serial killer? De chegar lá e não reconhecer a imagem da pessoa que se apresentava nas telas cintilantes? Se apaixonar por um meme era só o que me faltava nessa altura da “carentena”.

Não que aparência seja tudo, mas, vocês me entendem, né? Uma química mínima precisa rolar. Admiro o espírito desbravador de quem se arrisca à circular entre os apps. E embora me soe um pouco frio esse tipo de contato, é uma maneira de dizer “oi, eu tô aqui, por mais que a minha cidade, meu bairro, meu país e o mundo não sejam mais os mesmos e aquela vida pulsante de antes dos bares e baladas já não existe mais”.

É uma forma de tirar onda com o próprio vírus que nos impôs um dia a dia totalmente sem contato físico com os outros. Daqui desse lado, meu rolê digital, por enquanto, fica nas festas no zoom, vez ou outra. E enquanto isso, vou me divertindo com histórias de encontros virtuais dos amigos, do jantar romântico bem-sucedido a um possível date que deu ruim por causa de um “tudo bem com você?” na hora errada. 🙂

Bem-estar e beleza

Ansiedade, nervosismo e depressão em mulheres na pandemia

Foto de Francesca Zama no Pexels

Fiz uma enquete no insta do madre pra saber qual assunto eu deveria soltar essa semana por aqui, um mais pessoal sobre a maternidade ou um sobre a depressão em mulheres durante a pandemia.

Minha comunidade é só um bocado de gente e tô longe de ter aquele número enfeitando o perfil digno de causar inveja em qualquer um. Por menor que seja essa minha roda, dou ouvidos às minhas parças (e alguns parças) que param pra prestar atenção em mim.

E adivinha qual foi o resultado? Por um ponto, o tema depressão em mulheres ganhou! Não é pra menos. Logo quando iniciou toda essa catástrofe mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) ressaltou o grande risco das mulheres em apresentar algum sofrimento psicológico associado ao isolamento imposto pela pandemia da Covid-19.

Manter o trabalho remoto, conciliar cuidados com a criança e a casa, fazer toda a rotina acontecer, tocar projetos, resolver as burocracias normais de uma vida e ainda gerenciar os sentimentos de mal-estar gerados por uma crise mundial de saúde é um teste de sobrevivência a qualquer ser humano.

Vamos combinar que esse “novo normal” (aliás, nem gosto desse termo!) é de deixar qualquer um a ponto de surtar?! Mas há um fato impossível de se negar: não é de agora que as mulheres carregam o mundo nas costas.

Segundo dados do IBGE de 2018, antes da pandemia as mulheres já dedicavam o dobro de horas semanais ao trabalho doméstico e/ou cuidado com pessoas comparando com os homens.

E, na atual conjuntura, o trabalho da mulher acabou se intensificando (chato admitir). A pesquisa O trabalho e a vida de mulher na pandemia (acesse aqui), feita pela ONG “Gênero e Número” e pela Organização Feminista “Sempreviva”, concluiu que 50% das mulheres passaram a cuidar de alguém na pandemia.

Fora isso tudo, a ONU Mulheres destacou também que 70% dos trabalhadores sociais e de saúde são representados por mulheres. Este grupo, no caso, além de expor diretamente aos riscos da Covid, quando chega em casa precisa lidar com todo o acúmulo de funções. Ou seja, é exposição ao estresse de tudo quanto é lado.

As pesquisas estão aí para comprovar teorias e deduções. Um estudo coordenado pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Estadual de Campinas, (clique aqui para ver), revelou que, as mulheres, das 40 mil pessoas entrevistadas no total, são as que mais relataram problemas no estado de ânimo com mais frequência.

O percentual das que sentem tristes/deprimidas durante a pandemia é de 50%. Já os homens, 30%. Mas não para por aí, nós também nos sentimos mais ansiosas/nervosas com mais frequência do que os homens: são 60% contra 43% respectivamente.

