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Saudade na pandemia

É domingo. Dia da saudade, da nostalgia. Reviro memórias, me remeto às lembranças, resgato partes de mim lá atrás e que me construíram quem sou hoje. Das macarronadas em família às bagunças entre mim e meus irmãos misturadas com brigas e brincadeiras, dos melhores momentos em fotos às mais inspiradoras palavras em cartas.

Saudade é tecer recortes que o tempo não desfez. É degustar simultaneamente o sabor doce de cenas vividas guardadas eternamente num canto e provar o amargor de uma imagem que ficou lá atrás.
Pelo olfato, revivo aromas de um tempero, de um perfume, de um aconchego.

Por uma música, sambo de alegria ou choro de melancolia. A saudade também pode ser tocada, por texturas, cores e tramas. Nesse espaço vago entre o ontem e o hoje memórias se constroem. Talvez, numa velocidade de flash maior do que há alguns meses, quando se existia uma rotina pautada antes da pandemia.

Guardar olhares, sorrisos, sensações, sons e aromas ganhou uma proporção maior. Se não fosse isso tudo, o dilúvio da pandemia, a saudade continuaria sendo só aquela saudade gostosa na maioria das vezes, com um toque de gratidão. Mas, hoje, ela é a Senhora Saudade, misturada com o sentimento da nostalgia de uma vida ameaçada por um vírus devastador.

Na solitude do isolamento, ela ganhou uma nova proporção. Sua presença pode ser sentida em questão de minutos, horas e dias, em diferentes formas e contextos. A saudade agora reforça que não se vive sem abraço e um “bom dia” com sorriso no rosto faz toda diferença. Ela valoriza coisas que, um dia, sepá, já foram abafadas pelo frenesi de uma rotina.

Ela vem agora pra dizer e reforçar que só se vive uma vez e, que, por mais que as memórias lhe dão o seu sentido, só com o presente pode se construir uma saudade eterna e viajar por tantas outras vidas. S2

E você, que gosto te traz a saudade nesses tempos de distanciamento?

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8 perguntas e 8 respostas sobre o sono e como melhorar a qualidade dele

Imagem Cottonbro

Desde que o isolamento social começou, há mais de 120 dias, tenho escutado de alguns amigos que não conseguem dormir direito. No meu caso, apesar de eu ter um histórico com o sono tranquilo (sou do time que se encostou, dormiu), tenho tido dificuldades em alguns momentos para dormir. Quando me observo, isso acontece mais quando fico nas telas (celular, TV e computador) até mais tarde ou quando a confusão dos hormônios da TPM resolvem bater à minha porta.

Uma pesquisa feita com 780 brasileiros pela The Bakery, empresa global de inovação corporativa, mostra que 44% dos entrevistados estão com mais dificuldades de dormir na pandemia. Não é para menos, o medo e a ansiedade associados à mudança de rotina repentina formam o combo causador de insônia.

E como lidar com esse mal que pode acabar com nosso humor, atrapalhar a produtividade e aflorar ainda mais os sentimentos de angústia? Conversei com a Dra. Helena Hachul, médica responsável pelo Setor Sono na Mulher do Departamento de Ginecologia da Universidade Federal de São Paulo (USP) e que atua no Instituto do Sono. Quem sabe a nossa conversa possa ajudar você a previnir episódios de insônia ou contribuir para ter de volta a qualidade do sono que te foi tirada.

1- Ansiedade e medo tem causado mais insônia nas pessoas. Quais são as recomendações do Instituto do Sono para que as pessoas melhorem sua qualidade do sono?
Dra Helena Hachul: Manter uma rotina de dia com horários definidos para acordar, dormir, se alimentar, fazer exercícios, trabalhar, descansar e desligar tv, computadores etc.

2- Existe um tratamento alternativo que possa se fazer em casa para trabalhar essa questão?
R: Os exercícios físicos são de fundamental importância tanto para a qualidade de vida como para a qualidade de sono. Procurar momentos de lazer mesmo na rotina de casa: ler livros, assistir filmes, estar em família também ajudam. Outras sugestões são técnicas de relaxamento como meditação e yoga.

3- Quais os impactos de uma noite ou várias mal dormidas?
R: Em geral, as pessoas dormem cerca de 6 a 8 horas por noite. Existem variações da normalidade. Os pequenos dormidores dormem cerca de mais ou menos 5 horas e ainda assim estão dispostos para as atividades do dia seguinte, enquanto os grandes dormidores precisam de 11 horas para estar bem no dia seguinte. Dormir menos que 4 horas e mais que 11 parece estar associado a problemas de aumento de risco cardiovascular e diminuição de longevidade. Pelo fato de o sono restaurar tanto a parte física quanto mental, se dormirmos mal, no dia seguinte teremos irritabilidade, déficit de memória, atenção e até diminuição de imunidade. Há mais chance de pegar infecções. Além disso, não havendo restauração física adequada, a pessoa passa a ter cansaço físico e sente-se indisposta para suas atividades habituais. Isso reflete na aparência. A falta de sono adequado também pode acarretar ganho de peso e alterações na pele. Ainda sobre sono e emagrecimento: durante o sono perdemos peso. Assim, o sono fragmentado favorece o ganho de peso.

