Mãe na real, Pausa para um papo

Perfis no Instagram para seguir já

Imagem de Hipster Mum para Unsplash

Se tem uma coisa que já me liguei em mais de 100 dias de distanciamento social é que para prender a atenção nas redes sociais diante do turbilhão de publicações o conteúdo tem que agregar. A mensagem precisa ter um propósito forte uma vez que a tela do celular por qual costumamos nos engajar ganhou lente amplificada e certos valores tomam o seu merecido lugar. Temas voltados para o cooperativismo, a arte, o bem-estar, a educação e o cuidado dos filhos e a igualdade de gênero transitam em destaque pela internet.

No Instagram, não são só as lives que imperam como protagonistas, textos e imagens criativos surgem para abastecer do que nos falta. Comecei a seguir um monte de perfil que não conhecia e gostaria de compartilhar com vocês alguns deles.

 

@pediatriaintegralbr (Daniel Becker)

A sua página tem me servido como instrumento para algumas situações específicas no dia a dia com minha filha. Ele orienta os pais sobre como conduzir esse momento da melhor forma com as crianças e trata de questões como sobre participar e não ajudar, inteligência emocional, respeito, honestidade e caráter. O perfil dele é pra maratonar mesmo.

 

@museudoisolamento (Museu do Isolamento Brasileiro)

Já está explicito que a arte tem salvado nessa crise. É por meio dela que conseguimos decifrar sentimentos e sensações que não conseguimos externar. Colagens, ilustrações, pinturas, fotos, músicas, poemas têm tirado a gente do sufoco e o museu do Isolamento compartilha trabalhos dos mais diversos artistas pelo mundo.

 

@gamarevista (Gama)

Com olhar super atento e moderno, este veículo vale a pena ser seguido em todas as plataformas em que ele estiver. Fala sobre os diferentes modos de viver, educação, cultura, democracia e equanimidade.

 

@push (Push)

Plataforma colaborativa que visa compartilhar conhecimento entre as mulheres do mesmo grupo da @stealthelook. Seus holofotes estão completamente voltados para questões que necessitam lugar de fala como a mulher negra e seus desafios como o mercado de trabalho, liderança feminina, novas prioridades assumidas pela mulher agora. Vale a pena stalkear o perfil!

 

@shet_alks (SHEt)

Encontrei o @shet_alks sem querer e foi tudo de bom! Aliás, melhores encontros são sempre assim, sem lugar e hora marcada para acontecer, não é mesmo? O perfil é 100% voltado para mulheres de 45 a 60 anos, mas, confesso, eu na faixa dos 30 me senti super acolhida. Porque quando é pra falar do nosso universo não existem “barreiras” que nos separam, independentemente da idade. Descontruir assuntos como masturbação, envelhecer bem, beleza, solitude são temas abordados pela página triunfantemente bem.

 

@lubritesyoga (Lu Brites)

Descobri a Lu Brites esses dias e só de olhar o feed dela com conteúdo para o desenvolvimento pessoal dá uma sensação de paz e tranquilidade. Bailarina e professora de yoga, ela faz parte da Rádio Yoga, iniciativa do @dom.school com objetivo de apoiar o coletivo e propagar a prática do yoga.

 

Mãe na real, Pausa para um papo

Como cuidar da saúde em casa durante o home office a partir dos cinco sentidos

Imagem de Luke Pennystan para Unsplash

Vocês já ouviram falar em medicina integrativa? E mais, que ela pode ajudar aliviar sensações como de esgotamento, desânimo e ansiedade causados pela crise por qual estamos passando?

A prática médica busca olhar o paciente como um todo e de forma mais humanizada, levando em consideração a soma de aspectos que vão além da área biológica como questões emocionais, sociais, espirituais e história de vida dos pacientes.

Para nos ajudar a lidar melhor com as emoções, a Dra Patrícia Oliveira, ginecologista e obstetra do Numa (Núcleo de Medicina Antroposófica — abordagem espiritual holística que apoia e complementa a medicina convencional) da UNIFESP, escreveu um texto com dicas imprescindíveis. Olhem que interessante as orientações que ela dá relacionadas à medicina integrativa e que podemos aplicar no nosso dia a dia em casa.

 

Texto por Dra. Patrícia Oliveira

Em tempos “diferentes” como estamos passando, a necessidade de se reinventar tornou-se prioridade e o home office uma realidade, mas como fazer com que o trabalho em casa não seja mais um motivo para o estresse?

Reunindo dicas da medicina integrativa, como podemos amenizar os impactos da pandemia através do estímulo aos 5 sentidos? Vejam quais são elas:

OUVIR: Por um período conecte-se aos sons da natureza, pode ser sons gravados ou do próprio dia a dia. Pássaros, chuva, ondas do mar etc. Deite-se em uma superfície plana, feche os olhos e deixe se levar por alguns minutos no dia.