Conversei com a Dra. Valéria Bortolucci, psicóloga e integrante de equipe do ambulatório da UNIFESP, para saber mais como o atual cenário em que estamos vivendo pode afetar a saúde mental e emocional da mulher e como a depressão pode ser detectada e tratada. Fica aqui pra ler meu papo com ela! 🙂

1- Com a sobrecarga de tarefas em casa durante a pandemia, as mulheres estão mais exaustas em todos os sentidos, mental, emocional e físico. Como elas podem trabalhar esta questão para que esse quadro não se torne uma doença como ansiedade ou depressão?
Dra Valéria Bortolucci – É necessário, em primeiro lugar, respeitar os próprios limites e contar, se possível, com o companheiro ou marido na divisão das tarefas. Com acúmulo das atividades como limpeza da casa, acompanhar o estudo dos filhos nas aulas online, muitas vezes tendo que trabalhar em home office, é importante estabelecer uma rotina.

Organizar as tarefas de acordo com as prioridades, com horários certos para refeições e estudo, e, principalmente, estabelecer pausas e intervalos para atividades que deem prazer como caminhadas, exposição ao sol, nem que seja na varanda, ou mesmo brincadeiras com os filhos e as pessoas da casa.

Sono regrado, exercícios físicos, meditação ajudam muito. Recorrer à psicoterapia, quando necessário, tem se mostrado muito eficaz na redução dos índices de estresse e ansiedade, já que podemos contar com o atendimento online neste momento de distanciamento social.

2- Quais são as causas que levam a depressão?
V.B.– As causas são muito complexas. Passam pela alteração de neurotransmissores, cerebrais, uma série de coisas.

Mas as principais delas são: em primeiro lugar genética, quando uma pessoa tem pai, mãe depressivos aumenta a possibilidade em duas vezes de ter um episódio depressivo ou quando tem os avós também cresce essa probabilidade em três vezes.

Outra causa importante são momentos estressores na vida da pessoa, principalmente na infância, como perdas ou negligência dos cuidadores, ou algum abuso físico (violência) ou sexual.

Outros motivos são: uso de álcool ou drogas, sedentarismo e algumas deficiências de vitaminas ou hormônios pode causar isso principalmente nas mulheres. A elevação do cortisol, ou seja, quando a pessoa começa a ficar muito ansiosa, estressada, pode acabar caindo numa depressão também.

3- Como é possível evitar a depressão?
V.B.– Não é possível na maioria dos casos evitar a depressão, até porque as causas são muito complexas. O que ajuda, por exemplo, é a pessoa ter uma vida muito estressante e ser resiliente. Resumindo, a forma como ela encara os desafios da vida.

Mas, de um modo geral, não é possível evitar. No entanto, depois de um diagnóstico e início de tratamento, a pessoa pode conseguir notar quando ela está ficando mais depressiva. Começa com um isolamento, uma tristeza profunda, uma falta de energia, coisas que ela gostava de fazer e passa a não gostar mais.

É importante frisar que a depressão tem graus. Ela pode ser leve, moderada ou grave.

5- Como o tratamento é feito?
V.B.– Quando é uma depressão mais grave, pode entrar com uma medicação associada à psicoterapia. É muito importante praticar exercícios físicos, ler sobre o assunto, estar a par do que é uma depressão.

Outra coisa que é extremamente importante é o acompanhamento familiar no tratamento da pessoa diagnosticada com depressão. As mudanças bruscas de comportamento são muito importantes de serem detectadas. A pessoa precisa falar muito, se sentir acolhida.

6- Como consegue identificar que está entrando em depressão?
V.B – A pessoa com depressão tem a tendência à introspecção, de se fechar no quarto, não querer falar. Ela fica irritável ou apática. Também tem baixa autoestima, sente culpa, uma grande sensibilidade aos eventos negativos e esquece os pontos positivos da vida.

Se tiver algum componente de religiosidade ou espiritualidade também é muito importante. Nem sempre é possível evitar, mas, a partir do momento que a pessoa sabe que está com depressão, aí sim possível driblar as crises. É uma luta que exige muita garra pra sair da situação.