4- A qualidade do sono impacta na imunidade? 
R: O sono restaura o corpo e a mente. A insônia ou privação de sono está diretamente relacionada ao aumento de cortisol e isso faz diminuir substâncias como as citocinas, relacionadas à defesa. Por isso dormir mal está associado a diminuição de imunidade.

5- No caso das mães, que estão sobrecarregadas, e que muitas vezes vão dormir tarde e acordam muito cedo para dar conta da rotina, o que a senhora recomenda? 
R: A mulher hoje vive cronicamente em privação de sono por não ter tempo para dormir. A dupla jornada, às vezes tripla (casa, trabalho e estudo), toma todo o seu tempo. Então, quando a mulher vai se deitar para dormir, vêm as preocupações que lhe roubam o sono: a insônia. Na realidade, a mulher sofre a somatória de efeitos da oscilação hormonal ao longo do ciclo menstrual somada à demanda exigente da dupla ou até tripla jornada de trabalho. Como resultado, vive uma sobreposição de privação de sono e insônia, pois no pouco tempo que lhe “sobra para dormir” não consegue pegar no sono. Essa é uma característica da condição biopsicossocial da mulher moderna. Para melhorar isso, é muito importante que haja uma divisão de tarefas na casa e seguir as recomendações escritas nas questões 1 e 7.

6- Para as grávidas, qual a importância de uma noite bem dormida?
R: O desgaste da concepção e da formação do bebê são grandes, por isso, toda grávida necessita mais de sono do que a população em geral. Se tiver vontade de dormir mais, fica mais um pouquinho na cama. A indicação é incluir um cochilo de uma hora no meio do dia e não passar muito disso para não interferir na qualidade do sono noturno. Nem toda grávida consegue por conta do trabalho. Nesse caso, a recomendação é arranjar um lugar para ficar com os pés para cima a fim de evitar o inchaço e relaxar um pouco. A melhor posição é a virada do lado esquerdo porque assim fica mais fácil a oxigenação da veia cava e, de preferência, colocar um travesseiro entre as pernas. É claro que a mulher não consegue manter a posição a noite inteira, mas, ao acordar, volte para a posição. Aquelas mulheres que engordaram muito, cerca de 20 quilos, têm muita dificuldade em encontrar uma posição confortável. A dica é recorrer a travesseiros e ir se ajeitando. Há casos em que a mulher só consegue dormir praticamente sentada no finalzinho da gestação.

7- Quais são os hábitos que a senhora recomenda para ter uma rotina de sono saudável?
R: Algumas dicas de higiene do sono podem ser úteis como procurar dormir sempre no mesmo horário dentro de uma rotina, não ficar “tentando” dormir, pois isso é ansiogênico, evitar refeições fartas à noite, bem como não assistir TV na cama. O quarto deve ser um ambiente escuro, com boa temperatura e silencioso.

8- Na pandemia, o que tem contribuído para insônia e por quê?
R: A falta de rotina e o medo são os principais itens que têm contribuído para o aumento da insônia. A falta de rotina por “dessincronizar com o dia”. Precisamos acordar e receber a luz do dia e, à noite, com a diminuição da luz, liberamos a nossa melatonina, que é o hormônio do sono. As pessoas, ficando mais em casa, não têm horário para acordar nem para dormir. Acabam, ao contrário, dormindo mais no período da manhã e, de noite, ficam assistindo TV ou usando celulares, tablets, etc, o que prejudica o ritmo de sono.

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Como olhar mais para você no meio da confusão da crise

Imagem Unsplash

Você se olha no espelho e se sente um trapo. Descabelada, cansada, com vontade de dar um up no visu. Soa familiar? A verdade é que a gente passa tanto tempo cuidando do outro (ou dos outros) que ficar por último acabando sendo comum, e sabemos que não é bem assim que deveria ser, certo? Mas para onde correr?

A mãe ocupada, exausta, que gerencia um monte de tarefas e que tem um trabalho constante de atenção precisa arranjar de alguma forma “mecanismos” para se cuidar e manter a mínima sanidade.
Aliás, não me refiro sobre ser “normal”, até porque uma dose de loucura cai bem e não faz mal, muito pelo contrário.

Mas é sobre poder optar por fugir da programação, é sobre poder sair um pouco do estado constate de alerta de mãe, que quero dizer. É sobre ligar o modo off, enrolar na cama, ficar sem falar com ninguém, se desconectar.
Que eu me permita poder sair da rotina de vez em quando, dormir sem hora para acordar no fim de semana, tomar sol pela janela sem me preocupar se o almoço vai atrasar.

Focar em nada, apenas olhar pro teto ou a paisagem do recorte da janela. Nessa altura do campeonato, ou melhor, da quarentena, ser funcional o tempo inteiro já não faz mais sentido. Que com o meu silêncio eu possa me escutar mais e cuidar daquilo por ora escondido debaixo do tapete, mas tali urgindo atenção.