VER: Resgate fotos antigas de momentos felizes e espalhe-as pela casa (pode colar temporariamente pelo caminho onde você mais passa), coloque o computador sempre próximo a uma fonte de luz natural e no descanso de tela ponha uma paisagem bem bonita.

COMER: Pelo menos em refeição ao dia sente-se à mesa com todos que estão em casa, arrume a mesa bem bonita e prepare um prato familiar que traga boas lembranças. Busque a harmonia na hora de preparar os alimentos e evite as refeições corridas.

CHEIRAR: Antes de iniciar o trabalho abra as janelas da casa e deixe o ambiente bem arejado para a troca de odores, se sua casa não tiver boa ventilação use um ventilador por alguns minutos. Use aromas naturais das ervas em seus alimentos e se preferir use aromatizadores (sempre com óleos naturais) pela casa. Lavanda acalma, alecrim estimula e cítricos acordam.

TOCAR: Durma em tecidos macios, aqueça a cama com uma bolsinha quente na região dos pés antes de deitar, acaricie seu pet e faça autmassagens com óleos naturais.

Adaptar-se a períodos difíceis pode nos impulsionar a desenvolver várias estratégias de enfrentamento, então sempre é tempo de começar algo novo.

 

Mãe na real, Pausa para um papo

Solidariedade feminina durante a crise

Novas criadoras de conteúdo surgem na pandemia e ajudam a formar uma rede de apoio feminina cada vez maior

Ilustração Ammy Lupin @emmylupinstudio

Sinto que a hashtag, praticamente um mantra, #juntassomosmaisfortes ganhou um tom mais expressivo nesses últimos meses em que nos vemos isoladas – mantendo o contato com as amigas apenas pelo virtual. Em meio à saudade e à angústia de presenciar o tempo correr e a crise da pandemia seguir sem previsão de acabar, é animador assistir uma rede de apoio, destinada às mulheres neste caso, na internet crescendo de todos os lados, sobre os mais diversos assuntos.

É a solidariedade mostrando seu potencial e não existe mais lindo no ser humano do que a generosidade. Abrir a tela do celular e dar de cara com frases, memes e vídeos encorajadores depois de um pico de estresse na rotina conturbada em casa é um conforto para o coração e a mente.

No Instagram, perfis novos surgem a cada instante com a missão de cuidar dos diferentes lados que abarcam o nosso universo feminino, do bem-estar até cuidados emocionais e exemplos de inspiração. Para quem quer buscar ânimo nos exercícios, a página @chapadinhasdeendorfina usa o bom humor ao abordar essa temática com conteúdos interativos e coloridos.

O @inspiraetranspira é outro um perfil com objetivo de mostrar que cuidar da saúde do corpo nunca foi tão importante. A página também traz relatos de mulheres com suas experiências nos esportes. A @the.wellnessclub também foi criada durante a pandemia e tem foco em transmitir sensação de bem-estar com frases e fotos inspiradoras.

E levando em consideração os dados estatísticos que apontam para o aumento da violência doméstica, o @projeto__mulheres foi reativado por duas alunas de Rádio e Televisão da FAAP após o crescimento de denúncias de violência doméstica com o isolamento social.

O slogan do perfil “História de mulheres para mulheres” é mais uma forma de receber de braços abertos vítimas de agressões, incentivá-las e ajudá-las a denunciar seus agressores. Aqui comigo, será que foi preciso uma crise dessa magnitude para provar que não estamos sozinhas?

Talvez sim, mas o importante mesmo é que mulheres estão se unindo no mundo digital em prol de um movimento que promete empoderar vidas. O @todasnosoficial chegou há quatro semanas no Instagram e promete acolher muitas manas com publicações que revelam exemplos de mulheres reais.

Do lado da escuta, novas podcasters surgem com uma missão de alcançar ouvidos nessa pandemia com conteúdos construtivos e que ampliam nossa forma de enxergar a vida. Vale citar um programa que descobri essa semana, o Alcateia Psicanalítica. Com propósito de formar uma rede de trocas e espaço de fala para as mulheres, o podcast é apresentado pela psicanalista Manuela Xavier.

Outro que nem estreou nas plataformas de streaming (a previsão é para o dia 29 deste mês) mas que pelo teaser já mostrou seu poder é o Mulé de Maré. Produzido por Patrícia Paes, amiga miga, apresentadora, atriz, radialista e mestre de cerimônias (muitos títulos, que orgulho rs), vai inspirar a gente com muita história de mulheres lindas.

Se não é possível fugir do que está acontecendo, então que enfrentemos esse caos todo a partir de ferramentas que façam a gente continuar a caminhada de maneira mais branda e engrandecedora. E apesar das amigas estarem longe fisicamente, o apoio delas do lado virtual está mais presente do que nunca.