7- No caso da pré-disposição genética é possível identificar na infância?
V.B – Não necessariamente quando a pessoa tem uma pré-disposição genética a gente consegue observar na infância. A coisa pode eclodir mais tarde como também pode acontecer em qualquer momento (infância, adolescência e vida adulta).

Só que a coisa se agrava a partir da adolescência, pois nessa idade existe o risco do suicídio. Na infância, alguns dos sinais são a criança se retrair, se afastar dos amigos, ir mal na escola, ter dificuldade de aprendizagem. E se existir a pré-disposição genética tem que ter mais atenção.

Mãe na real, Pausa para um papo

As bruxas sempre estiveram soltas

Imagem de Pexels

Hoje, dia 31 de outubro, é o dia das bruxas. A data tem raízes europeia e americana e tudo começou entre o século 15 e 18. Naquela época, houve uma grande perseguição cristã às mulheres sacerdotisas, parteiras e curandeiras que foram queimadas como bruxas nas fogueiras, e mortas de outras formas também.

Elas tinham conhecimento sobre remédios caseiros, eram enérgicas, entendiam de fertilidade e sexualidade. ⁣Todas essas atividades eram consideradas bruxaria por uma cultura extremamente galgada nos costumes da igreja.

Massacradas, estas mulheres estavam à frente da sua época e se destacavam na sociedade conservadora onde o homem precisava dominar o conhecimento. ⁣Ao contrário da figura corcunda, velha e má e de nariz pontudo, as mulheres consideradas bruxas eram vaidosas, cultas e bonitas.

E, por não andarem “na linha”, fugindo de seus papéis prescritos pelos puritanos, muitas delas eram queimadas, jogadas de penhascos, estranguladas.⁣ Um dos mais famosos julgamentos foi o das bruxas de Salém, em 1692.

A história aconteceu quando uma escrava, uma moradora de rua e uma senhora foram acusadas de causar uma doença grave na sobrinha e na filha do Reverendo de Salém. Cerca de 200 pessoas foram acusadas de bruxaria nesse caso, inclusive o ministro da igreja, sendo que das 19 pessoas consideradas culpadas e executadas por bruxaria 14 eram mulheres. ⁣

Este é só um episódio de caça às bruxas. O número de mulheres que perderam suas vidas por simplesmente assumirem sua identidade e não seguirem o padrão é de cair o queixo. Segundo a revista Superinteressante, só em Portugal foram executadas 40 mil pessoas (das quais 2 mil foram queimadas em fogueira) e, na Espanha, quase 300 mil mulheres foram condenadas e 30 mil mortas.

Fortes, com voz ativa, cultas, as bruxas eram mulheres feministas e que, infelizmente, tiveram que pagar um preço alto por sua independência. O fato é que a luta contra o patriarcado sempre existiu.

Em homenagem a estas Mulheres, a artista Fia Forsström escreveu:

“Não foram as bruxas que queimaram.
Foram mulheres.
Mulheres que eram vistas como:
Muito bonitas,
Muito cultas e inteligentes,
Porque tinham água no poço, uma bela plantação (sim, sério),
Que tinham uma marca de nascença,
Mulheres que eram muito habilidosas com fitoterapia,
Muito altas,
Muito quietas,
Muito ruivas (todas podem ser!),
Mulheres que tinham uma forte conexão com a natureza,
Mulheres que dançavam,
Mulheres que cantavam,
ou qualquer outra coisa, realmente.
Qualquer mulher estava em risco de ser queimada nos anos 1600.
Mulheres eram jogadas na água e, se podiam flutuar, eram culpadas e executadas. Se elas afundassem e se afogassem, eram inocentes.
Mulheres foram jogadas de penhascos.
As mulheres eram colocadas em buracos profundos no chão.
Por que escrevo isso?
Porque conhecer nossa história é importante quando estamos construindo um novo mundo.
Quando estamos fazendo o trabalho de cura de nossas linhagens e como mulheres.
Para dar voz às mulheres que foram massacradas, para dar-lhes reparação e uma chance de paz.
Não foram as bruxas que queimaram.
Foram mulheres.”