Como diz a psicanalista Mafria Homem, ” se a gente conseguir desacelerar a gente vai fugir menos e saber para onde ir”. E desacelerar é se olhar, se escutar. “Menta vazia, oficina do Eu”, assim ela diz, e assim eu concordo. Não temos para onde correr a não ser para dentro de nós e buscar a calmaria para sustentar o espaço necessário para lembrar, conectar ideias, lançar um projeto, ter aquele insight.

E você, tá se olhando? Se escutando? Ta deixando o seu silêncio tomar parte da situação? O que ta faltando mais atenção dentro de você? Alimentar bem, fazer um pouco de exercício não necessariamente significa estar atenta a você. Para e se escuta. Observa o que te incomoda e cuida disso.

Pensando nisso, elaborei um lista para essa autocuidado. Mas vou ficar muito feliz se você compartilhar o que tem feito para esvaziar a mente e se escutar mais. 🙂

//OBSERVE TEUS SENTIMENTOS

Se ainda não parou para analisar o que está por traz dos sentimentos faça isso já. Se está com medo, está em estado de alerta. Se a ansiedade bateu, alguma coisa pode estar te incomodando. Se está com raiva, algo te deixou frustrado.

//FAÇA O QUE TE FAZ BEM

Não é egoísmo, é autoamor. Viver sem prazer é horrível e realizar coisas que fazem a gente se sentir bem é o combustível para a vida. Explore a sua casa, a internet, caça algo que vai te remeter à sensações boas de encontrar com você mesma.

//NÃO PEGUE O “LIXO” DOS OUTROS PARA VOCÊ

Se alguém ou uma situação te incomodou, entenda que aquilo diz respeito ao outro e não a você. Evite fadiga desnecessária. Desapegue dos problemas do outro e foque em ti, afinal, você já temos questões demais para lidar.

//SE LIBERTE DA BUSCA DO PERFECCIONISMO

Uma coisa é fato, buscar perfeição é uma aspiração tóxica. Então, já que perfeitos nunca seremos abrace suas imperfeições e não tente escondê-las de seus filhos. Se gritou e perdeu a paciência não se mutile com autojulgamentos. Ser mãe é aprendizado constante, deixa que eles veem suas falhas de forma natural e, se você errou, é possível fazer outra escolha em vez de se julgar como péssima mãe.

Beijos, estamos juntas nessa! 💕

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Perfis no Instagram para seguir já

Imagem de Hipster Mum para Unsplash

Se tem uma coisa que já me liguei em mais de 100 dias de distanciamento social é que para prender a atenção nas redes sociais diante do turbilhão de publicações o conteúdo tem que agregar. A mensagem precisa ter um propósito forte uma vez que a tela do celular por qual costumamos nos engajar ganhou lente amplificada e certos valores tomam o seu merecido lugar. Temas voltados para o cooperativismo, a arte, o bem-estar, a educação e o cuidado dos filhos e a igualdade de gênero transitam em destaque pela internet.

No Instagram, não são só as lives que imperam como protagonistas, textos e imagens criativos surgem para abastecer do que nos falta. Comecei a seguir um monte de perfil que não conhecia e gostaria de compartilhar com vocês alguns deles.

 

@pediatriaintegralbr (Daniel Becker)

A sua página tem me servido como instrumento para algumas situações específicas no dia a dia com minha filha. Ele orienta os pais sobre como conduzir esse momento da melhor forma com as crianças e trata de questões como sobre participar e não ajudar, inteligência emocional, respeito, honestidade e caráter. O perfil dele é pra maratonar mesmo.

@museudoisolamento (Museu do Isolamento Brasileiro)

Já está explicito que a arte tem salvado nessa crise. É por meio dela que conseguimos decifrar sentimentos e sensações que não conseguimos externar. Colagens, ilustrações, pinturas, fotos, músicas, poemas têm tirado a gente do sufoco e o museu do Isolamento compartilha trabalhos dos mais diversos artistas pelo mundo.

@gamarevista (Gama)

Com olhar super atento e moderno, este veículo vale a pena ser seguido em todas as plataformas em que ele estiver. Fala sobre os diferentes modos de viver, educação, cultura, democracia e equidade.

@push (Push)

Plataforma colaborativa que visa compartilhar conhecimento entre as mulheres do mesmo grupo da @stealthelook. Seus holofotes estão voltados para questões que necessitam lugar de fala como a mulher negra e seus desafios como o mercado de trabalho, liderança feminina, novas prioridades assumidas pela mulher agora. Vale a pena stalkear o perfil!

@shet_alks (SHEt)

Encontrei o @shet_alks sem querer e foi tudo de bom! Aliás, melhores encontros são sempre assim, sem lugar e hora marcada para acontecer, não é mesmo? O perfil é 100% voltado para mulheres de 45 a 60 anos, mas, confesso, eu na faixa dos 30 me senti super acolhida. Porque quando é pra falar do nosso universo não existem “barreiras” que nos separam, independentemente da idade. Masturbação, envelhecer bem, beleza, solitude são temas abordados pela página triunfantemente bem.