Existe coisa melhor do que saber que quando precisamos todas estão ali a postos, e vice-versa? Essa semana eu minha filha chegamos no ápice do estresse da pandemia quando me deparei com a casa toda lavada de óleo depois de terminar uma reunião. Sabe qual foi a minha primeira reação? Gravar a cena e pedir colo pras amigas.

É Claro que num primeiro momento riram comigo da situação. Trocamos piadas com figurinhas, mas depois uma consultou a diarista para saber o produto mais eficiente de limpeza, a outra compartilhou mensagem de uma amiga (e mãe também) como prova de que eu não estava sozinha, cada uma tentou ajudar como podia, e assim  foi o meu dia com elas, entre muitas passadas de pano no chão, risos, piadas e abraços virtuais. S2

 

 

 

 

Mãe na real, Pausa para um papo

Aceitar as emoções é a forma mais honesta de agir com nós mesmos

Imagem Unsplash

“As melhores e as mais belas coisas não podem ser vistas nem tocadas. Têm que ser sentidas com o coração.” A frase da escritora norte-americana Helen Keller foi o fio condutor ideal que encontrei para começar esse texto cujo foco é debruçar sobre encarar os sentimentos de forma mais honesta possível.

Durante muito tempo nos vimos em uma sociedade apoiada na premissa onde falar dos sentimentos era sinal de fraqueza, que quem chorava era mole, que visitar o terreno da autoajuda e fazer terapia era a maior perda de tempo (e dinheiro).

A moeda virou de lado e hoje o que mais encontramos no plató fervilhante da internet (graças a Deus) são profissionais e perfis empenhados em ajudar as pessoas a decifrar suas emoções, habilidade essa que deveria ter sido trabalhada desde a nossa infância, não é mesmo?

Que fique bem claro, to longe de culpar os pais nessa altura do campeonato, até porque hoje sou mãe e vejo que a missão mais difícil é preparar alguém pro mundo (é empatia que fala né?). Consciente de que olhar para os sentimentos de forma transparente pode ser um desafio para mim em certos momentos, tento fazer com que minha filha possa aprender a dar ouvidos às emoções que brotam dentro dela.

Não é uma tarefa simples, exige esforço tremendo de tentar achar mecanismos eficientes para cuidar do lado mais profundo da nossa existência. E assim, cambaleando nesse barco, pratico (ou praticava pelo menos) o exercício de fazer a leitura das minhas emoções de forma mais sincera para levar uma vida condizente com o que ta no meu coração.

É nessa mesma pegada que, por meio de conversas, tento agir com a Helena quando situações envolvendo as mais diversas emoções surgem para ela. Nesse tiroteio às cegas de educar e ensinar a honestidade emocional já fui chamada de canto por pessoas próximas por faltar com postura firme em momentos que exigem atitudes mais duras e dispensam tantas palavras.

Tudo é uma questão de pesos e medidas, não é? Difícil é encontrar o equilíbrio quando se trata da formação de alguém. Entre o diálogo e a postura incisiva quando necessária, vou buscando o caminho do meio para que ela saiba dar o rumo certo às suas emoções e, quem sabe, tão melhor quanto eu. Vou aprendendo também a separar a joio do trigo já que aos olhos de algumas pessoas as atitudes que considero coerentes podem soar mimimi.

Mesmo sendo aprendiz nessa rota toda entre aceitar trabalhar minhas emoções e ajudar alguém com as suas, boto fé de que não existe nada mais honesto do que ser quem você é seguindo aquilo que mora aí dentro. Olhar para mim não necessariamente significa que sempre terei as melhores respostas, mas ao menos pude sair daquele lugar raso de negligência com meus sentimentos.

Aquele velho conceito de que quem é forte é aquele que sabe esconder seus sentimentos ta demodé, afinal, como é possível ser forte sem aceitar e encarar as emoções como elas são? Não era agindo de maneira transparente com suas tempestades internas que os maiores pensadores se posicionavam em sua época?

Um dos maiores deles, Albert Einstein, comprovava essa tese com suas reflexões como: “A felicidade não se resume na ausência de problemas, mas sim na sua capacidade de lidar com eles.” Então por que boa parte do mundo insiste em colocar debaixo do tapete aquilo que é tão essencial para a trajetória aqui na terra?

Anular nossas necessidades internas em detrimento de crenças ou vontades alheias é crime grave que cometemos a nós mesmos. E se estamos neste espaço para evoluir certamente esse não é o melhor caminho.

