Pausa para um papo

Quais são as mulheres poderosas da sua vida?

Michelle Obama, J.K. Rolling, Viola Davis, Lisiane Lemos, Elza Soares, são figuras que inspiram pela forma como se posicionam na vida, por suas causas e lutas. Mulheres de fibra como elas têm muitas por aí, algumas, mesmo nós sabendo que são reais raramente aparecerão na nossa frente para um chá da tarde regado de muito papo. Já outras, é tanta sorte tê-las por perto… Eu mesma me considero uma felizarda por conviver com muitas que me ensinam e me inspiram. E esse post é dedicado a elas.

A Rita (minha mãe) caberia como personagem da canção do Chico Buarque por sua personalidade determinada e de coragem exemplar. Desafiando os limites das regras de sua época, enfrentava até seus piores medos. Na sua história tem as Marias, a Fernanda e a Cristina. Jornalistas com talento nato que não são só minhas principais mentoras como também foram as primeiras a me dar boas-vindas nesse mundo. Quem tem anfitriãs como essas quer tê-las pro resto da vida!

E se quem tem uma mãe com audácia contagiante já deve se dar por sortuda imagine quem tem duas? Célia é do tipo de mulher que todo mundo quer ter por perto, é como o poema de Cora Coralina, é “colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita”. Existe a terceira, a baiana de pulso firme, que não economiza em alimentar os sonhos dos seus. Tem as tias que matam um leão por dia sem perder garra e alegria e aquela mulher mais acolhedora que serve o melhor pão de queijo junto dos melhores conselhos.

Cá pra nós, todas carregam o dom de mudar o mundo, pelos pequenos gestos de carinho e dedicação com sua prole e pelas ações que vão além do seu teto pra fazer diferença no universo.

Carminha Machado. Embora o nome pareça de ficção, personagem mais viva do que ela não existe. Negra, mãe solteira, é o tipo de mulher que criou dois filhos e se fez sozinha. Enquanto a matéria que caia de última hora e o layout que não se adequava de forma triunfal contribuíam para o fechamento estressante madrugada adentro dona Carminha era a heresia nos corredores de uma das editoras mais “glamourizadas” de São Paulo por sua alegria contagiante.

Elisa é do tipo imortal, e mesmo vivendo em outra dimensão os seus feitos continuam pujantes. Simples, forte, de coração genuíno e com uma fome de trabalho sem igual, enfim, um ser humano que nasceu pra vencer. Ela era e sempre será exemplo contundente de noblesse oblige (expressão francesa que afirma que a pessoa bem-sucedida deve agir de acordo com sua posição e reputação que conquistou, ou seja, o nobre se comportando nobremente).

E quem não gostaria de se sentir em uma esfera celeste por ter uma estrela por perto? Irene Ravache é luta em forma de luz. Não é de se estranhar quando ela floresce como a flor de lótus, que emerge da lama e do lodo das águas para encantar com sua beleza. Quem tem Irene por perto quer sempre trabalhar a escutatória – suas palavras têm um efeito poderoso na gente.

E você, quem são as mulheres reais na sua vida que te inspiram?

 

*Esse texto é uma homenagem às mulheres veteranas que fazem e fizeram parte da minha vida.

Pausa para um papo

Mulheres, ganhamos vozes, mas precisamos melhorar o tom

Amiguis, vou falar sobre o nosso empoderamento e o que eu acho que podemos melhorar. Mas, antes de tudo, um feliz Dia para todas nós, que, sim, somos sexo “Phoda” e não”Frágil”.

Não foi há muito tempo que as mulheres eram condicionadas a entender que o seu papel na vida social se baseava em cuidar da casa, da prole e promover um jantar com mesa posta aguardando o marido. O papel da mulher era colocar sempre os outros em primeiro lugar. E isso era retratado em filmes, pinturas e em qualquer outra expressão artística. Os tempos mudaram e hoje a mulher passou a ocupar vários outros papeis na sociedade e a grande liberdade de poder realizar escolhas (desde profissões, se come fora ou não até como se vestir). Em pleno começo de 2019, já vimos atriz com axilas ao natural em capa de revista, primeira-drama discursar em Libras na posse do presidente, mulheres vítimas de abusos romperem seus medos e tabus em busca de justiça. Para muitas, essa coragem se reverteu um punições sérias a ponto de roubarem suas próprias vidas, caso das ativistas femininas assassinadas cruelmente.

Assim como ELAS, há tantos outros símbolos femininos que nos representam em vários aspectos (determinação, otimismo, resiliência e compaixão, por exemplo). A mais recente é Lady Gaga, que para além do seu talento robusto, viralizou na internet com seu discurso comovente sobre ser resiliente e não desistir dos objetivos. Há outras contemporâneas dignas de inspiração como a atriz Emma Watson; a modelo Winnie Harlow, a primeira da história com vitiligo; a escritora J.K Rowling e por aí vai…

Mas, mesmo deixando o espartilho para vestir calças, alçando voos cada vez maiores, vez ou outra eis que o céu de liberdade parece ser pequeno para todas nós e colisões acontecem. Por quê? Será que é preciso aprender a se levantar mesmo que o rumo não seja o mesmo para todas? É preciso mais compreensão de que há espaço para todas? Antes, ser aceita por outras mulheres era uma necessidade de sobrevivência. Hoje, somos livres para escolhermos nossos grupos sociais. Mas isso não significa que, com todas as nossas diferenças, devemos nos guerrear.

É intrínseco do gênero feminino o espírito de cuidado, a exemplo dos mamíferos fêmeas que protegem e zelam por suas crias. Portanto, olhar o próximo é um traço que não exigimos muitos esforços para adquirir. Podemos usar esse instinto para dar espaço para cada uma ser o que quiser, sem julgamentos e ofensas.

As redes sociais, que existem desde os primórdios quando se faziam fogueiras para reunir os povos, hoje, mais modernizadas e em versões digitalizadas, perderam em grande parte o seu sentido inicial de acolher. No lugar disso, abriu-se espaço para pessoas alimentarem seus ódios, externarem suas fúrias e intolerância ao próximo. São constantes pré-julgamentos e postagens com tom de revolta de mulheres tomadas por raivas por não dividirem do mesmo pensamento que suas colegas.

Essa narrativa precisa mudar, definitivamente! Os estereótipos são tantos que basta piscar os olhos para encontrar um deles na tela do celular. Enfrentamos barreiras e quebramos paradigmas para estagnar no mundo da ira, inveja e revolta?

Que sempre lembremos de ser a mulher que nós gostaríamos que nossas filhas fossem. Que deixemos a rivalidade de lado e nos tornemos mais e mais unidas e empáticas umas com os outras. Que aproveitemos de todas as nossas características positivas inerentes ao nosso gênero para contribuir com o planeta.