@lubritesyoga (Lu Brites)

Descobri a Lu Brites esses dias e só de olhar o feed dela com conteúdo para o desenvolvimento pessoal dá uma sensação de paz e tranquilidade. Bailarina e professora de yoga, ela faz parte da Rádio Yoga, iniciativa do @dom.school com objetivo de apoiar o coletivo e propagar a prática do yoga.

 

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Como cuidar da saúde em casa durante o home office a partir dos cinco sentidos

Imagem de Luke Pennystan para Unsplash

Vocês já ouviram falar em medicina integrativa? E mais, que ela pode ajudar aliviar sensações como de esgotamento, desânimo e ansiedade causados pela crise por qual estamos passando?

A prática médica busca olhar o paciente como um todo e de forma mais humanizada, levando em consideração a soma de aspectos que vão além da área biológica como questões emocionais, sociais, espirituais e história de vida dos pacientes.

Para nos ajudar a lidar melhor com as emoções, a Dra Patrícia Oliveira, ginecologista e obstetra do Numa (Núcleo de Medicina Antroposófica — abordagem espiritual holística que apoia e complementa a medicina convencional) da UNIFESP, escreveu um texto com dicas imprescindíveis. Olhem que interessante as orientações que ela dá relacionadas à medicina integrativa e que podemos aplicar no nosso dia a dia em casa.

 

Texto por Dra. Patrícia Oliveira

Em tempos “diferentes” como estamos passando, a necessidade de se reinventar tornou-se prioridade e o home office uma realidade, mas como fazer com que o trabalho em casa não seja mais um motivo para o estresse?

Reunindo dicas da medicina integrativa, como podemos amenizar os impactos da pandemia através do estímulo aos 5 sentidos? Vejam quais são elas:

OUVIR: Por um período conecte-se aos sons da natureza, pode ser sons gravados ou do próprio dia a dia. Pássaros, chuva, ondas do mar etc. Deite-se em uma superfície plana, feche os olhos e deixe se levar por alguns minutos no dia.

VER: Resgate fotos antigas de momentos felizes e espalhe-as pela casa (pode colar temporariamente pelo caminho onde você mais passa), coloque o computador sempre próximo a uma fonte de luz natural e no descanso de tela ponha uma paisagem bem bonita.

COMER: Pelo menos em refeição ao dia sente-se à mesa com todos que estão em casa, arrume a mesa bem bonita e prepare um prato familiar que traga boas lembranças. Busque a harmonia na hora de preparar os alimentos e evite as refeições corridas.

CHEIRAR: Antes de iniciar o trabalho abra as janelas da casa e deixe o ambiente bem arejado para a troca de odores, se sua casa não tiver boa ventilação use um ventilador por alguns minutos. Use aromas naturais das ervas em seus alimentos e se preferir use aromatizadores (sempre com óleos naturais) pela casa. Lavanda acalma, alecrim estimula e cítricos acordam.

TOCAR: Durma em tecidos macios, aqueça a cama com uma bolsinha quente na região dos pés antes de deitar, acaricie seu pet e faça autmassagens com óleos naturais.

Adaptar-se a períodos difíceis pode nos impulsionar a desenvolver várias estratégias de enfrentamento, então sempre é tempo de começar algo novo.

 

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Solidariedade feminina durante a crise

Novas criadoras de conteúdo surgem na pandemia e ajudam a formar uma rede de apoio feminina cada vez maior

Ilustração Ammy Lupin @emmylupinstudio

Sinto que a hashtag, praticamente um mantra, #juntassomosmaisfortes ganhou um tom mais expressivo nesses últimos meses em que nos vemos isoladas – mantendo o contato com as amigas apenas pelo virtual. Em meio à saudade e à angústia de presenciar o tempo correr e a crise da pandemia seguir sem previsão de acabar, é animador assistir uma rede de apoio, destinada às mulheres neste caso, na internet crescendo de todos os lados, sobre os mais diversos assuntos.

É a solidariedade mostrando seu potencial e não existe mais lindo no ser humano do que a generosidade. Abrir a tela do celular e dar de cara com frases, memes e vídeos encorajadores depois de um pico de estresse na rotina conturbada em casa é um conforto para o coração e a mente.

No Instagram, perfis novos surgem a cada instante com a missão de cuidar dos diferentes lados que abarcam o nosso universo feminino, do bem-estar até cuidados emocionais e exemplos de inspiração. Para quem quer buscar ânimo nos exercícios, a página @chapadinhasdeendorfina usa o bom humor ao abordar essa temática com conteúdos interativos e coloridos.