 

Mãe na real, Pausa para um papo

A comunicação de antes e de depois da pandemia

Imagem Patrick Tomasso by Unsplash

Uma vez peguei um uber, há mais ou menos um ano, que no seu perfil do aplicativo ele enunciava: “quieto ou tagarela, a gosto do freguês”. Para uma comunicadora nata como eu (a lua em gêmeos é forte!), essa foi a deixa para desenvolver um papo do começo ao fim da rota.

É claro que no meio da conversa quis saber se ele era do tipo que não desperdiçava oportunidade de papear, como eu, ou se preferia fazer suas viagens na paz do silêncio. Sim, ele adorava um conversa fora, mas achava deselegante com o cliente abrir a broca sem que antes ele desse algum sinal de abertura para tal.

Antes de toda essa pandemia começar, vivíamos na euforia da necessidade de se expressar de diferentes formas nas mais diversas ferramentas ofertadas pela internet. Ter opinião sobre tudo era certificado de existência na terra. Compartilhar e responder conteúdos tornou-se parte de uma rotina galgada pela urgência da fala.

Com o andar da carruagem das notícias sobre a crise minuto a minuto e o decreto do isolamento, os holofotes se voltaram para o assunto que deixava o mundo todo doente. De repente, a comunicação que já vinha sendo gritante de todos os lados ganhou uma única tônica. Nesse contexto, todo mundo entrou no mesmo barco.

Enquanto metade do mundo produz conteúdo nas mais variadas formas a partir do mesmo ponto de partida, a outra metade digere e compartilha toda essa informação. Ao mesmo tempo, controlar os impulsos do que falar e publicar ficou mais tonificado, por assim dizer.

Talvez isso sirva para nos colocar de volta ao nosso centro, nos fazendo perceber que não somos tão imprescindíveis e ficar um pouco na reclusa, ao mesmo naquele estado de alerta sobre nossas ações, é saudável e benéfico. Oitenta dias depois do decreto do isolamento aqui no Brasil, seguimos dentro de nossas casas, mas com o detalhe de estarmos mais atentos em o que publicar e sem deixar de consumir o que nos interessa.

Observando o trajeto da comunicação durante esse tempo, produzir e compartilhar conteúdo ganhou uma responsabilidade social num grau maior. Presos em nossos “consultórios”, exigimos por manchetes que nos mostrem o que acontece lá fora, no entanto também queremos amenizar nossas dores (obrigada memes, gifs e afins).

Enquanto a vida “dos sonhos” ficou demodé (resultado de uma pegada que já vinha entrando em desuso antes disso tudo acontecer), a simplicidade e o acolhimento ganharam tons fortes na internet. Nessa enxurrada de conteúdo, a foto do céu azul ganhou mais significado do que o look baphônico.

Comentar parece que saiu do automático – é feito quando é para acrescentar. Embora não dê para generalizar, percebo essa consciência tanto em muitos que usufruem das redes sociais como ferramenta de trabalho quanto naqueles que as utilizam como uma distração.

Entrar no uber já não é mais a mesma cena de antes. A conversa pode rolar muito mais por olhar e uma escuta afinada do que pela linguagem proferida. Fico pensando como deve estar o status daquele motorista, talvez esteja em branco ou, quem sabe, ele tenha mantido a mesma mensagem de boas-vindas para mostrar que a troca do discurso pode acontecer quando de fato ela for imprescindível.

 

Mãe na real, Pausa para um papo

Isoladas com seus filhos, mães solo desabafam em rede social

Cansaço mental e físico é assunto entre interações de mães solo no Instagram

Uma enxurrada de comentários surge no post sobre mãe solo na quarentena do @maeforadacaixa, perfil voltado para maternidade no Instagram. Afinal, viver uma rotina sozinha com suas crianças é o lugar de fala de muitas mulheres.

Ao deslizar o dedo na publicação, as mais de 500 interações se dividem entre desabafos de mães esgotadas, palavras de consolo de outras mulheres e iniciativas mais que positivas de profissionais da área psicológica tentado dar escuta para quem vive esse grande desafio de criar e dar conta de todas as adversidades causadas pela pandemia.

Ao mesmo tempo que me sinto compassiva com as experiências relatadas ali, me vejo tomada por um orgulho de notar que o ser humano tem se prestado tanto a ajudar as pessoas em um período tão duro que estamos vivendo. Uma das ações é o projeto Mãe Polvo (@_projetomaepolvo).

Com cerca de seis meses de existência, a página no Instagram já tem mais de 14 mil seguidores, a maioria mães solteiras que encontram ali um abraço virtual, um conforto, uma forma para se sentir acolhidas.

“Abrimos este espaço para as mães solos contarem suas experiências com a maternidade solo, seus medos, suas inseguranças e frustrações, mas também suas alegrias, suas conquistas e conquistas dos seus bebês.”, conta Sabrinne Abe, criadora do projeto.

