Mãe na real, Pausa para um papo

Mãe resiliente em tempos de pandemia

Imagem Unsplash

Na quarentena existe uma mãe, existe uma mãe na quarentena, e com a maior força do mundo. Ela levanta para arregaçar as mangas mesmo tendo feito hora extra durante a madrugada, organiza a desordem mesmo querendo nela se debruçar, ela se reinventa nas brincadeiras, na comida, na historinha.

É uma mãe que dribla a angústia preocupada em não transferir o sentimento pra filha, limitada entre as paredes sem poder correr feito uma criança livre. Que faz a coisa certa mesmo não tendo certeza o que é a coisa certa. Existe uma mãe que se culpa, mas que também tenta se aceitar, e repetidas vezes se culpa e se aceita.

Ela checa se a porta está trancada pelo menos três vezes no dia com a sensação de que o vírus chegará na casa a qualquer momento. Vence com brio a rotina, cumprindo mil e uma tarefas, mas sempre vai dormir com alguma coisa por fazer. Na quarentena tem uma mãe resistente, mas que derrapa no limbo dos números que entristecem o mundo.

E quando o bem-estar e a felicidade da outra pessoa sob suas asas são colocados em xeque ela resgata suas forças da onde nem sabe de vêm e faz brotar em segundos sorrisos que brilham e abraços que aquecem. Ela até evita acompanhar as notícias antes de encerrar o dia e mesmo assim sente disritmia e é atingida pela insônia. Fica em silêncio, medita, escuta podcast, cozinha, come, faxina, tenta fazer o mínimo de exercício nessa altura do campeonato, lê, assiste desenho.

Se sente perdida, preocupada, angustiada, com medo. E mesmo vivendo os dias mais intensos da sua vida ela sempre vai ter em mente que cair e não se levantar é uma opção nula porque existe uma causa maior que nutre essa força: o amor mais profundo e eterno.

Mãe, desejo que você se lembre da sua capacidade nata de recriar situações, de repensar no almoço, de planejar o dia, de lidar com imprevistos e de pensar no próximo com carinho. Em meio a um momento tenso de transformação, mentalizo que os padrões sejam dissolvidos pelo ralo de uma vez por todas. Assim, que cada uma viva a experiência do maternar à sua maneira.

Mas para isso é preciso se reconhecer no espelho. Então desejo que seja amiga dele, que se ame e se carregue no colo. Lembre-se: se você escolheu ser mãe, não optou por desistir e tampouco deixar de se doar em “tempos de cólera”. Estremeça para se solidificar. Ame para transformar. E já que nossos filhos um dia criarão asas e por isso são outra prova viva de que nada é estático e tudo transmuta, viva esse furacão da impermanência das coisas.

Parabéns a todas as mães que superam seus limites diários com muita coragem nessa fase de tantos turbilhões. Você pode até reconhecer suas falhas, mas não deixe de se abraçar e se perdoar.

 

Pausa para um papo

Quantas mães você tem e você é?

Mãe. Mãe é quem cuida, quem ama, quem dá à luz e quem proporciona também. Mãe, é a mãe; é a irmã; a vó (foto); a sogra; a tia postiça (ou não); a melhor amiga da mãe que te viu de calcinha quando ainda era um tico de gente. Mãe, é a amiga que acolhe. É a mãe da amiga que te conforta. É a madrasta que se preocupa. Há muitas mães por aí… todas são mulheres de alma genuína, em fios de aço encapados por seda, belas e fortes mesmo com suas imperfeições, mas que amam rumo ao infinito. Com certeza você, assim como eu, tem várias. Porém, não mais especiais, algumas ecoam importância maior, aquelas que trabalham arduamente (e como!) para construir quem somos, cheios de indagações e desafios como num quebra-cabeça e a quem nos permitiu o milagre da vida. Feliz da mães, tanto para aquelas que possuem esse papel declaradamente quanto para as outras que mesmo sem ser oficialmente uma possuem postura de mãe.