Por que, nós, mulheres, sentimos ainda tanto medo?

Uma das frases mais comuns de se escutar hoje em dia é ‘seja você mesma’. Nunca se falou tanto em autenticidade, em ser quem você é, vestir, ter o estilo e as escolhas que quiser. Quantas vezes já escutamos ‘seja você sem se preocupar com o que os outros vão pensar’? Mas como ser quem você é se fomos condicionadas durante a vida toda a agradar para caber num padrão?

Será que a estrutura na qual vivemos quer, realmente, receber uma mulher ‘livre’? Ou será que querem mulheres ‘robôs’, que concordam caladas com o que não lhes agrada, que não têm direito de ‘errar’ e que abandonam suas opiniões?

Já repararam que o tempo inteiro corremos o risco de sermos anuladas, achincalhadas, pondo em risco o lugar de liberdade onde cada uma de nós queremos chegar? Com o tribunal da internet sem direito à fala [em muitos casos], o desafio da comunicação mais clara e objetiva é ainda maior.

Em seu livro Mulheres não são chatas, mulheres estão exaustas, Ruth Manus diz: “Vamos refletir e identificar quais são as amarras que nos prendem, mesmo quando são sutis. Vamos repetir diariamente para nós mesmas que somos livres para questionar os gostos e comportamentos que nos foram impostos desde o nascimento. E, acima de tudo, entender que ser diferente [quem você é] é uma qualidade, nunca um defeito.”.

Ser quem você é exige resistência, olhar suas dores e desafios a partir de uma ótica particular, uma vez que cada uma de nós tem sua história. E essa é a beleza da vida, cada uma ser quem é, preferencialmente, com apoio de todas. Quando falo em apoio não me refiro em termos que concordar 100% tampouco forçar uma amizade com outra mulher. É possível fazer críticas para a outra, mas que isso seja feito com os ouvidos atentos, sempre pela lógica de dar espaço para a pessoa falar, se colocando no lugar dela, compreendendo a luta particular de cada uma até aqui. Sororidade no sentido mais amplo da palavra.

Para que a engrenagem da máquina da mudança continue acontecendo e nossos medos limados, que nós, mulheres, coloquemos nossas diferenças de canto e respeitemos o espaço que cada uma escolheu ocupar. Um exercício diário de se olhar e buscar melhorar, tendo em mente que o erro acontece e vai acontecer, e, que bom, pois faz parte do crescimento. Ainda, em seu livro, Ruth diz “tenhamos em mente que, para aqueles que querem preservar o status quo, é muito mais interessante que nós, mulheres, estejamos desunidas, e nada conveniente que sejamos fortes e demos suporte umas à outras”.

Ser quem queremos ser é inegociável, libertador e exige sim coragem.


Quem ficou do seu lado na pandemia?

Senhoras amigas
Imagem de Pexels

Essa semana uma amiga irmã contou que levou suas preces pra minha mãe [a que habita outras galáxias] quando fiquei com suspeita de covid depois de uma viagem à trabalho, mesmo tomando todos os cuidados recomendados. Fui na lua e voltei quando ela me disso isso. Não que eu duvide da fidelidade da sua amizade ou da capacidade dela de me amar, mas o fato dela se esforçar a tal ponto de trocar umas ideias com quem me trouxe pra essa existência, demonstrando tamanha preocupação e amor, me fez encher os olhos.

Outro dia, uma outra amiga me contou que sempre na virada do ano reserva parte dos seus pedidos em forma de oração para as pessoas que mais ama. Achei lindo ela se apropriar da sua crença de que sabe o que é ‘melhor’ pra gente. Uma prova estratosférica de que só quer o melhor para aqueles que lhe cercam, não é?

Fiquei pensando depois… a pandemia nos afastou do que era artificial e nos uniu do real, mesmo à distância. Reforçou laços, colocou novas pessoas, reprogramou rotas. E mesmo que nem sempre estamos com aquela disposição de antes desse dilúvio de falar com um amigo, uma mensagem de poucas palavras, um sinalzinho sempre vai existir do outro lado da ‘janela’ de quem realmente se preocupa conosco.

