Mãe na real, Pausa para um papo

Aplicativos de relacionamento é o novo jeito de não “isolar” totalmente as pessoas

No Par Perfeito, uma das maiores plataformas de conhecer pessoas online no Brasil, cresceu 70% o número de usuários

Colagem por @sacharecorta

Às 21h apita a chamada de um número desconhecido no meu celular. Esse horário é melhor atender. Para uma pessoa preocupada com todos à sua volta esse pode ser um sinal de socorro. Dito e feito. Na verdade não era bem isso, mas um chamado de alerta de uma amiga.

Com voz animada, ela dizia: “anota o endereço que vou te passar caso eu não volte para a casa no dia seguinte.” Eu disse: “como assim?”. Ela tinha acabado de comprar um número para os flerts dos aplicativos de dates e alguém que ligeiramente decide ter um número de celular reservado para as aventura também tem a inteligência de ligar para uma amiga e deixá-la esperta na possibilidade dela sumir do mapa depois de uma aventura transferida do online para o físico.

Confesso que fiquei um pouco aflita com o jantar que ela disse que o tal do boy paquera que ela ia ver pela primeira vez tinha preparado. Mas ali a esperteza grita (ela é mais ligeira que o estádio do Maracanã), e mesmo num terreno desconhecido saberia se ia dar pra pisar nele ou sair correndo. Me apeguei a isso.

Mandei mensagem na mesma noite para saber se estava tudo bem. Ela retornou com uma resposta feliz, e eu, fiquei aliviada. Nesses meses de quarentena, pessoas têm se jogado na internet adentro nesse novo contexto de paqueras que, para mim, ainda é um tanto desconhecido, e, admito, me divirto com as histórias que me chegam.

Outro dia, por pouco os ovos que fervilhavam no fogo não carbonizaram enquanto um amigo desenvolvia um papo interessante com um “matcher”. Vasculhadora assídua de quem é você e qual a vida que leva, a tecnologia desperta essa hipótese de cair em tentação.

Volta e meia cai no meu celular o anúncio de um app que promete fazer você encontrar alguém “à sua altura”. Não duvido que deva rolar gente interessante, mas preguiça pra desenvolver papos longos precisa passar longe dessa porta dos encontros online.

Tenho a impressão que na época do “quer tc?” era tudo mais fluido, no mínimo você já tinha visto a pessoa pelo menos uma vez. Nos aplicativos de hoje em dia é tudo mais rápido e líquido. Novos tempos!

Visão estereotipada à parte, mas, sim, o amor pode começar nas telas e existir além delas. Prova disso é que dois casais que conheço se encontraram numa destes apps bem famosos, casaram e formaram uma família.

O que não substitui o encontro ao acaso, um olho no olho, um toque de pele espontâneo, uma troca de risada sem ter tela pra separar. Gente, só de pensar eu indo para um date com alguém que cruzei nas vias online já me ataca a gastrite.

E o medo de estar me encontrando com um serial killer? De chegar lá e não reconhecer a imagem da pessoa que se apresentava nas telas cintilantes? Se apaixonar por um meme era só o que me faltava nessa altura da “carentena”.

Não que aparência seja tudo, mas, vocês me entendem, né? Uma química mínima precisa rolar. Admiro o espírito desbravador de quem se arrisca à circular entre os apps. E embora me soe um pouco frio esse tipo de contato, é uma maneira de dizer “oi, eu tô aqui, por mais que a minha cidade, meu bairro, meu país e o mundo não sejam mais os mesmos e aquela vida pulsante de antes dos bares e baladas já não existe mais”.

É uma forma de tirar onda com o próprio vírus que nos impôs um dia a dia totalmente sem contato físico com os outros. Daqui desse lado, meu rolê digital, por enquanto, fica nas festas no zoom, vez ou outra. E enquanto isso, vou me divertindo com histórias de encontros virtuais dos amigos, do jantar romântico bem-sucedido a um possível date que deu ruim por causa de um “tudo bem com você?” na hora errada. 🙂

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