O @inspiraetranspira é outro um perfil com objetivo de mostrar que cuidar da saúde do corpo nunca foi tão importante. A página também traz relatos de mulheres com suas experiências nos esportes. A @the.wellnessclub também foi criada durante a pandemia e tem foco em transmitir sensação de bem-estar com frases e fotos inspiradoras.

E levando em consideração os dados estatísticos que apontam para o aumento da violência doméstica, o @projeto__mulheres foi reativado por duas alunas de Rádio e Televisão da FAAP após o crescimento de denúncias de violência doméstica com o isolamento social.

O slogan do perfil “História de mulheres para mulheres” é mais uma forma de receber de braços abertos vítimas de agressões, incentivá-las e ajudá-las a denunciar seus agressores. Aqui comigo, será que foi preciso uma crise dessa magnitude para provar que não estamos sozinhas?

Talvez sim, mas o importante mesmo é que mulheres estão se unindo no mundo digital em prol de um movimento que promete empoderar vidas. O @todasnosoficial chegou há quatro semanas no Instagram e promete acolher muitas manas com publicações que revelam exemplos de mulheres reais.

Do lado da escuta, novas podcasters surgem com uma missão de alcançar ouvidos nessa pandemia com conteúdos construtivos e que ampliam nossa forma de enxergar a vida. Vale citar um programa que descobri essa semana, o Alcateia Psicanalítica. Com propósito de formar uma rede de trocas e espaço de fala para as mulheres, o podcast é apresentado pela psicanalista Manuela Xavier.

Outro que nem estreou nas plataformas de streaming (a previsão é para o dia 29 deste mês) mas que pelo teaser já mostrou seu poder é o Mulé de Maré. Produzido por Patrícia Paes, amiga miga, apresentadora, atriz, radialista e mestre de cerimônias (muitos títulos, que orgulho rs), vai inspirar a gente com muita história de mulheres lindas.

Se não é possível fugir do que está acontecendo, então que enfrentemos esse caos todo a partir de ferramentas que façam a gente continuar a caminhada de maneira mais branda e engrandecedora. E apesar das amigas estarem longe fisicamente, o apoio delas do lado virtual está mais presente do que nunca.

Existe coisa melhor do que saber que quando precisamos todas estão ali a postos, e vice-versa? Essa semana eu minha filha chegamos no ápice do estresse da pandemia quando me deparei com a casa toda lavada de óleo depois de terminar uma reunião. Sabe qual foi a minha primeira reação? Gravar a cena e pedir colo pras amigas.

É Claro que num primeiro momento riram comigo da situação. Trocamos piadas com figurinhas, mas depois uma consultou a diarista para saber o produto mais eficiente de limpeza, a outra compartilhou mensagem de uma amiga (e mãe também) como prova de que eu não estava sozinha, cada uma tentou ajudar como podia, e assim  foi o meu dia com elas, entre muitas passadas de pano no chão, risos, piadas e abraços virtuais. S2

 

 

 

 

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Aceitar as emoções é a forma mais honesta de agir com nós mesmos

Imagem Unsplash

“As melhores e as mais belas coisas não podem ser vistas nem tocadas. Têm que ser sentidas com o coração.” A frase da escritora norte-americana Helen Keller foi o fio condutor ideal que encontrei para começar esse texto cujo foco é debruçar sobre encarar os sentimentos de forma mais honesta possível.

Durante muito tempo nos vimos em uma sociedade apoiada na premissa onde falar dos sentimentos era sinal de fraqueza, que quem chorava era mole, que visitar o terreno da autoajuda e fazer terapia era a maior perda de tempo (e dinheiro).

A moeda virou de lado e hoje o que mais encontramos no plató fervilhante da internet (graças a Deus) são profissionais e perfis empenhados em ajudar as pessoas a decifrar suas emoções, habilidade essa que deveria ter sido trabalhada desde a nossa infância, não é mesmo?

Que fique bem claro, to longe de culpar os pais nessa altura do campeonato, até porque hoje sou mãe e vejo que a missão mais difícil é preparar alguém pro mundo (é empatia que fala né?). Consciente de que olhar para os sentimentos de forma transparente pode ser um desafio para mim em certos momentos, tento fazer com que minha filha possa aprender a dar ouvidos às emoções que brotam dentro dela.

Não é uma tarefa simples, exige esforço tremendo de tentar achar mecanismos eficientes para cuidar do lado mais profundo da nossa existência. E assim, cambaleando nesse barco, pratico (ou praticava pelo menos) o exercício de fazer a leitura das minhas emoções de forma mais sincera para levar uma vida condizente com o que ta no meu coração.

É nessa mesma pegada que, por meio de conversas, tento agir com a Helena quando situações envolvendo as mais diversas emoções surgem para ela. Nesse tiroteio às cegas de educar e ensinar a honestidade emocional já fui chamada de canto por pessoas próximas por faltar com postura firme em momentos que exigem atitudes mais duras e dispensam tantas palavras.