Mas o projeto vai além. A ideia, revela Sabrinne, é contar com creches em que possam deixar seus filhos de acordo com seus horários, “para ajudar quem tem que ficar até mais tarde no trabalho”, diz.

Uma em cada cinco mulheres na capital paulista exercem a maternidade sem apoio de mais ninguém em casa, segundo estudo da Rede Nossa São Paulo, organização da sociedade civil que tem por missão mobilizar diversos segmentos da sociedade para fomentar, articular e promover ações em prol de uma sociedade mais justa.

De fato, nós mães solteiras sentimos na pele o desgaste de conciliar a rotina da casa com trabalho e dedicação aos filhos. Tocar nesse solo, pensar em ações e políticas públicas para melhor esse cenário cruel de quem vivem a maternidade sozinha precisam e devem acontecer com mais frequência e profundidade.

A quarentena nos tirou não só a nossa rotina mas a rede de apoio com que contávamos para conseguir equilibrar todos os pratos na medida do possível e iniciativas como o @_projetomaepolvo (acesse aqui quem quiser assistir a live que fiz com Sabrinne) são um acalento.

“Ser mãe solo é um desafio em pleno século 21. Ganhamos espaço, porém há ainda muitas barreiras a serem transpassadas. Precisamos lutar por visibilidade política, social e no campo do mercado de trabalho”, observa Sabrinne, que lamenta ainda existir tanto preconceito por parte das empresas no que diz respeito ao assunto maternidade.

“Queremos mudar essa visão da sociedade e mostrar que as mães, sejam elas solos ou não, não são menos capazes do que qualquer outra mulher, que a maternidade é inclusive combustível para o bom desempenho das funções, pois, além de muitas não terem o apoio do pai da criança, querem dar o melhor que puderem para seus filhos.”, reforça.

Hoje casada, Sabrinne já fez parte da parcela de mães solo com seu primeiro filho (hoje ela é casada e teve uma bebê). Abandonada pelo ex-marido durante a gestação, viveu experiências que apesar de doloridas serviram de combustível para dar vida a esse lindo projeto no qual torço muito para que alce grandes voos.

Imagem Unsplash

Dificuldade financeira agrava situação psicológica de muitas mães sozinhas

Segundo o IBGE, mais da metade das mães solo que moram na cidade São Paulo vivem com até dois salários mínimos. Em um cenário de crise, a preocupação de garantir o pão na mesa é ainda maior. E quando o direito ao auxílio emergencial que é oferecido a nós mães solo em situação de desemprego não chega até muitas de nós por algum motivo?

Sabrinne reforça que a questão financeira é a maior dificuldade que muitas mães encontram durante a luta na criação dos filhos. “Elas precisam trabalhar, porém precisam deixar seus filhos com alguém, muitas não têm rede de apoio e as escolas ainda não têm previsão de retorno”, conta.

Diante da angústia do futuro duvidoso e da instabilidade financeira, ainda é preciso manter o equilíbrio mental e emocional para dar conta da educação dos filhos em casa. O calo de fato apertou.

E mais do que nunca chegou a hora de darmos a mão umas para outras da forma como podemos, que seja com palavras através de espaços para diálogos, por exemplo. Pessoas estão adoecendo e perdendo suas vidas. A humanidade chegou num ponto em que a cooperação virou necessidade básica de sobrevivência. Parabéns Sabrinne.

 

 

 

Mãe na real, Pausa para um papo

Mães e desempregadas, três mulheres são exemplos de lideranças de ações voltadas para os impactos da Covid-19 no em torno de suas comunidades

Elas não são CEOs de grandes empresas como também não lideram países, mas estão à frente de ações dedicadas ao próximo, salvando vidas em um cenário tão catastrófico de crise econômica e sanitária no mundo

Falar com essas três grandes mulheres me acendeu a lanterna – que talvez nunca mais se apegue — do quanto somos sempre capazes de fazer mais, de doar sem nada em troca. Também tocou profundamente minhas emoções e ampliou minha capacidade de admirar e encontrar inspirações sem limites.

Depois de um longo papo por whatasapp, combinei de terminar minha conversa com Vanessa de Oliveira (36 anos e três filhos) por telefone. Muitas vezes uma entrevista começa por escrito e termina na fala. Você quer se aproximar ao máximo do entrevistado e pegar detalhes que a frieza do digital não permite.

Presidente da ONG Kuka Legal, Vanessa relata com a voz que denuncia sua paixão pelo que faz. Sua história em ajudar a comunidade do Flamenguinho, em Osasco (SP), começou em meados de 2007, quando um casal desconhecido acompanhando de uma moradora abordou ela e sua irmã para saber se podiam ajudar no cadastro de 250 crianças para receber roupas, brinquedos e sapatos de natal.