Durante esse quase um ano em confinamento, quem esteve do seu lado de verdade, assim, sem pestanejar? Quem foi, de fato, empático com suas dores? Quem cuidou de você mesmo longe e se sentindo cansado? Quem foi que você pendurou no pescoço feito um amuleto?

O universo se encarrega daquele alguém que não economiza no afeto, que lamenta suas dores e te faz esquecer a massa cinzenta que paira sobre sua cabeça.

A pandemia acentuou que, sim, somos sozinhos nesse planeta, mas, uma coisa é certa, vai ter sempre alguém pra recolher o brilho do céu e nos dar de presente.


5 formas de organizar a rotina de trabalho

Ferramentas simples que podem te ajudar a organizar o dia a dia do home office

Você não precisa sentir vergonha por ter a sensação de não estar dando conta de tudo – embora o sentimento de culpa parece que vem junto do combo quando a gente se torna mãe. E se tem uma coisa que não pode ser ignorada é fato de nós, mães, estarmos mais sobrecarregadas ainda com a mudança de rotina desde o início do isolamento com a pandemia [já até cansei de falar disso por aqui rs].

Mas só um parênteses antes de dar continuidade ao assunto principal desse post, um estudo publicado no jornal acadêmico Gender, Work & Organization (Gênero, Trabalho & Organizações) é mais uma prova do cenário ‘mães e mulheres nessa crise sanitária’. Nele, é mostrado que a desigualdade de gênero medida por horas de trabalho aumentou de 20% a 50% durante a pandemia.

Retomando o que me trouxe até aqui, fiz uma lista com cinco formas de organizar a rotina de trabalho em casa tendo criança pra cuidar e um lar pra pôr em ordem. Espero que ajude vocês! E quem souber de alguma outra ferramenta bacana fique avonts pra dividir com a gente!

1- Trello: desde que descobri essa ferramenta não largo mais. Super intuitiva (basta criar os cartões e arrastar eles pra onde quiser!), ajuda a organizar o fluxo do trabalho e as ideias, e o melhor, é de graça pra usar. Acesso link dele aqui e se cadastra.

2- Bloco de notas do celular: pra quem tem um cérebro que não para como o meu o bloco de notas é um verdadeiro curinga. Coloco nele até anotações do que vou lendo pelo celular e tudo que me vem à cabeça. Quando não tô na frente do computador, ele me ajuda a não esquecer das ideias que vão brotando… O legal é que dar pra montar por pastas. Tenho uma do blog, é claro.

3- Agenda do Google: fácil e já te mostra uma visão do que tem no mês de tarefa. Usava muito para programar meus posts, mas agora tô mais focada no trello mesmo.

4- Grupo no WhatsApp: essa regra vale ouro! Monta um grupo só seu no whatsapp pra ir jogando ali suas referências de conteúdos que encontra pelas andanças na internet e as tarefas que considera prioridades para as próximas horas.

5- Caderninho não falha: o bem o velho papel não vai te largar na mão. Nele, anota as coisas que você tem pra fazer na noite anterior ou na manhã seguinte. Depois que passei a fazer isso, anotar minhas prioridades do dia, minha rotina ficou mais organizada e isso me ajudou a ter mais foco.


6 maneiras de trabalhar a mente para não sabotar o seu sucesso em 2021

Foto por Pexels

Olá mamacitas!

Chegamos na reta final de 2020, o ano que fez a gente tirar leite de pedra, que logo no primeiro ring fomos nocauteados. Agora é hora de encher os pulmões para o que nos espera em 2021, concentrar nos objetivos e ir, remar e remar…

Como uma mulher que segue se movimentando para continuar fazendo com que este espaço continue ativo, vou falar hoje sobre sinais que a nossa mente pode nos sabotar em relação àquela ideia que não sai do papel (ou da cabeça) e começar o projeto que tanto desejamos.