Texto – Fia Forsström

livros sobre bruxas

O Diabo em Forma de Mulher (Carol F. Karlsen)

O Livro da Bruxa (Roberto Lopes)

Calibã e a Bruxa (Silvia Federeci)

As Bruxas: intriga, traição e histeria em Salem (Stacy Schiff)

História da Bruxaria (Jeffrey B. Russell)

Bem-estar e beleza

5 coisas que a ioga ensina

Imagem por Pexels

Oie, como estão?

Hoje o espaço aqui é pra falar do bem que a ioga faz na vida e mesmo com o isolamento social fico tão feliz de não ter encostado de vez o meu tapete.

Tudo bem que tem aquele dia que fico só flanando se faço ou não ioga e quando vejo as horas já passaram… e, admito, tô tentando pegar leve em não me cobrar quando deixo de fazer alguma coisa que me transmuta para outro espaço como é o caso da ioga.

Mas o fato é que aulas online desse tipo salvam de um possível caos iminente. Aliás, todo aquele preconceito de fazer ioga pela internet se dissipou. É claro que nada substitui a alegria de uma aula presencial, com a energia das pessoas vibrando numa mesma sintonia e você em contato com sua professora preferida.

Mas, já que é o que temos para hoje, dá pra tirar vários benefícios do que a internet põe pra jogo. E não é que até evoluir na prática é possível? Depois de mais de ano me torcendo e me virando pra lá e cá, entre aulas online e físicas, agora consigo fazer a postura do corvo (ou Bakasana para os mais íntimos)! :D.

Tudo bem que ainda pareço uma garça desconjuntada. Mass, já que quem tá me assistindo (objetos e móveis da casa, e claro, minha filha!) não vai me dedurar e nem rir em pensamento das minhas invertidas e posturas tentando chegar perto do que se assemelha com as asanas (posturas) de ioga, tá tudo certo! =)

1// SEM JULGAMENTOS
Uma das coisas lindas da ioga é que permite você olhar pra você de forma complacente, sem se autojulgar. É você com você, respeitando seus limites e se aceitando como tem que ser. O ego elevado não combina com ioga e competições e comparações não devem existir.

2// PACIÊNCIA COM OS PROCESSOS
Sempre fui de querer ver logo o resultado sem respeitar o tempo das coisas. E se tem uma coisa que a ioga faz é te mostrar que o processo é mais que necessário e tão importante (se bobear até mais) quanto a chegada. É durante o trajeto que se aprende e evolui. A conquista é só o resultado de uma dedicação intensa.

3//CUIDANDO DO QUE DÁ FÔLEGO
Ioga é encontrar conforto em uma posição desconfortável priorizando a respiração. É um exercício de autoconhecimento que ajuda no controle das emoções e dos pensamentos. Você começa a prestar atenção na forma como puxa e solta o ar e em que momento esquece dessa atenção plena e, de quebra, passa a notar o quanto a mente influencia na respiração.

4// CORPO É MEU TEMPLO
Seu olhar para o seu corpo parece que ganha uma lupa com grau maior e o papel de diretor do espetáculo, o qual ele [o corpo] nunca perdeu a função e por durante muito tempo não era visto assim, ganha o seu devido lugar. Limites, dores, emoções, limites são respeitados e trabalhados, você passa a se perceber no espaço e compreender a capacidade de cuidar de si.

5//ADEUS IMPULSOS
Essa experiência de introspecção durante a ioga faz a gente se voltar para várias questões que só vamos perceber no dia a dia o impacto. Impulsividade, empatia, autopercepção ganham um lugar ao sol. A sincronia entre posturas e respiração é uma atividade pra nos levar pro centro e ganhar, ao longo do tempo, maior controle sobre as emoções.

Um beijo e poder da ioga para todas nós!

Bem-estar e beleza

Como cuidar do estresse e buscar autoconhecimento

Imagem de Pexels

Os dias tem sido puxados, eu sei. E, já que estamos no final do ano, em vez de descer de uma vez ladeira abaixo bora segurar um pouco mais a onda e aproveitar a reta final desse ano tão atípico como uma oportunidade para se concentrar mais no nosso interior, cuidar das fraquezas inerentes à nossa natureza humana, se libertar de pensamentos e atitudes que nos fazem mal e vibrar coisas boas.