Tudo é uma questão de pesos e medidas, não é? Difícil é encontrar o equilíbrio quando se trata da formação de alguém. Entre o diálogo e a postura incisiva quando necessária, vou buscando o caminho do meio para que ela saiba dar o rumo certo às suas emoções e, quem sabe, tão melhor quanto eu. Vou aprendendo também a separar a joio do trigo já que aos olhos de algumas pessoas as atitudes que considero coerentes podem soar mimimi.

Mesmo sendo aprendiz nessa rota toda entre aceitar trabalhar minhas emoções e ajudar alguém com as suas, boto fé de que não existe nada mais honesto do que ser quem você é seguindo aquilo que mora aí dentro. Olhar para mim não necessariamente significa que sempre terei as melhores respostas, mas ao menos pude sair daquele lugar raso de negligência com meus sentimentos.

Aquele velho conceito de que quem é forte é aquele que sabe esconder seus sentimentos ta demodé, afinal, como é possível ser forte sem aceitar e encarar as emoções como elas são? Não era agindo de maneira transparente com suas tempestades internas que os maiores pensadores se posicionavam em sua época?

Um dos maiores deles, Albert Einstein, comprovava essa tese com suas reflexões como: “A felicidade não se resume na ausência de problemas, mas sim na sua capacidade de lidar com eles.” Então por que boa parte do mundo insiste em colocar debaixo do tapete aquilo que é tão essencial para a trajetória aqui na terra?

Anular nossas necessidades internas em detrimento de crenças ou vontades alheias é crime grave que cometemos a nós mesmos. E se estamos neste espaço para evoluir certamente esse não é o melhor caminho.

 

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A comunicação de antes e de depois da pandemia

Imagem Patrick Tomasso by Unsplash

Uma vez peguei um uber, há mais ou menos um ano, que no seu perfil do aplicativo ele enunciava: “quieto ou tagarela, a gosto do freguês”. Para uma comunicadora nata como eu (a lua em gêmeos é forte!), essa foi a deixa para desenvolver um papo do começo ao fim da rota.

É claro que no meio da conversa quis saber se ele era do tipo que não desperdiçava oportunidade de papear, como eu, ou se preferia fazer suas viagens na paz do silêncio. Sim, ele adorava um conversa fora, mas achava deselegante com o cliente abrir a broca sem que antes ele desse algum sinal de abertura para tal.

Antes de toda essa pandemia começar, vivíamos na euforia da necessidade de se expressar de diferentes formas nas mais diversas ferramentas ofertadas pela internet. Ter opinião sobre tudo era certificado de existência na terra. Compartilhar e responder conteúdos tornou-se parte de uma rotina galgada pela urgência da fala.

Com o andar da carruagem das notícias sobre a crise minuto a minuto e o decreto do isolamento, os holofotes se voltaram para o assunto que deixava o mundo todo doente. De repente, a comunicação que já vinha sendo gritante de todos os lados ganhou uma única tônica. Nesse contexto, todo mundo entrou no mesmo barco.

Enquanto metade do mundo produz conteúdo nas mais variadas formas a partir do mesmo ponto de partida, a outra metade digere e compartilha toda essa informação. Ao mesmo tempo, controlar os impulsos do que falar e publicar ficou mais tonificado, por assim dizer.

Talvez isso sirva para nos colocar de volta ao nosso centro, nos fazendo perceber que não somos tão imprescindíveis e ficar um pouco na reclusa, ao mesmo naquele estado de alerta sobre nossas ações, é saudável e benéfico. Oitenta dias depois do decreto do isolamento aqui no Brasil, seguimos dentro de nossas casas, mas com o detalhe de estarmos mais atentos em o que publicar e sem deixar de consumir o que nos interessa.

Observando o trajeto da comunicação durante esse tempo, produzir e compartilhar conteúdo ganhou uma responsabilidade social num grau maior. Presos em nossos “consultórios”, exigimos por manchetes que nos mostrem o que acontece lá fora, no entanto também queremos amenizar nossas dores (obrigada memes, gifs e afins).

Enquanto a vida “dos sonhos” ficou demodé (resultado de uma pegada que já vinha entrando em desuso antes disso tudo acontecer), a simplicidade e o acolhimento ganharam tons fortes na internet. Nessa enxurrada de conteúdo, a foto do céu azul ganhou mais significado do que o look baphônico.

Comentar parece que saiu do automático – é feito quando é para acrescentar. Embora não dê para generalizar, percebo essa consciência tanto em muitos que usufruem das redes sociais como ferramenta de trabalho quanto naqueles que as utilizam como uma distração.

Entrar no uber já não é mais a mesma cena de antes. A conversa pode rolar muito mais por olhar e uma escuta afinada do que pela linguagem proferida. Fico pensando como deve estar o status daquele motorista, talvez esteja em branco ou, quem sabe, ele tenha mantido a mesma mensagem de boas-vindas para mostrar que a troca do discurso pode acontecer quando de fato ela for imprescindível.