Mas, antes, pausa para falar do que a astrologia prevê para 2021. Ele será regido por Vênus, a deusa do amor, ou seja, será transbordante. O que não significa que será moleza. Será preciso nos olharmos com carinho para que as coisas possam acontecer como imaginamos, nos mais diversos cenários (finanças, carreira, alimentação, amor e por aí vai).

2021 exigirá colocar em prática as transformações (ou dar continuidade a elas!). De certa forma, a cartada final depois de um jogo duro que foi 2020. Pode parecer fácil falar, né? Embora esse choque entre a nossa cabeça e o coração em relação às nossas ideias seja meramente comum, a assombração da síndrome da impostora deve ser colocada no lugar dela — bem longe de cada uma de nós.

Com base em alguns conteúdos que encontrei pela internet, montei essa lista, abaixo, que espero ser útil não só para vocês, mas pra mim também!

1/ NÃO MENOSPREZE SEUS SONHOS
Não encare como um hobby ou uma distração se é algo que você tem uma missão definida e, lá dentro, acredita. Então por que não ir a fundo? Use o poder da metafísica, visualize na sua mente e escreva onde quer chegar (o papel tem poder). Mas, claro, faça por onde, arregace as mangas. Se quer colher o mel, não chute a colmeia. Não se acomode, vá atrás de novos conhecimentos, se planeje, se conecte com pessoas que vão te agregar e te fazer crescer.

2/ TENHA DISCIPLINA
Sair da zona de conforto, mudar hábitos exige esforço tremendo. Mas se seu sonho, vontade ou necessidade são maiores é preciso causar uma confusão o repensar os seus hábitos. Quando se joga pequeno está dando o que seu cérebro, que adora a zona de conforto, está pedindo. Bora estimular ele!

3/ NÃO TENHA COMPROMISSO COM A PERFEIÇÃO
Se a maior empreendedora do país, Luiza Helena Trajano, tem essa linha de pensamento por que cargas d’água contestar? Tudo bem ter medo de falhar, e errar é tanto humano quanto necessário pra aprender e evoluir. Mas isso só é possível quando nos permitimos sair do lugar. Como diz Dra. Carla Sarni, fundadora do Sorridents, “tem águia que acha que é galinha, passa a vida inteira ciscando pra não levantar voo.”

4/ LUTE PELAS CAUSAS QUE ACREDITA
Escute a sua intuição, o que o seu coração diz, por mais que todos estejam contra e a probabilidade de algo dar errado exista. Também não fique emitindo ao universo inseguranças com pedidos de desculpas a todo momento. Não que a gente não tenha mais que pedir desculpas, mas, sim, fazê-las quando forem realmente necessárias.

5/ FAÇA ALGO POR VOCÊ TODOS OS DIAS
Muitas pessoas das quais me inspiram tem o ritual de no primeiro momento quando acordam fazer algo por elas, para elas. Tem melhor forma de começar o dia do que fazendo algo que te faça bem e te inspire? Além de praticar o amor próprio, ajuda a criar a bendita da tal disciplina.

6/ VIVA O AGORA
Bingo! Como, como? Meditação ganha de lavada quando se fala disso. Se Dalai Lama consegue prestar atenção plena numa conferência de física quem somos nós para questionar o poder da medição?! Isso não significa que você precisa se transformar em um monge pra viver o tão distante, #sóquenão, “agora”. Aplicativos pra começar a meditar tem aos montes, basta querer, garota (viu, Fernanda?!).

Que em 2021 sejamos perseverança, renovação e coragem pra colocar aquilo que causa rebuliço dentro de nós pra fora. Da desordem, surge aquele movimento necessário para as coisas acontecerem, não é mesmo?! 💕


2020, um ano de quem cuidou

Colagem de Pinterest

Resilientes, valentes. Daqui do meu lugar, me refiro à nós, mulheres, tanto àquelas que são mães ou às mães por tabela, que acolhem a amiga, o irmão, o vizinho (o instinto materno corre nas veias de uma mulher).