Essa jornada emocional e mental que estamos enfrentando é um verdadeiro teste de sobrevivência e já que estamos ainda ilhadas em casa o lema é “salvem-se quem puder”. Nessa toada de emoções e de cada um por si o jeito é buscar por conta própria o antídoto para essa loucura que foi se empilhando numa estante no decorrer de 2020.

Para montar a lista abaixo de como se livrar do estresse conversei com Chirles de Oliveira, com formação em psicologia positiva, praticante e estudante de mindfulness e dona da página (@felicidade_sustentável). Espero que ajudem vocês de alguma forma! 😀

RESPIRAR PARA RETOMAR
“As pessoas estão com muitas demandas e acabam sendo tomadas por suas atividades e isso causa um estresse constante. Sentir estresse não é algo ruim, é até importante porque ele pode nos impulsionar a fazer coisas, a questão é manter-se no estresse crônico e isso adoece qualquer ser humano.”, destaca Chirles.

“Nunca foi tão necessário como agora fazer pequenas pausas durante o dia”, o que ela chama de “pausas para a felicidade”. Durante o trabalho, Chirles recomenda parar por alguns minutos e fazer algumas vezes seguidas a respiração consciente (inspirar empurrando a barriga e expirar puxando a barriga, como se tivesse enchendo uma bexiga).

QUANDO A MÁQUINA PAUSA, ELA REALMENTE FICA PARADA, MAS QUANDO O HOMEM PAUSA, OBSERVA, ELE COMEÇA A CRIAR, A FLORESCER”, DESTACA CHIRLES.

OBSERVAR CURA
“Outra prática simples é apreciar alguma coisa que você tem na sua casa, você gosta e sente gratidão por ela.”, diz. Admirar uma planta, uma flor, um prato de comida, uma foto que traz memórias boas, observar o pôr-do-sol, a lua…, sugere Chirles.

“Essas pequenas ações que despertam a atenção plena para um olhar apreciativo são caracterizadas como savouring“, explica.

DISPOSIÇÃO PARA A FELICIDADE
“A gratidão é uma habilidade para a felicidade, é uma emoção positiva, e existem vários estudos da psicologia positiva que comprovam o quanto ela também nos traz bem-estar, satisfação e contentamento com a vida.”, diz Chirles. Por isso, ela recomenda todo dia antes de dormir anotar no caderno três coisas boas que aconteceram no dia, escrever o porquê foram positivas, quem participou e quais sentimentos foram despertados.

Por aqui, tenho meus rituais pra aliviar o estresse e renovar as energias, mas sempre é bom escutar um especialista no assunto pra trazer uma dica nova. Um podcast que tenho escutado muito é o Mercúrio Antroposofia, que propõe ampliar a consciência a partir de reflexões fundamentais da Antroposofia, ciência espiritual moderna com nome do grego que significa “conhecimento do ser humano”. Fundada pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner, é a base da pedagogia Waldorf. Recomendo os dois mais recentes episódios do podcast: Atitudes Anímicas e Coragem e Superação.

Bjs, se cuidem!

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As delícias e os aprendizados de trabalhar em casa

Que conciliar trabalho com os cuidados dos filhos em casa nós e a internet já estamos carecas de saber que é um desafio. O cenário se agrava um pouco para nós mães, que acabamos ficamos sobrecarregadas com as tarefas do dia a dia — embora sabemos que esse quadro em pleno 2020 poderia ser diferente.

Fazer reunião online e ter o rosto da filha estampado na câmera pode até dar uma quebrada no gelo que só o nome da palavra “reunião” traz. Lançar gritos quando a campainha avisa que o almoço chegou também é outra parte divertida do dia que não tem hora pra começar e nem terminar.

E brincar de esconde-esconde, estátua, de fantasias nos intervalos entre almoço, café da manhã e pausa à tarde? Ah isso não tem preço. Essa palavra, conhecida como home office, que ultimamente virou mais moda de ser pronunciada do que usar o pijama como roupa do dia, pode ser uma tarefa desafiadora de ser implementada com afinco que nem Google consegue desvendar.

