Mãe na real, Pausa para um papo

Aceitar as emoções é a forma mais honesta de agir com nós mesmos

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“As melhores e as mais belas coisas não podem ser vistas nem tocadas. Têm que ser sentidas com o coração.” A frase da escritora norte-americana Helen Keller foi o fio condutor ideal que encontrei para começar esse texto cujo foco é debruçar sobre encarar os sentimentos de forma mais honesta possível.

Durante muito tempo nos vimos em uma sociedade apoiada na premissa onde falar dos sentimentos era sinal de fraqueza, que quem chorava era mole, que visitar o terreno da autoajuda e fazer terapia era a maior perda de tempo (e dinheiro).

A moeda virou de lado e hoje o que mais encontramos no plató fervilhante da internet (graças a Deus) são profissionais e perfis empenhados em ajudar as pessoas a decifrar suas emoções, habilidade essa que deveria ter sido trabalhada desde a nossa infância, não é mesmo?

Que fique bem claro, to longe de culpar os pais nessa altura do campeonato, até porque hoje sou mãe e vejo que a missão mais difícil é preparar alguém pro mundo (é empatia que fala né?). Consciente de que olhar para os sentimentos de forma transparente pode ser um desafio para mim em certos momentos, tento fazer com que minha filha possa aprender a dar ouvidos às emoções que brotam dentro dela.

Não é uma tarefa simples, exige esforço tremendo de tentar achar mecanismos eficientes para cuidar do lado mais profundo da nossa existência. E assim, cambaleando nesse barco, pratico (ou praticava pelo menos) o exercício de fazer a leitura das minhas emoções de forma mais sincera para levar uma vida condizente com o que ta no meu coração.

É nessa mesma pegada que, por meio de conversas, tento agir com a Helena quando situações envolvendo as mais diversas emoções surgem para ela. Nesse tiroteio às cegas de educar e ensinar a honestidade emocional já fui chamada de canto por pessoas próximas por faltar com postura firme em momentos que exigem atitudes mais duras e dispensam tantas palavras.

Tudo é uma questão de pesos e medidas, não é? Difícil é encontrar o equilíbrio quando se trata da formação de alguém. Entre o diálogo e a postura incisiva quando necessária, vou buscando o caminho do meio para que ela saiba dar o rumo certo às suas emoções e, quem sabe, tão melhor quanto eu. Vou aprendendo também a separar a joio do trigo já que aos olhos de algumas pessoas as atitudes que considero coerentes podem soar mimimi.

Mesmo sendo aprendiz nessa rota toda entre aceitar trabalhar minhas emoções e ajudar alguém com as suas, boto fé de que não existe nada mais honesto do que ser quem você é seguindo aquilo que mora aí dentro. Olhar para mim não necessariamente significa que sempre terei as melhores respostas, mas ao menos pude sair daquele lugar raso de negligência com meus sentimentos.

Aquele velho conceito de que quem é forte é aquele que sabe esconder seus sentimentos ta demodé, afinal, como é possível ser forte sem aceitar e encarar as emoções como elas são? Não era agindo de maneira transparente com suas tempestades internas que os maiores pensadores se posicionavam em sua época?

Um dos maiores deles, Albert Einstein, comprovava essa tese com suas reflexões como: “A felicidade não se resume na ausência de problemas, mas sim na sua capacidade de lidar com eles.” Então por que boa parte do mundo insiste em colocar debaixo do tapete aquilo que é tão essencial para a trajetória aqui na terra?

Anular nossas necessidades internas em detrimento de crenças ou vontades alheias é crime grave que cometemos a nós mesmos. E se estamos neste espaço para evoluir certamente esse não é o melhor caminho.

 

Pausa para um papo

Inteligência emocional é tão importante quanto inteligência cognitiva?

Escolas e universidades investem em inteligência emocionalEssa semana li uma notícia de que o governo negocia parcerias com universidades particulares para inserir na grade de aulas a disciplina de Inteligência Emocional. Recentemente, assinei um projeto de lei que propõe levar para as escolas públicas a prática da meditação e trabalhar a sensibilidade das pessoas. Eu percebo que nunca se falou tanto nesse assunto como ultimamente. Vocês também acham isso? E eu acho ótimo abordar questões ligadas ao emocional, pois os dados estão aí para comprovar de que a sociedade está tão doente a ponto de entrar em colapso a qualquer hora.

Em uma entrevista ao site da ISTOÉ Dinheiro, Augusto Cury diz que o Brasil – e o mundo – carece da habilidade do do controle do “eu”, da autoconfiança e de outras vocações associadas ao lado emocional. Ele afirma que uma das principais causas de grande lacuna humana é a tecnologia, o excesso de informações fragmentadas. “Em termos tecnológicos, em termos sociais, o mundo ficou mais rico, mais conectado, mas menos feliz. O desafio é saber converter a tecnologia em felicidade, como traduzir tudo isso em bem-estar, como transformar todo esse crescimento em pessoas mais proativas, mais generosas, mais empáticas, mais altruístas, mais felizes”, diz Augusto Cury ao portal da ISTOÉ Dinheiro.

Ele destaca um número alarmante: 82% dos casos de demissão em cargos de liderança em 2016 foram motivados por problemas comportamentais. O psicanalista afirma que as escolas e universidades estão formando pessoas doentes para uma sociedade doente e, como conseqüência, um mercado de trabalho mais doente ainda. “Se as universidades e as empresas não ensinarem a lidar com a emoção, as pessoas não irão parar de sofrer por antecipação. Não saberão filtrar estímulos estressantes. Não conseguirão deixar de lado aquilo que não lhe pertence”, diz na entrevista.

Levando em consideração que o Brasil perde US$ 60 bilhões por ano por transtornos emocionais, precisamos sim falar desse assunto, precisamos sim compartilhar ações positivas que buscam trabalhar aspectos comportamentais do ser humano nas universidades e nos ambientes de trabalho. Entrevistei para uma matéria sobre edutechs uma escola de ensino a distância (EAD) cujo foco é despertar nos alunos habilidades como autoconfiança, potencial criativo e capacidade para lidar com os desafios e as diferenças. Isso não é o máximo? Eu achei! Legal para indicar para aquela pessoa que talvez precise melhorar a sua autoconfiança e aperfeiçoar a forma de se relacionar com os outros. Tsá, diga aí se você não pensou isso?! Hahaha, faz parte. Masss, a gente sabe aquela velha máxima que para mudar o outro precisamos primeiro mudar a gente 😉 !

 

Bjs, hasta luego!