Todas sentiram. Sentiram medo de um futuro incerto amedrontador. Sentiram dores imensuráveis, da perda, da iminência de uma, do emprego ou da vida de um ente querido. Em meio à dores, medos e confusões, ressurgiram, dia após dia. Geraram vidas, seja uma gravidez ou um novo projeto, um propósito de vida, um trabalho.

Desafiando as próprias leis da física, onde o pensamento cria o resultado, muitas, mesmo com o pavor do caos latente, trabalharam incansavelmente para salvar e cuidar. Aliás, essa palavra “cuidar” nunca ganhou tanta notoriedade como agora, no mundo pandêmico. Mulheres que distribuíram cestas básicas, marmitas e agasalhos. Acolheram muitos e reduziram perdas.

E ainda que vararam (e varam) noites costurando máscaras para a vizinhança. Há quem viajou quilômetros para manter esperança às crianças, desoladas com a ausência da sala de aula. Se sensibilizaram por testemunhar a alegria de quem teve de volta o sonho dos cadernos.

Lágrimas escorreram dos mais diversos cantos e se tornaram antídoto para seguir com fé, que, em vez de minguar, cresceu. Com o passar dos dias, criaram cada uma a sua couraça de proteção, que nada tem a ver com a sensibilidade na alma feminina, pois essa prevalece intacta.

Sob efeito de uma força incalculável, algumas superaram um casamento infindável. E tal como um procedimento cirúrgico que invade o corpo trazendo um mudança, se anestesiaram da dor. Uma anestesia causada por música, leituras, escritas, vozes, ouvidos. Quando o efeito indolor passava, a ação ganhava seu espaço na dimensão da vida.

Pois, no fim das contas, é preciso continuar sonhando e fazendo por onde já que o desejo de deixar algo para posteridade é latente. Em 2020, o roteiros ganharam emoções parecidas com o contraste pessoal marcado pela história e personalidade de cada uma de nós, mulheres.

Para 2021, que demos um reset no que não foi bom e que as energias, emoções e experiências positivas de um ano atípico e por tantas vezes amargo sejam carregadas juntas com cada uma de nós.


Culpa materna e a nossa mente

Arte por @handleofiron

A culpa que acompanha nós, mães. Psicólogos dizem que é impossível se livrar dela, mas que, sim, podemos lidar de forma mais branda. Se apegar a essa crença certamente pode trazer leveza para essa maternagem cheia de emaranhados, desafios e misto de sentimentos.

Esse papel poderia talvez ser mais leve e mágico se não fosse a imagem “pesada” sobre a mulher que é mãe que a sociedade criou ao longo de todo esse tempo. Um cargo exercido sem pausas repleto de reponsabilidades e carregado de exaustão.

Precisamos suportar essa gigantesca função tendo que encarar pressões sociais, de marcas que romantizam a maternidade, de outras mães (mesmo que inconscientemente) e da internet. A conclusão, no fim das contas, é uma maternidade exaustiva e cheia de culpas.

Segundo um estudo levado a cabo pela NUK, uma marca de produtos para bebês, 87% das mães têm sentimentos de culpa invariavelmente, enquanto 21% sentem isso o tempo todo. A culpa existe, hora maior, hora menor, e não podemos negar.

Mas como lidar com ela? Conteúdos disponíveis na internet e conceitos como “a mãe suficientemente boa”, de Donald Woods Winnicott, ajudam a gente a sobreviver aos nossos martírios maternos. Mas será que mesmo com acesso a tanta informação não será preciso investigar a raiz da onde surge tanta culpa em cada uma de nós?