Mas o trabalho remoto também pontos bons a se pensar e, quiçá, de desenvolvermos em nós, além de ter as delícias, que, certamente um dia se esse “novo normal” não pegar, sentiremos saudades.

A ideia aqui nesse post não é dar passo-a-passo do que podemos fazer para tornar o trabalho mais produtivo porque acho que, nessa altura do campeonato, cada um meio que já tem tentando seus caminhos e, se ainda não encontrou aquilo que é próximo do ideal, está quase lá.

Mas pensei em alguns tópicos que tem servido, para mim no caso, como forma de aprimoramento que talvez eu leve para a vida. Veja o que vocês acham 🙂

  • Trabalhar o foco
    Morar em uma casa em que você não é o único integrante e quem compartilha o mesmo espaço contigo é seu ou sua filha pode significar um desafio maior para se concentrar. Delimitar o espaço de trabalho e olhar para o computador sem desviar o olhar são sinais para a criança de que é hora de não ser interrompida — se as 30 frases faladas de diferentes formas que a “mamãe vai trabalhar agora” não fizeram ela entender muito (rsrs).
  • Um mundo de faz de conta
    Você pode ir de mulher maravilha à dançarina de hula-hula e rainha perdida (com o que sobrou de um tiara de coroa) durante as horas do dia. É divertido. Cuidado só para não esquecer de tirar os acessórios quando surgir uma call de repente.
  • Energia que se renova
    Estar com criança em casa é ter energia boa o tempo todo, mesmo nos momentos dela (ou seu) de estresse seja por sono, tédio ou que o for. A real é que ninguém está passando por esse isolamento imposto pela pandemia incólume, que dirá as crianças que mal sabem expressar seus sentimentos.
  • Criar limites mas também ser flexiva
    Parecem duas coisas distintas, né? O que eu quero dizer é aqui é saber a hora do limites e a hora de ser mais flexiva. Equilibrar esses dois pratos pode fazer, no final do dia, concluir que as horas renderam. Como? Aí cada uma de nós sabe a sua mágica, não é mesmo?! 😀
Mãe na real, Pausa para um papo

Como sobreviver às demandas da maternidade

Imagem de Ketut Subiyanto no Pexels

A vida tá uma loucura, eu sei. Tem dias que as 24 horas parecem ter 48 de tanta coisa… Um dos efeitos do nosso atual cenário é a crise do cuidado. 41% das mulheres que seguem trabalhando remuneradamente dizem trabalhar mais na pandemia, assim aponta uma pesquisa feita pela Sempreviva Organização Feminista (acesse aqui).

Listei 5 ideias para uma maternagem mais leve e sem grilos, que, afinal, é tudo que a gente mais quer, não é? 😀

1//Tenha uma rede de apoio//
Aprendi que aceitar que não vou dar conta de tudo é um ato tão heroico quanto vestir a fantasia da mulher maravilha, fazer a criança se concentrar na atividade e sentir que meu dia rendeu bem. Para construir um ser humano é preciso de uma aldeia inteira.

Eleja uma, duas tias para te socorrer quando precisar fazer um trabalho ou ter aquele encontro com as amigas que há séculos você vem planejando. Quando teus pais moram longe, a rede de apoio fica ainda mais restrita, o recurso das tias, dos avós paternos também, são as salvações mais garantidas.

Atenção às possibilidades de uma nova pessoa para ajudar a cuidar da criança quando precisar nunca é demais. Na festinha dos amiguinhos da filha, surge aquele momento entre as mães, o que vale ficar na espreita se alguma delas tá precisando de um help com os filhos — dá pra negociar um dia ela ficar com as crianças e no outro você. Pode surgir também na conversa uma amiga com indicação de uma moça fofa, atenciosa, que é experiente com crianças e que gosta de brincar.

