Como olhar para o Dia Internacional da Mulher

Foto por Olivia Frolich para Vogue pORTUGAL

Estamos diante de mais um #DiaInternacionaldaMulher, um data mais do que tudo política e que serve para nós, mulheres, celebrarmos nossas conquistas, fortalecermos nossa luta – que possui muitas razões para existir – em busca da tão almejada equidade de gênero. Não só neste dia, mas neste mês, neste ano, hoje e sempre, quero deixar minha mensagem:

Que continuemos nos unindo para dar cada vez mais visibilidade aos nossos múltiplos papeis na sociedade, sejam eles quais forem, e que a nossa luta seja inclusive pela liberdade de escolhermos como queremos atuar no mundo. Que utilizemos da nossa força feminina para combater toda e qualquer forma de discriminação e violência a milhares de meninas e mulheres, que acontecem diariamente. Que não nos escondamos de ser quem somos na nossa mais pura essência porque o universo precisa de mulheres autênticas e que conheçam o seu poder. Que nossa voz ecoe tão longe a ponto de atrair cada vez mais homens para a nossa batalha. Que possamos servir de inspiração, apoio e abrigo para outras mulheres e que, em vez de competir, exerçamos a empatia como ferramenta para fortalecer a nossa corrente, porque isso faz toda a diferença.

Para honrar nossas ancestrais, pela nossa vida e pela vida das nossas descendentes, que possamos seguir juntas, fazendo a diferença neste mundo, pois somos capazes de mover muitas forças, colocar amor onde existe ódio, paz onde há guerra e trazer a beleza das flores onde há espinhos. 🌸❤️

Por Fernanda D’Angelo

Mulheres, ganhamos vozes, mas precisamos melhorar o tom

Amiguis, vou falar sobre o nosso empoderamento e o que eu acho que podemos melhorar. Mas, antes de tudo, um feliz Dia para todas nós, que, sim, somos sexo “Phoda” e não”Frágil”.

Não foi há muito tempo que as mulheres eram condicionadas a entender que o seu papel na vida social se baseava em cuidar da casa, da prole e promover um jantar com mesa posta aguardando o marido. O papel da mulher era colocar sempre os outros em primeiro lugar. E isso era retratado em filmes, pinturas e em qualquer outra expressão artística. Os tempos mudaram e hoje a mulher passou a ocupar vários outros papeis na sociedade e a grande liberdade de poder realizar escolhas (desde profissões, se come fora ou não até como se vestir). Em pleno começo de 2019, já vimos atriz com axilas ao natural em capa de revista, primeira-drama discursar em Libras na posse do presidente, mulheres vítimas de abusos romperem seus medos e tabus em busca de justiça. Para muitas, essa coragem se reverteu um punições sérias a ponto de roubarem suas próprias vidas, caso das ativistas femininas assassinadas cruelmente.

Assim como ELAS, há tantos outros símbolos femininos que nos representam em vários aspectos (determinação, otimismo, resiliência e compaixão, por exemplo). A mais recente é Lady Gaga, que para além do seu talento robusto, viralizou na internet com seu discurso comovente sobre ser resiliente e não desistir dos objetivos. Há outras contemporâneas dignas de inspiração como a atriz Emma Watson; a modelo Winnie Harlow, a primeira da história com vitiligo; a escritora J.K Rowling e por aí vai…

Mas, mesmo deixando o espartilho para vestir calças, alçando voos cada vez maiores, vez ou outra eis que o céu de liberdade parece ser pequeno para todas nós e colisões acontecem. Por quê? Será que é preciso aprender a se levantar mesmo que o rumo não seja o mesmo para todas? É preciso mais compreensão de que há espaço para todas? Antes, ser aceita por outras mulheres era uma necessidade de sobrevivência. Hoje, somos livres para escolhermos nossos grupos sociais. Mas isso não significa que, com todas as nossas diferenças, devemos nos guerrear.

É intrínseco do gênero feminino o espírito de cuidado, a exemplo dos mamíferos fêmeas que protegem e zelam por suas crias. Portanto, olhar o próximo é um traço que não exigimos muitos esforços para adquirir. Podemos usar esse instinto para dar espaço para cada uma ser o que quiser, sem julgamentos e ofensas.

As redes sociais, que existem desde os primórdios quando se faziam fogueiras para reunir os povos, hoje, mais modernizadas e em versões digitalizadas, perderam em grande parte o seu sentido inicial de acolher. No lugar disso, abriu-se espaço para pessoas alimentarem seus ódios, externarem suas fúrias e intolerância ao próximo. São constantes pré-julgamentos e postagens com tom de revolta de mulheres tomadas por raivas por não dividirem do mesmo pensamento que suas colegas.

Essa narrativa precisa mudar, definitivamente! Os estereótipos são tantos que basta piscar os olhos para encontrar um deles na tela do celular. Enfrentamos barreiras e quebramos paradigmas para estagnar no mundo da ira, inveja e revolta?

Que sempre lembremos de ser a mulher que nós gostaríamos que nossas filhas fossem. Que deixemos a rivalidade de lado e nos tornemos mais e mais unidas e empáticas umas com os outras. Que aproveitemos de todas as nossas características positivas inerentes ao nosso gênero para contribuir com o planeta.