A psicóloga e pedagoga Betty Monteiro disse durante uma palestras que “a culpa impede de educar, pois isso impede de dizer não”. Ela destacou também que quando a gente mostra para o filho que a gente o aceita com suas dificuldades e do jeito como ele é fica mais fácil desenvolver o vínculo e se libertar de crenças que levam à culpa.

A mente, esse jardim fértil dentro da gente cheio de pensamentos borbulhantes que criam a nossa realidade, pode ser reconfigurada para uma maternidade com menos culpa e sofrimento? SIIMM! E a metafísica está aí para comprovar.

Para essa filosofia que estuda a natureza da realidade a partir da relação entre mente e matéria, os pensamentos são ondas cósmicas no mar universal de energia em que vivemos e vão além do tempo e do espaço. Mais presentes e com a consciência plena desperta, temos mais controle dos nossos pensamentos, podendo, assim co-criar a nossa realidade.

Nas viagens pela internet, encontrei essa apresentação (clica aqui) do Master Shi Heng Yi, diretor do templo Shaolin, mosteiro budista em (Sung Chan), na República Popular da China, que fala sobre os cinco obstáculos que descrevem diferentes estados da mente (desejo sensual, má vontade, preguiça e torpor e inquietação).

Ele explica como são cada um destes obstáculos que atrapalham a gente num grau que às vezes nem imaginamos e usa como metáfora escalar uma montanha e as distrações (os obstáculos da mente) que surgem ao longo do caminho.

Sabe aquele momento quando você se organiza para ficar com o filho e desvia o pensamento indo fazer outra coisa nada a ver? Um exemplo de situação onde a gente está sendo traída pela mente.

Vale ver o vídeo, mas não vale pirar. Vai de boas porque, nos tempos em que vivemos, tá bem mais difícil escalar qualquer montanha sem parar pra pegar aquele fôlego. E outra, o ‘caminho do meio’ é sempre mais garantido ;). Bjs!


Se conectar para se conectar com os filhos

Colagem por Maja Egli

Olá chicas, como estão?

A avalanche de acontecimentos e obrigações ativa o modo automático e se distanciar de você mesma acaba que sendo uma resposta a isso tudo. Talvez uma mecanismo de defesa contra seu lado mais profundo?

É quando cai a ficha de que é preciso caber dentro de você primeiro pra se encaixar no lugar de mulher, mãe, o ser que deseja. Recuar, se fechar, se olhar. Se viver exige intensidade, esse portal de dentro de nós precisa ser abastecido para que haja imensidão. Manter essa conexão com nós mesmas é, sem dúvida, o maior desafio.

E nessa peleja, você tem parado pra se escutar ou tem fugido de você mesma? Estar inteira exige. Exige coragem, exige um querer de verdade. Exige ânimo pra tirar os móveis do lugar e levantar a poeira debaixo do tapete. Exige sair da zona de conforto, questionar suas certezas.

Essa tal necessidade de balançar nossas verdades, cavucar questões nunca tocadas antes é revolucionária e o impacto no lado mãe é avassalador. Precisamos transbordar pra poder dividir e, para além disso, mostrar na prática o que se aproxima do que é viver “plenamente”.

É da maternidade de onde nossas energias são consumidas numa potência surreal e para que esse maternar siga acontecendo forças precisam ser resgatadas, movimentos devem acontecer.

Nesse rolê louco da vida, quando a bússola está desregulada e as ruas ficam sem saída, daí a necessidade desse cara-a-cara com gente. Se colocar numa outra perspectiva, nadar de braçada sobre seus embates, apertar o que estava frouxo, te levar de volta à sua órbita.

Mas ledo engano achar que deixar de se alienar de nós mesmas significa encontrar a paz eterna, até porque, já diria Freud “O Eu não é senhor em sua morada, ele está sempre em conflito”. E apesar dessa visita à você ser algo sem fim, vale a pena, e, no fundo, a gente sabe disso.

Se reconectar com a natureza é potente e pode trazer respostas para as mais profundas questões. Andar sozinha, observar as ondas e o vento são remédios para alma, no fazendo escapar do burnout materno ou até nos curar dele.