2//Faça algo por você//
Nem que para isso seja necessário madrugar, mas o lance é encontrar uma maneira de estar só por um tempinho, seja para se esticar na yoga, olhar a revista de traz pra frente e de frente pra traz, divagar na paisagem lá fora. Porque, é aquela coisa, chega uma hora que não temos da onde tirar para doar…

3//Aproveite a criança//
Criança é luz, e na loucura do dia a dia, mesmo que a gente não repare com toda atenção, ela salva o ambiente. E tem a criança de dentro da gente, né? (rsrs). Acho que quando temos esse lado de certa forma ativo o espírito de sobrevivência é maior. O psiquiatra e pesquisador Stuart Brown, fundador do The National Institute for Play (Instituto Nacional para o Brincar, em português), confirma: “Uma coisa muito peculiar sobre a nossa espécie é que fomos concebidos para brincar ao longo de todo o nosso curso de vida”, diz. Ele reforça que só temos a ganhar com os sinais de brincar: tom de voz, gestos corporais e expressões faciais.

4//Tenha uma rotina//
Vejo por aqui, quando a rotina é seguida, as coisas parece que fluem de forma mais tranquila. Isso é bom para a criança, que se sente mais segura, e para nós adultos, que temos a sensação de que a estrutura está garantida. Fora que quando eles dormem é a hora de relaxarmos, retomarmos a nossa própria conexão.

5//Esqueça os padrões das redes sociais//
Na era da vida “editável” no Instagram é meio que um ato natural se comparar. A jornada de cada mãe, de cada pai é única e a história que cada um escreve tem uma linha diferente. Mas vai lembrar disso na hora de rolar o feed?! O que não impede de se basear em algumas experiências dos outros para aprimorar o que você gostaria. Mas sem peso. O Instagram é excelente quando aproveitado como um meio de comunicação e informação. E que a gente nunca esqueça disso! 😀

 

Mãe na real, Pausa para um papo

Como nós, mães, podemos nos colocar diante do desmatamento no Pantanal e na Amazônia

Imagem do Pantanal por @sospantanal

Há umas duas semanas escrevi sobre atitudes no dia a dia que podem ensinar crianças sobre ecologia. O fato é que este tema tem martelado bastante a minha cabeça e, nitidamente, a do mundo, né? Afinal, com dois nossos maiores biomas ameaçados, precisamos falar, gritar, agir contra esse mal que tem destruído nossas florestas.

Quando nos tornamos mães, queremos deixar um mundo melhor aos filhos. Repensamos com mais profundidade nos nossos hábitos, no impacto do nosso trabalho na vida das pessoas e nas nossas ações de uma forma geral. E essas últimas semanas em especial, com as notícias sobre os desmatamentos no Pantanal, a sensibilidade com a mãe terra cambaleia a cada olhada de tela.

Apesar de ser paulistana, vivi a infância inteira na terra do Pantanal. Tomei muito banho de cachoeira, pulei muito em rio, escalei muita árvore. Posso garantir com propriedade a teoria de especialistas de que crianças que convivem com a natureza são realmente felizes! Diante desse cenário do desmatamento desenfreado, se tem uma pergunta que não paro de fazer, bem no “gringês” mesmo (já que o vexame é internacional), é: what the fuck is this!??

O Pantanal vive a pior seca dos últimos 47 anos. De 1 janeiro até o dia 13 de setembro, mais de 2,9 milhões de hectares queimados por lá, o que equivale 19% do bioma no Brasil ou 19 cidades de São Paulo.
Uma das regiões mais afetadas é o Porto Jofre, onde tem o Parque Estadual Encontro das Águas, lugar que reúne a maior concentração de onças pintadas do mundo. O local já teve mais de 84% devastado pelo fogo.

A principal causa é o agronegócio na região. Práticas ilegais da agropecuária tem acontecido bem abaixo dos olhos de quem deveria fiscalizar (orçamento para brigadistas florestais é reduzido em 58% pelo governo, leia aqui). Segundo o Instituto SOS Pantanal, cerca de 15% da área foi convertida em pastagem.
Sabemos que não precisa desmatar para matar a fome de mais de 800 milhões de pessoas no mundo e abastecer a geladeira de 8 milhões de crianças no Brasil que não têm o que comer por causa da pandemia — já que a agricultura familiar orgânica não consegue comportar toda essa demanda.

