Mãe na real, Pausa para um papo

Aceitar as emoções é a forma mais honesta de agir com nós mesmos

Imagem Unsplash

“As melhores e as mais belas coisas não podem ser vistas nem tocadas. Têm que ser sentidas com o coração.” A frase da escritora norte-americana Helen Keller foi o fio condutor ideal que encontrei para começar esse texto cujo foco é debruçar sobre encarar os sentimentos de forma mais honesta possível.

Durante muito tempo nos vimos em uma sociedade apoiada na premissa onde falar dos sentimentos era sinal de fraqueza, que quem chorava era mole, que visitar o terreno da autoajuda e fazer terapia era a maior perda de tempo (e dinheiro).

A moeda virou de lado e hoje o que mais encontramos no plató fervilhante da internet (graças a Deus) são profissionais e perfis empenhados em ajudar as pessoas a decifrar suas emoções, habilidade essa que deveria ter sido trabalhada desde a nossa infância, não é mesmo?

Que fique bem claro, to longe de culpar os pais nessa altura do campeonato, até porque hoje sou mãe e vejo que a missão mais difícil é preparar alguém pro mundo (é empatia que fala né?). Consciente de que olhar para os sentimentos de forma transparente pode ser um desafio para mim em certos momentos, tento fazer com que minha filha possa aprender a dar ouvidos às emoções que brotam dentro dela.

Não é uma tarefa simples, exige esforço tremendo de tentar achar mecanismos eficientes para cuidar do lado mais profundo da nossa existência. E assim, cambaleando nesse barco, pratico (ou praticava pelo menos) o exercício de fazer a leitura das minhas emoções de forma mais sincera para levar uma vida condizente com o que ta no meu coração.

É nessa mesma pegada que, por meio de conversas, tento agir com a Helena quando situações envolvendo as mais diversas emoções surgem para ela. Nesse tiroteio às cegas de educar e ensinar a honestidade emocional já fui chamada de canto por pessoas próximas por faltar com postura firme em momentos que exigem atitudes mais duras e dispensam tantas palavras.

Tudo é uma questão de pesos e medidas, não é? Difícil é encontrar o equilíbrio quando se trata da formação de alguém. Entre o diálogo e a postura incisiva quando necessária, vou buscando o caminho do meio para que ela saiba dar o rumo certo às suas emoções e, quem sabe, tão melhor quanto eu. Vou aprendendo também a separar a joio do trigo já que aos olhos de algumas pessoas as atitudes que considero coerentes podem soar mimimi.

Mesmo sendo aprendiz nessa rota toda entre aceitar trabalhar minhas emoções e ajudar alguém com as suas, boto fé de que não existe nada mais honesto do que ser quem você é seguindo aquilo que mora aí dentro. Olhar para mim não necessariamente significa que sempre terei as melhores respostas, mas ao menos pude sair daquele lugar raso de negligência com meus sentimentos.

Aquele velho conceito de que quem é forte é aquele que sabe esconder seus sentimentos ta demodé, afinal, como é possível ser forte sem aceitar e encarar as emoções como elas são? Não era agindo de maneira transparente com suas tempestades internas que os maiores pensadores se posicionavam em sua época?

Um dos maiores deles, Albert Einstein, comprovava essa tese com suas reflexões como: “A felicidade não se resume na ausência de problemas, mas sim na sua capacidade de lidar com eles.” Então por que boa parte do mundo insiste em colocar debaixo do tapete aquilo que é tão essencial para a trajetória aqui na terra?

Anular nossas necessidades internas em detrimento de crenças ou vontades alheias é crime grave que cometemos a nós mesmos. E se estamos neste espaço para evoluir certamente esse não é o melhor caminho.

 

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