“Nós ficamos muito felizes, fizemos essas inscrições e no mês de Dezembro de 2007 foi realizada a primeira festa da nossa ONG com entrega de roupa, calçado e brinquedo”, conta. É com essa mesma empolgação do começo do trabalho, cujo propósito é ajudar crianças e adolescentes em situações vulneráveis proporcionando ferramentas para o melhor desenvolvimento delas como o esporte, que Vanessa acorda cedo todos os dias para distribuir marmitas e cestas básicas para famílias.

Atualmente, por conta da crise causada pela Covid-19, a ONG está com as atitidades voltadas para essa ação, dominuindo assim o índice da fome em comunidades como a que Vanessa mora.

São em torno de 200 famílias cadastradas e até semana passada haviam sido entregues 70 cestas básicas e 74 kits de produtos de higiene. Além disso, ela e sua equipe distribuem todo dia 300 marmitas doadas pelo Sesi de Osasco para 87 famílias.

“Com as dificuldades que enfrentamos na vida aprendemos a gostar de gente, de cuidar dos outros, de conhecer cada história, e cresceu a vontade de deixar a nossa marca para fazer deste um mundo melhor”, revela num tom emotivo.

E apesar de todas as dificuldades em conseguir apoiadores nessa iniciativa, Vanessa não desiste. Antes de acontecer a pandemia, ela utilizava a quadra de uma escola da região para promover o futebol às crianças integrantes da sua ONG.

Esse mesmo amor ao próximo é o que faz Tatiane Cavalacante, 34 anos, deixar o confinamento na sua casa, depois de cuidar dos oito filhos, para oferecer ao menos uma refeição às cerca de 400 pessoas que moram na comunidade Muinho, em São Paulo. A ação acontece através da parceria entre ONG Novos Sonhos e Bom Prato e a previsão é continuar durante a pandemia.

“Eu amo ajudar, levanto cedo todo dia. Gosto de estar no meio do povo, são experiências que você leva para o resto da vida”, reforça. Cuidar das pessoas sempre foi seu forte – seu trabalho antes de ficar desempregada era numa creche – e durante esses 13 anos que mora no Muinho sempre arranja uma forma de acolher o próximo.

Todo dia às 17h30 ela abre a igreja Assembleia de Deus para receber as pessoas que muitas vezes só terão aquela refeição fornecida naquele espaço. “Quando meus filhos eram pequenos, meu marido tinha problema com drogas e fui ajudada por muitos do meu em torno”, conta Tatiane.

Infelizmente, muitas pessoas que estão em locais demarcados pela pobreza e escassez de coisas básicas sofrem da falta de apoios e acabam tendo relações direta ou indiretamente com as drogas. Assim foi o caso da Marcela Ferreira, de 39 anos e com cinco filhos.

Há oito anos sem usar craque, ela conta que um dos seus papeis quando acolhe mulheres para ter uma condição de sobrevivência, com um lugar para dormir e comer, é mantê-las longe das drogas. “Na minha vida esse trabalho é muito importante porque me lembro que assim como tiveram pessoas me deram as mãos outras também me disseram que eu não tinha mais jeito, e só não existe jeito para a morte”, relata.

Dedicada a tirar pessoas das ruas e a levá-las para espaços desabitados e teoricamente abandonados, Marcela vai dia sim dia não no viaduto Rudge, no Bom Retiro, um dos locais onde acontece uma das ocupações. “Aqui temos até segurança que recebe salário para não deixar entrar estranhos entrar”, conta.

Sobre a rotina no local, ela diz muita alma boa para por ali para deixar cestas básicas e cobertores. No entanto, sempre precisa de comida e produtos de higiene. “A intenção é poder realizar o sonho de cada um conseguir ter um teto. É muito ruim ficar na rua e não ter para onde ir”, revela.

Pois, como ela mesma diz, enquanto houver vida há esperança!

De cima para baixo, Tatiane, Vanessa e Marcela com a família e os filhos
Beleza e bem-estar, Lady Fê

Os benefícios dos óleos essenciais em meio à quarentena

oléo essencial com flores e sabonetes
Imagem Unsplash

Já há algum tempo eu ensaiava experimentar óleos essenciais — substâncias lipossolúveis e voláteis extraídas das células das plantas em forma de gotículas para ajudar no bem-estar e na saúde. Daí quando a pandemia veio à tona aproveitei a deixa para explorar as ações desses produtos de frascos tão pequenos que a gente chega a não dar nada, mas, pasmem, que podem carregar até 300 substâncias diferentes.