 

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Isoladas com seus filhos, mães solo desabafam em rede social

Cansaço mental e físico é assunto entre interações de mães solo no Instagram

Uma enxurrada de comentários surge no post sobre mãe solo na quarentena do @maeforadacaixa, perfil voltado para maternidade no Instagram. Afinal, viver uma rotina sozinha com suas crianças é o lugar de fala de muitas mulheres.

Ao deslizar o dedo na publicação, as mais de 500 interações se dividem entre desabafos de mães esgotadas, palavras de consolo de outras mulheres e iniciativas mais que positivas de profissionais da área psicológica tentado dar escuta para quem vive esse grande desafio de criar e dar conta de todas as adversidades causadas pela pandemia.

Ao mesmo tempo que me sinto compassiva com as experiências relatadas ali, me vejo tomada por um orgulho de notar que o ser humano tem se prestado tanto a ajudar as pessoas em um período tão duro que estamos vivendo. Uma das ações é o projeto Mãe Polvo (@_projetomaepolvo).

Com cerca de seis meses de existência, a página no Instagram já tem mais de 14 mil seguidores, a maioria mães solteiras que encontram ali um abraço virtual, um conforto, uma forma para se sentir acolhidas.

“Abrimos este espaço para as mães solos contarem suas experiências com a maternidade solo, seus medos, suas inseguranças e frustrações, mas também suas alegrias, suas conquistas e conquistas dos seus bebês.”, conta Sabrinne Abe, criadora do projeto.

Mas o projeto vai além. A ideia, revela Sabrinne, é contar com creches em que possam deixar seus filhos de acordo com seus horários, “para ajudar quem tem que ficar até mais tarde no trabalho”, diz.

Uma em cada cinco mulheres na capital paulista exercem a maternidade sem apoio de mais ninguém em casa, segundo estudo da Rede Nossa São Paulo, organização da sociedade civil que tem por missão mobilizar diversos segmentos da sociedade para fomentar, articular e promover ações em prol de uma sociedade mais justa.

De fato, nós mães solteiras sentimos na pele o desgaste de conciliar a rotina da casa com trabalho e dedicação aos filhos. Tocar nesse solo, pensar em ações e políticas públicas para melhor esse cenário cruel de quem vivem a maternidade sozinha precisam e devem acontecer com mais frequência e profundidade.

A quarentena nos tirou não só a nossa rotina mas a rede de apoio com que contávamos para conseguir equilibrar todos os pratos na medida do possível e iniciativas como o @_projetomaepolvo (acesse aqui quem quiser assistir a live que fiz com Sabrinne) são um acalento.

“Ser mãe solo é um desafio em pleno século 21. Ganhamos espaço, porém há ainda muitas barreiras a serem transpassadas. Precisamos lutar por visibilidade política, social e no campo do mercado de trabalho”, observa Sabrinne, que lamenta ainda existir tanto preconceito por parte das empresas no que diz respeito ao assunto maternidade.

“Queremos mudar essa visão da sociedade e mostrar que as mães, sejam elas solos ou não, não são menos capazes do que qualquer outra mulher, que a maternidade é inclusive combustível para o bom desempenho das funções, pois, além de muitas não terem o apoio do pai da criança, querem dar o melhor que puderem para seus filhos.”, reforça.

Hoje casada, Sabrinne já fez parte da parcela de mães solo com seu primeiro filho (hoje ela é casada e teve uma bebê). Abandonada pelo ex-marido durante a gestação, viveu experiências que apesar de doloridas serviram de combustível para dar vida a esse lindo projeto no qual torço muito para que alce grandes voos.

Imagem Unsplash

Dificuldade financeira agrava situação psicológica de muitas mães sozinhas

Segundo o IBGE, mais da metade das mães solo que moram na cidade São Paulo vivem com até dois salários mínimos. Em um cenário de crise, a preocupação de garantir o pão na mesa é ainda maior. E quando o direito ao auxílio emergencial que é oferecido a nós mães solo em situação de desemprego não chega até muitas de nós por algum motivo?

Sabrinne reforça que a questão financeira é a maior dificuldade que muitas mães encontram durante a luta na criação dos filhos. “Elas precisam trabalhar, porém precisam deixar seus filhos com alguém, muitas não têm rede de apoio e as escolas ainda não têm previsão de retorno”, conta.

Diante da angústia do futuro duvidoso e da instabilidade financeira, ainda é preciso manter o equilíbrio mental e emocional para dar conta da educação dos filhos em casa. O calo de fato apertou.

E mais do que nunca chegou a hora de darmos a mão umas para outras da forma como podemos, que seja com palavras através de espaços para diálogos, por exemplo. Pessoas estão adoecendo e perdendo suas vidas. A humanidade chegou num ponto em que a cooperação virou necessidade básica de sobrevivência. Parabéns Sabrinne.

 

 

 

Mãe na real, Pausa para um papo

Mães e desempregadas, três mulheres são exemplos de lideranças de ações voltadas para os impactos da Covid-19 no em torno de suas comunidades

Elas não são CEOs de grandes empresas como também não lideram países, mas estão à frente de ações dedicadas ao próximo, salvando vidas em um cenário tão catastrófico de crise econômica e sanitária no mundo

Falar com essas três grandes mulheres me acendeu a lanterna – que talvez nunca mais se apegue — do quanto somos sempre capazes de fazer mais, de doar sem nada em troca. Também tocou profundamente minhas emoções e ampliou minha capacidade de admirar e encontrar inspirações sem limites.