O que é preciso ser feito então? Um dos caminhos é claro: investir em tecnologias para que a produção dos alimentos se torne cada vez mais sustentável e que o nosso solo, completamente intoxicado, volte a respirar e produzir alimento sem precisar ser envenenado.

Qual o impacto do desmatamento da Amazônia e do Pantanal na nossa vida e na das nossas crianças?

A fauna e a flora não são as únicas afetadas, vidas humanas também estão em jogo. Cerca de 500 bebês foram internados por conta da fumaça das queimadas na Amazônia até agora. Essa nuvem tóxica aumentou em 65% as internações hospitalares na Amazônia e no Pantanal.

E o que nós mães vamos fazer? Se enfiar embaixo da terra com nossos filhos? Dá vontade. Mas, por enquanto, a vida rola aqui em cima, né não? Com essa realidade, cabe a nós buscar informações seguras e fazer o que estiver ao nosso alcance, se engajando em causas ligadas à preservação dos biomas.

Siga páginas como @fridaysforfuturebrasil (clica aqui para conhecer), que não só traz conteúdo informativo sobre questões ambientais como também os movimentos que estão rolando no Brasil e na América Latina. Inclua na sua lista para seguir @casaninjaamazonia e @sospantanal e @socioambiental. E, na dúvida das informações que chegam até você, cheque em sites como paremasfakenews.com.br

Estas páginas mostram tudo que vem acontecendo e as ações para combater as ameaças à biodiversidade.
O futuro das nossas crianças não pode ser ameaçado por irresponsabilidade e ganância alheias. Vamos dar respostas à elas com fundamentos e prepará-las para que cresçam conscientes e se tornem agentes de mudança.💕

Bem-estar e beleza

Como lidar com a TPM durante a pandemia

“Lá vem você com seus larará lara. Laralauê larauê lará. Lará larauê…” Ela chega de mansinho e quando menos espera já se apossou do corpo. A Tensão Pré-Menstrual tem sido bem ingrata nesses tempos de confinamento. No grupo de WhatsApp eu e amigas sentimos uma na outra o ombro certo pra desabafar o desconforto desse espectro que dá o ar da graça mês a mês.

É uma espécie de estelionato que chega pra tirar da gente as poucas energias que restam, limpando a raspa do tacho que sobrou de uma vida com esperança e empurrando a gente ladeira abaixo pro limbo da impaciência e ansiedade. E se em algum momento eu achava que a calma não estava de todo perdida taí um engano quando dou boas-vindas para essa tal da TPM.

Não dá pra fingir que tá tudo bem. Dizer que é só uma TPM. É uma senhora de uma TPM enrustida. Aceito, que dói menos. Sendo assim, é melhor eu, no lugar de viver em pé de guerra com ela todo mês, puxar a cadeira, convidá-la a sentar e oferecer um chá. Abraçar os sintomas físicos e psicológicos dessa enxurrada de hormônios é assinar um termo de paz comigo mesma. Se é para baixar a poeira do caos que me habita, que assim seja.

Cultivar a paz de espírito — por mais que eu esteja com esse B.O. na outra mão — é tudo que mais quero neste momento. Vale meditar, fazer yoga. Vale também tirar a TV da tomada, escutar aquela play que levanta até defunto. Vale curtir a bad do jeito mais chinfrim como assistir aquele filme de comédia romântica que há meses te olha no feed da Netflix.

Tudo pra transferir o butim pra bem longe. Detalhe importante: beber bastante água para eliminar o que acumulou no corpo faz bem. Ficar em silêncio, ah que delícia… mas se de repente sentir vontade de falar com aquela amiga que é toda ouvidos, por que não mandar uma mensagem ou telefonar? E ter calma. Pois, embora pareça uma eternidade esse mix de sensações, tem hora marcada para ir embora e, quem sabe, na próxima visita ele pega mais leve.

95% das mulheres sentem pelo menos uma variação psicológica ou física no período da TPM