Chega uma hora, que é preciso abandonar aquela mulher que já não se encaixa mais aí dentro, recolher os cacos e ir. E para que essa reprogramação aconteça é preciso abraçar o desconforto. Pois, como disse Rubem Alves: “ostra feliz não faz pérola”.

Bjs, se cuidem.


Aplicativos de relacionamento é o novo jeito de não “isolar” totalmente as pessoas

No Par Perfeito, uma das maiores plataformas de conhecer pessoas online no Brasil, cresceu 70% o número de usuários

Colagem por @sacharecorta

Às 21h apita a chamada de um número desconhecido no meu celular. Esse horário é melhor atender. Para uma pessoa preocupada com todos à sua volta esse pode ser um sinal de socorro. Dito e feito. Na verdade não era bem isso, mas um chamado de alerta de uma amiga.

Com voz animada, ela dizia: “anota o endereço que vou te passar caso eu não volte para a casa no dia seguinte.” Eu disse: “como assim?”. Ela tinha acabado de comprar um número para os flerts dos aplicativos de dates e alguém que ligeiramente decide ter um número de celular reservado para as aventura também tem a inteligência de ligar para uma amiga e deixá-la esperta na possibilidade dela sumir do mapa depois de uma aventura transferida do online para o físico.

Confesso que fiquei um pouco aflita com o jantar que ela disse que o tal do boy paquera que ela ia ver pela primeira vez tinha preparado. Mas ali a esperteza grita (ela é mais ligeira que o estádio do Maracanã), e mesmo num terreno desconhecido saberia se ia dar pra pisar nele ou sair correndo. Me apeguei a isso.

Mandei mensagem na mesma noite para saber se estava tudo bem. Ela retornou com uma resposta feliz, e eu, fiquei aliviada. Nesses meses de quarentena, pessoas têm se jogado na internet adentro nesse novo contexto de paqueras que, para mim, ainda é um tanto desconhecido, e, admito, me divirto com as histórias que me chegam.

Outro dia, por pouco os ovos que fervilhavam no fogo não carbonizaram enquanto um amigo desenvolvia um papo interessante com um “matcher”. Vasculhadora assídua de quem é você e qual a vida que leva, a tecnologia desperta essa hipótese de cair em tentação.

Volta e meia cai no meu celular o anúncio de um app que promete fazer você encontrar alguém “à sua altura”. Não duvido que deva rolar gente interessante, mas preguiça pra desenvolver papos longos precisa passar longe dessa porta dos encontros online.

Tenho a impressão que na época do “quer tc?” era tudo mais fluido, no mínimo você já tinha visto a pessoa pelo menos uma vez. Nos aplicativos de hoje em dia é tudo mais rápido e líquido. Novos tempos!

Visão estereotipada à parte, mas, sim, o amor pode começar nas telas e existir além delas. Prova disso é que dois casais que conheço se encontraram numa destes apps bem famosos, casaram e formaram uma família.

O que não substitui o encontro ao acaso, um olho no olho, um toque de pele espontâneo, uma troca de risada sem ter tela pra separar. Gente, só de pensar eu indo para um date com alguém que cruzei nas vias online já me ataca a gastrite.

E o medo de estar me encontrando com um serial killer? De chegar lá e não reconhecer a imagem da pessoa que se apresentava nas telas cintilantes? Se apaixonar por um meme era só o que me faltava nessa altura da “carentena”.

Não que aparência seja tudo, mas, vocês me entendem, né? Uma química mínima precisa rolar. Admiro o espírito desbravador de quem se arrisca à circular entre os apps. E embora me soe um pouco frio esse tipo de contato, é uma maneira de dizer “oi, eu tô aqui, por mais que a minha cidade, meu bairro, meu país e o mundo não sejam mais os mesmos e aquela vida pulsante de antes dos bares e baladas já não existe mais”.