A prática baseada no uso de óleos essenciais tem o nome de aromaterapia, e, apesar de existir há milhares de ano, até hoje os cientistas estudam seus benefícios. Os efeitos positivos são tantos que o movimento do uso destes vidrinhos “mágicos” tem crescido entre pessoas que curtem opções de tratamentos naturais e em alguns centros médicos, que complementam tratamentos convencionais com óleos essenciais. É o caso do Hospital Europeu Georges Pompidou, na França, que utiliza os produtos em pacientes de cirurgias torácicas durante o pré e o pós-operatório.

Extraídos a partir do que existe de mais potente de dentro da planta, podem ser criados de uma única espécie ou se resultar de composições mistas. “Além de ajudar na harmonia do funcionamento do corpo, contribuem para uma boa saúde física, emocional e espiritual.”, diz Gislene Lemos, consultora dos produtos e aficionada pelo assunto. Ela faz questão de dizer que há um ano não frequenta mais prontos socorros. Atenta à saúde, continua fazendo seus exames periódicos e possui uma coleção desses blends em casa para qualquer tipo de sintoma.

Mas e aí, como a gente usa? Pode tomar e colocar umas gotas na água? Dá pra passar no cabelo? Pode na pele? Perguntei tudo isso pra ela porque sou curiosa e se não faço perguntas não sou eu.

Gislene diz que os compostos podem ser aplicados sobre a pele, por meio de massagens, banhos e compressas, adicionados em um difusor ou dependendo da função do óleo pode ser inalado direto do frasco, “o que potencializa a eficácia já que o nariz está associado à parte do nosso cérebro que controla as emoções”, diz.

Alguns podem ser até ingeridos. Neste último caso não são todos óleos essenciais que podem ser consumidos pela boca. Em tempos tão difíceis onde sensações de ansiedade, medo, irritação acabam sendo mais comuns, esta pode ser uma boa opção para buscarmos melhorar várias questões do corpo e da alma. Algumas mães assim como eu se renderam aos óleos e, embora eu seja nova no assunto, estou adorando o resultado!

Segundo Gislene, a aromaterapia para crianças pode deixá-las mais tranqüilas nesse período em que todo mundo fica mais agitado, além de ajudá-las a ter um sono mais tranqüilo, a ter mais foco e contribuir com o bom funcionamento do sistema imunológico.

Pensando nisso, separamos 4 óleos essenciais que podem ajudar nessa quarentena. 😀

Insônia e ansiedade

Um dos mais famosos, o óleo de lavanda tem toque amadeirado e doce ao mesmo tempo. Afeta diretamente o sistema emocional, nervoso e cardiovascular. É bastante indicado para melhorar o sono e baixar a bola no estresse. Aplico de uma a duas gotas no meu travesseiro e no da minha filha, é perceptível como o sono dela fica com mais qualidade.

Problemas respiratórios

Um deles é o Peppermint, mistura de pimenta com hortelã, com frescor maravilhoso. Indicado para casos de sintomas respiratórios, quando percebo que minha rinite atacou aplico uma gota nas mãos e aspiro.

Para amenizar o medo

O sálvia-esclaréia possui propriedades sedativas e calmantes. É recomendado inclusive para tratar desequilíbrios hormonais, problemas menstruais e circulatórios.

Harmonia do lar

Óleos cítricos como o de tangerina são os mais recomendados, segundo Gislene. Seu aroma refresca os sentidos, ajuda a acalmar a mente e de quebra eleva o humor, o que pode ajudar a criar uma atmosfera de felicidade, e quem não quer ficar assim na quarentena?!

 

 

Mãe na real, Pausa para um papo

Como consumir conteúdos em tempos de pandemia

A crise mundial causada pela Covid-19 mostra, entre outras coisas, que não temos controle quase nem dos nossos pensamentos, que dirá das notícias e dos conteúdos que invadem nossos celulares.

Denominada “infodemia”, a enxurrada de informações que chega em whatsapp, instagram, twitter, facebook pode esgotar a gente nesse olho do furacão em que estamos vivendo e tentar acompanhar todos os dados que saem a cada minuto é pedir pra ser massacrado dentro dele.

Não precisamos ficar alienados do que acontece, mas penso que chegamos num momento em que decidimos como consumir e processar todas as informações densas que chegam até a gente. Conversei como Alceu Martins, mestre e doutorando pelo programa de Psicologia Experimental da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em psicoterapia comportamental, para falar sobre como podemos absorver as notícias sem pirar.

1// ACESSE AS FONTES DE NOTÍCIAS POR UM TEMPO LIMITADO

“Tendo em vista que o consumo de informação é importante para que possamos tomar as decisões mais apropriadas para nossas vidas, ainda mais em um momento de grande instabilidade sanitária, política e econômica, é fundamental para a manutenção da saúde mental, principalmente, para evitar crises de ansiedade, a escolha do consumo da informação em somente um período do dia.”, diz o especialista.