Depois de um longo papo por whatasapp, combinei de terminar minha conversa com Vanessa de Oliveira (36 anos e três filhos) por telefone. Muitas vezes uma entrevista começa por escrito e termina na fala. Você quer se aproximar ao máximo do entrevistado e pegar detalhes que a frieza do digital não permite.

Presidente da ONG Kuka Legal, Vanessa relata com a voz que denuncia sua paixão pelo que faz. Sua história em ajudar a comunidade do Flamenguinho, em Osasco (SP), começou em meados de 2007, quando um casal desconhecido acompanhando de uma moradora abordou ela e sua irmã para saber se podiam ajudar no cadastro de 250 crianças para receber roupas, brinquedos e sapatos de natal.

“Nós ficamos muito felizes, fizemos essas inscrições e no mês de Dezembro de 2007 foi realizada a primeira festa da nossa ONG com entrega de roupa, calçado e brinquedo”, conta. É com essa mesma empolgação do começo do trabalho, cujo propósito é ajudar crianças e adolescentes em situações vulneráveis proporcionando ferramentas para o melhor desenvolvimento delas como o esporte, que Vanessa acorda cedo todos os dias para distribuir marmitas e cestas básicas para famílias.

Atualmente, por conta da crise causada pela Covid-19, a ONG está com as atitidades voltadas para essa ação, dominuindo assim o índice da fome em comunidades como a que Vanessa mora.

São em torno de 200 famílias cadastradas e até semana passada haviam sido entregues 70 cestas básicas e 74 kits de produtos de higiene. Além disso, ela e sua equipe distribuem todo dia 300 marmitas doadas pelo Sesi de Osasco para 87 famílias.

“Com as dificuldades que enfrentamos na vida aprendemos a gostar de gente, de cuidar dos outros, de conhecer cada história, e cresceu a vontade de deixar a nossa marca para fazer deste um mundo melhor”, revela num tom emotivo.

E apesar de todas as dificuldades em conseguir apoiadores nessa iniciativa, Vanessa não desiste. Antes de acontecer a pandemia, ela utilizava a quadra de uma escola da região para promover o futebol às crianças integrantes da sua ONG.

Esse mesmo amor ao próximo é o que faz Tatiane Cavalacante, 34 anos, deixar o confinamento na sua casa, depois de cuidar dos oito filhos, para oferecer ao menos uma refeição às cerca de 400 pessoas que moram na comunidade Muinho, em São Paulo. A ação acontece através da parceria entre ONG Novos Sonhos e Bom Prato e a previsão é continuar durante a pandemia.

“Eu amo ajudar, levanto cedo todo dia. Gosto de estar no meio do povo, são experiências que você leva para o resto da vida”, reforça. Cuidar das pessoas sempre foi seu forte – seu trabalho antes de ficar desempregada era numa creche – e durante esses 13 anos que mora no Muinho sempre arranja uma forma de acolher o próximo.

Todo dia às 17h30 ela abre a igreja Assembleia de Deus para receber as pessoas que muitas vezes só terão aquela refeição fornecida naquele espaço. “Quando meus filhos eram pequenos, meu marido tinha problema com drogas e fui ajudada por muitos do meu em torno”, conta Tatiane.

Infelizmente, muitas pessoas que estão em locais demarcados pela pobreza e escassez de coisas básicas sofrem da falta de apoios e acabam tendo relações direta ou indiretamente com as drogas. Assim foi o caso da Marcela Ferreira, de 39 anos e com cinco filhos.

Há oito anos sem usar craque, ela conta que um dos seus papeis quando acolhe mulheres para ter uma condição de sobrevivência, com um lugar para dormir e comer, é mantê-las longe das drogas. “Na minha vida esse trabalho é muito importante porque me lembro que assim como tiveram pessoas me deram as mãos outras também me disseram que eu não tinha mais jeito, e só não existe jeito para a morte”, relata.

Dedicada a tirar pessoas das ruas e a levá-las para espaços desabitados e teoricamente abandonados, Marcela vai dia sim dia não no viaduto Rudge, no Bom Retiro, um dos locais onde acontece uma das ocupações. “Aqui temos até segurança que recebe salário para não deixar entrar estranhos entrar”, conta.

Sobre a rotina no local, ela diz muita alma boa para por ali para deixar cestas básicas e cobertores. No entanto, sempre precisa de comida e produtos de higiene. “A intenção é poder realizar o sonho de cada um conseguir ter um teto. É muito ruim ficar na rua e não ter para onde ir”, revela.

Pois, como ela mesma diz, enquanto houver vida há esperança!

De cima para baixo, Tatiane, Vanessa e Marcela com a família e os filhos