É uma forma de tirar onda com o próprio vírus que nos impôs um dia a dia totalmente sem contato físico com os outros. Daqui desse lado, meu rolê digital, por enquanto, fica nas festas no zoom, vez ou outra. E enquanto isso, vou me divertindo com histórias de encontros virtuais dos amigos, do jantar romântico bem-sucedido a um possível date que deu ruim por causa de um “tudo bem com você?” na hora errada. 🙂


As bruxas sempre estiveram soltas

Imagem de Pexels

Hoje, dia 31 de outubro, é o dia das bruxas. A data tem raízes europeia e americana e tudo começou entre o século 15 e 18. Naquela época, houve uma grande perseguição cristã às mulheres sacerdotisas, parteiras e curandeiras que foram queimadas como bruxas nas fogueiras, e mortas de outras formas também.

Elas tinham conhecimento sobre remédios caseiros, eram enérgicas, entendiam de fertilidade e sexualidade. ⁣Todas essas atividades eram consideradas bruxaria por uma cultura extremamente galgada nos costumes da igreja.

Massacradas, estas mulheres estavam à frente da sua época e se destacavam na sociedade conservadora onde o homem precisava dominar o conhecimento. ⁣Ao contrário da figura corcunda, velha e má e de nariz pontudo, as mulheres consideradas bruxas eram vaidosas, cultas e bonitas.

E, por não andarem “na linha”, fugindo de seus papéis prescritos pelos puritanos, muitas delas eram queimadas, jogadas de penhascos, estranguladas.⁣ Um dos mais famosos julgamentos foi o das bruxas de Salém, em 1692.

A história aconteceu quando uma escrava, uma moradora de rua e uma senhora foram acusadas de causar uma doença grave na sobrinha e na filha do Reverendo de Salém. Cerca de 200 pessoas foram acusadas de bruxaria nesse caso, inclusive o ministro da igreja, sendo que das 19 pessoas consideradas culpadas e executadas por bruxaria 14 eram mulheres. ⁣

Este é só um episódio de caça às bruxas. O número de mulheres que perderam suas vidas por simplesmente assumirem sua identidade e não seguirem o padrão é de cair o queixo. Segundo a revista Superinteressante, só em Portugal foram executadas 40 mil pessoas (das quais 2 mil foram queimadas em fogueira) e, na Espanha, quase 300 mil mulheres foram condenadas e 30 mil mortas.

Fortes, com voz ativa, cultas, as bruxas eram mulheres feministas e que, infelizmente, tiveram que pagar um preço alto por sua independência. O fato é que a luta contra o patriarcado sempre existiu.

Em homenagem a estas Mulheres, a artista Fia Forsström escreveu:

“Não foram as bruxas que queimaram.
Foram mulheres.
Mulheres que eram vistas como:
Muito bonitas,
Muito cultas e inteligentes,
Porque tinham água no poço, uma bela plantação (sim, sério),
Que tinham uma marca de nascença,
Mulheres que eram muito habilidosas com fitoterapia,
Muito altas,
Muito quietas,
Muito ruivas (todas podem ser!),
Mulheres que tinham uma forte conexão com a natureza,
Mulheres que dançavam,
Mulheres que cantavam,
ou qualquer outra coisa, realmente.
Qualquer mulher estava em risco de ser queimada nos anos 1600.
Mulheres eram jogadas na água e, se podiam flutuar, eram culpadas e executadas. Se elas afundassem e se afogassem, eram inocentes.
Mulheres foram jogadas de penhascos.
As mulheres eram colocadas em buracos profundos no chão.
Por que escrevo isso?
Porque conhecer nossa história é importante quando estamos construindo um novo mundo.
Quando estamos fazendo o trabalho de cura de nossas linhagens e como mulheres.
Para dar voz às mulheres que foram massacradas, para dar-lhes reparação e uma chance de paz.
Não foram as bruxas que queimaram.
Foram mulheres.”