2// FAÇA UMA “TRIAGEM” DO QUE CONSUMIR

De acordo com Alceu Martins, pessoas que sempre trazem notícias ruins, o pronunciamento de autoridades e a vinheta do plantão de notícias podem desencadear no organismo reações parecidas com aquelas provocadas pelo medo, ou seja, a famosa ansiedade. “O contato contínuo com esses estímulos que sinalizam ‘ameaças’ é muito danoso para a saúde mental. Podem resultar em crises de pânico, em rituais de checagem, compulsões, abuso de drogas, insônia, variações de peso, variações de humor como tristeza e irritabilidade.”, observa Alceu.

3// NÃO PRECISA SE ISOLAR DO MUNDO

Uma coisa é fato, a internet tem contribuído para não nos isolarmos de vez. E vamos combinar que é um benefício já que somos os “seres mais gregários e sociais que existem no planeta”? Por ser um instrumento de socialização, a internet tem nos ajudado a suprir a falta do contato físico em certo ponto. Portanto, não precisa sair deletando suas redes sociais e aproveita a vantagem que a tecnologia nos oferece em tempos de reclusão. Já imaginou como deve ter sido muito mais difícil para as pessoas seguir o isolamento em outras crises sanitárias como a gripe espanhola, no início do século XX, ou a peste negra, que devastou a Europa no século 14, ou a cólera em 1817?

4// MODIFIQUE O ÂNGULO DO SEU OLHAR

É difícil controlar nossos impulsos e sentimentos nesse período de tanta instabilidade e perdas, mas precisamos ter esperanças de que dias mais calmos virão. Talvez este seja o momento certo para direcionarmos o nosso olhar para outras coisas para além das notícias entristecedoras. Por exemplo, se voltar para as artes que, aliás, nunca se tornaram tão acessíveis como nos últimos tempos. Lives e podcasts enriquecedoras também são um bom caminho. Sorte e proteção! Bjs

 

 

 

Mãe na real, Pausa para um papo

Mãe resiliente em tempos de pandemia

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Na quarentena existe uma mãe, existe uma mãe na quarentena, e com a maior força do mundo. Ela levanta para arregaçar as mangas mesmo tendo feito hora extra durante a madrugada, organiza a desordem mesmo querendo nela se debruçar, ela se reinventa nas brincadeiras, na comida, na historinha.

É uma mãe que dribla a angústia preocupada em não transferir o sentimento pra filha, limitada entre as paredes sem poder correr feito uma criança livre. Que faz a coisa certa mesmo não tendo certeza o que é a coisa certa. Existe uma mãe que se culpa, mas que também tenta se aceitar, e repetidas vezes se culpa e se aceita.

Ela checa se a porta está trancada pelo menos três vezes no dia com a sensação de que o vírus chegará na casa a qualquer momento. Vence com brio a rotina, cumprindo mil e uma tarefas, mas sempre vai dormir com alguma coisa por fazer. Na quarentena tem uma mãe resistente, mas que derrapa no limbo dos números que entristecem o mundo.

E quando o bem-estar e a felicidade da outra pessoa sob suas asas são colocados em xeque ela resgata suas forças da onde nem sabe de vêm e faz brotar em segundos sorrisos que brilham e abraços que aquecem. Ela até evita acompanhar as notícias antes de encerrar o dia e mesmo assim sente disritmia e é atingida pela insônia. Fica em silêncio, medita, escuta podcast, cozinha, come, faxina, tenta fazer o mínimo de exercício nessa altura do campeonato, lê, assiste desenho.

Se sente perdida, preocupada, angustiada, com medo. E mesmo vivendo os dias mais intensos da sua vida ela sempre vai ter em mente que cair e não se levantar é uma opção nula porque existe uma causa maior que nutre essa força: o amor mais profundo e eterno.

Mãe, desejo que você se lembre da sua capacidade nata de recriar situações, de repensar no almoço, de planejar o dia, de lidar com imprevistos e de pensar no próximo com carinho. Em meio a um momento tenso de transformação, mentalizo que os padrões sejam dissolvidos pelo ralo de uma vez por todas. Assim, que cada uma viva a experiência do maternar à sua maneira.

Mas para isso é preciso se reconhecer no espelho. Então desejo que seja amiga dele, que se ame e se carregue no colo. Lembre-se: se você escolheu ser mãe, não optou por desistir e tampouco deixar de se doar em “tempos de cólera”. Estremeça para se solidificar. Ame para transformar. E já que nossos filhos um dia criarão asas e por isso são outra prova viva de que nada é estático e tudo transmuta, viva esse furacão da impermanência das coisas.

Parabéns a todas as mães que superam seus limites diários com muita coragem nessa fase de tantos turbilhões. Você pode até reconhecer suas falhas, mas não deixe de se abraçar e se perdoar.