Texto – Fia Forsström

livros sobre bruxas

O Diabo em Forma de Mulher (Carol F. Karlsen)

O Livro da Bruxa (Roberto Lopes)

Calibã e a Bruxa (Silvia Federeci)

As Bruxas: intriga, traição e histeria em Salem (Stacy Schiff)

História da Bruxaria (Jeffrey B. Russell)


Como sobreviver às demandas da maternidade

Imagem de Ketut Subiyanto no Pexels

A vida tá uma loucura, eu sei. Tem dias que as 24 horas parecem ter 48 de tanta coisa… Um dos efeitos do nosso atual cenário é a crise do cuidado. 41% das mulheres que seguem trabalhando remuneradamente dizem trabalhar mais na pandemia, assim aponta uma pesquisa feita pela Sempreviva Organização Feminista (acesse aqui).

Listei 5 ideias para uma maternagem mais leve e sem grilos, que, afinal, é tudo que a gente mais quer, não é? 😀

1//Tenha uma rede de apoio//
Aprendi que aceitar que não vou dar conta de tudo é um ato tão heroico quanto vestir a fantasia da mulher maravilha, fazer a criança se concentrar na atividade e sentir que meu dia rendeu bem. Para construir um ser humano é preciso de uma aldeia inteira.

Eleja uma, duas tias para te socorrer quando precisar fazer um trabalho ou ter aquele encontro com as amigas que há séculos você vem planejando. Quando teus pais moram longe, a rede de apoio fica ainda mais restrita, o recurso das tias, dos avós paternos também, são as salvações mais garantidas.

Atenção às possibilidades de uma nova pessoa para ajudar a cuidar da criança quando precisar nunca é demais. Na festinha dos amiguinhos da filha, surge aquele momento entre as mães, o que vale ficar na espreita se alguma delas tá precisando de um help com os filhos — dá pra negociar um dia ela ficar com as crianças e no outro você. Pode surgir também na conversa uma amiga com indicação de uma moça fofa, atenciosa, que é experiente com crianças e que gosta de brincar.

2//Faça algo por você//
Nem que para isso seja necessário madrugar, mas o lance é encontrar uma maneira de estar só por um tempinho, seja para se esticar na yoga, olhar a revista de traz pra frente e de frente pra traz, divagar na paisagem lá fora. Porque, é aquela coisa, chega uma hora que não temos da onde tirar para doar…

3//Aproveite a criança//
Criança é luz, e na loucura do dia a dia, mesmo que a gente não repare com toda atenção, ela salva o ambiente. E tem a criança de dentro da gente, né? (rsrs). Acho que quando temos esse lado de certa forma ativo o espírito de sobrevivência é maior. O psiquiatra e pesquisador Stuart Brown, fundador do The National Institute for Play (Instituto Nacional para o Brincar, em português), confirma: “Uma coisa muito peculiar sobre a nossa espécie é que fomos concebidos para brincar ao longo de todo o nosso curso de vida”, diz. Ele reforça que só temos a ganhar com os sinais de brincar: tom de voz, gestos corporais e expressões faciais.

4//Tenha uma rotina//
Vejo por aqui, quando a rotina é seguida, as coisas parece que fluem de forma mais tranquila. Isso é bom para a criança, que se sente mais segura, e para nós adultos, que temos a sensação de que a estrutura está garantida. Fora que quando eles dormem é a hora de relaxarmos, retomarmos a nossa própria conexão.

5//Esqueça os padrões das redes sociais//
Na era da vida “editável” no Instagram é meio que um ato natural se comparar. A jornada de cada mãe, de cada pai é única e a história que cada um escreve tem uma linha diferente. Mas vai lembrar disso na hora de rolar o feed?! O que não impede de se basear em algumas experiências dos outros para aprimorar o que você gostaria. Mas sem peso. O Instagram é excelente quando aproveitado como um meio de comunicação e informação. E que a gente nunca esqueça disso! 😀