Quem ficou do seu lado na pandemia?

Senhoras amigas
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Essa semana uma amiga irmã contou que levou suas preces pra minha mãe [a que habita outras galáxias] quando fiquei com suspeita de covid depois de uma viagem à trabalho, mesmo tomando todos os cuidados recomendados. Fui na lua e voltei quando ela me disso isso. Não que eu duvide da fidelidade da sua amizade ou da capacidade dela de me amar, mas o fato dela se esforçar a tal ponto de trocar umas ideias com quem me trouxe pra essa existência, demonstrando tamanha preocupação e amor, me fez encher os olhos.

Outro dia, uma outra amiga me contou que sempre na virada do ano reserva parte dos seus pedidos em forma de oração para as pessoas que mais ama. Achei lindo ela se apropriar da sua crença de que sabe o que é ‘melhor’ pra gente. Uma prova estratosférica de que só quer o melhor para aqueles que lhe cercam, não é?

Fiquei pensando depois… a pandemia nos afastou do que era artificial e nos uniu do real, mesmo à distância. Reforçou laços, colocou novas pessoas, reprogramou rotas. E mesmo que nem sempre estamos com aquela disposição de antes desse dilúvio de falar com um amigo, uma mensagem de poucas palavras, um sinalzinho sempre vai existir do outro lado da ‘janela’ de quem realmente se preocupa conosco.

Durante esse quase um ano em confinamento, quem esteve do seu lado de verdade, assim, sem pestanejar? Quem foi, de fato, empático com suas dores? Quem cuidou de você mesmo longe e se sentindo cansado? Quem foi que você pendurou no pescoço feito um amuleto?

O universo se encarrega daquele alguém que não economiza no afeto, que lamenta suas dores e te faz esquecer a massa cinzenta que paira sobre sua cabeça.

A pandemia acentuou que, sim, somos sozinhos nesse planeta, mas, uma coisa é certa, vai ter sempre alguém pra recolher o brilho do céu e nos dar de presente.


Como lidar com a TPM durante a pandemia

“Lá vem você com seus larará lara. Laralauê larauê lará. Lará larauê…” Ela chega de mansinho e quando menos espera já se apossou do corpo. A Tensão Pré-Menstrual tem sido bem ingrata nesses tempos de confinamento. No grupo de WhatsApp eu e amigas sentimos uma na outra o ombro certo pra desabafar o desconforto desse espectro que dá o ar da graça mês a mês.

É uma espécie de estelionato que chega pra tirar da gente as poucas energias que restam, limpando a raspa do tacho que sobrou de uma vida com esperança e empurrando a gente ladeira abaixo pro limbo da impaciência e ansiedade. E se em algum momento eu achava que a calma não estava de todo perdida taí um engano quando dou boas-vindas para essa tal da TPM.

Não dá pra fingir que tá tudo bem. Dizer que é só uma TPM. É uma senhora de uma TPM enrustida. Aceito, que dói menos. Sendo assim, é melhor eu, no lugar de viver em pé de guerra com ela todo mês, puxar a cadeira, convidá-la a sentar e oferecer um chá. Abraçar os sintomas físicos e psicológicos dessa enxurrada de hormônios é assinar um termo de paz comigo mesma. Se é para baixar a poeira do caos que me habita, que assim seja.

Cultivar a paz de espírito — por mais que eu esteja com esse B.O. na outra mão — é tudo que mais quero neste momento. Vale meditar, fazer yoga. Vale também tirar a TV da tomada, escutar aquela play que levanta até defunto. Vale curtir a bad do jeito mais chinfrim como assistir aquele filme de comédia romântica que há meses te olha no feed da Netflix.

Tudo pra transferir o butim pra bem longe. Detalhe importante: beber bastante água para eliminar o que acumulou no corpo faz bem. Ficar em silêncio, ah que delícia… mas se de repente sentir vontade de falar com aquela amiga que é toda ouvidos, por que não mandar uma mensagem ou telefonar? E ter calma. Pois, embora pareça uma eternidade esse mix de sensações, tem hora marcada para ir embora e, quem sabe, na próxima visita ele pega mais leve.

95% das mulheres sentem pelo menos uma variação psicológica ou física no período da TPM


Como cuidar da saúde em casa durante o home office a partir dos cinco sentidos

Imagem de Luke Pennystan para Unsplash

Vocês já ouviram falar em medicina integrativa? E mais, que ela pode ajudar aliviar sensações como de esgotamento, desânimo e ansiedade causados pela crise por qual estamos passando?

A prática médica busca olhar o paciente como um todo e de forma mais humanizada, levando em consideração a soma de aspectos que vão além da área biológica como questões emocionais, sociais, espirituais e história de vida dos pacientes.

Para nos ajudar a lidar melhor com as emoções, a Dra Patrícia Oliveira, ginecologista e obstetra do Numa (Núcleo de Medicina Antroposófica — abordagem espiritual holística que apoia e complementa a medicina convencional) da UNIFESP, escreveu um texto com dicas imprescindíveis. Olhem que interessante as orientações que ela dá relacionadas à medicina integrativa e que podemos aplicar no nosso dia a dia em casa.

 

Texto por Dra. Patrícia Oliveira

Em tempos “diferentes” como estamos passando, a necessidade de se reinventar tornou-se prioridade e o home office uma realidade, mas como fazer com que o trabalho em casa não seja mais um motivo para o estresse?

Reunindo dicas da medicina integrativa, como podemos amenizar os impactos da pandemia através do estímulo aos 5 sentidos? Vejam quais são elas:

OUVIR: Por um período conecte-se aos sons da natureza, pode ser sons gravados ou do próprio dia a dia. Pássaros, chuva, ondas do mar etc. Deite-se em uma superfície plana, feche os olhos e deixe se levar por alguns minutos no dia.

VER: Resgate fotos antigas de momentos felizes e espalhe-as pela casa (pode colar temporariamente pelo caminho onde você mais passa), coloque o computador sempre próximo a uma fonte de luz natural e no descanso de tela ponha uma paisagem bem bonita.

COMER: Pelo menos em refeição ao dia sente-se à mesa com todos que estão em casa, arrume a mesa bem bonita e prepare um prato familiar que traga boas lembranças. Busque a harmonia na hora de preparar os alimentos e evite as refeições corridas.

CHEIRAR: Antes de iniciar o trabalho abra as janelas da casa e deixe o ambiente bem arejado para a troca de odores, se sua casa não tiver boa ventilação use um ventilador por alguns minutos. Use aromas naturais das ervas em seus alimentos e se preferir use aromatizadores (sempre com óleos naturais) pela casa. Lavanda acalma, alecrim estimula e cítricos acordam.

TOCAR: Durma em tecidos macios, aqueça a cama com uma bolsinha quente na região dos pés antes de deitar, acaricie seu pet e faça autmassagens com óleos naturais.

Adaptar-se a períodos difíceis pode nos impulsionar a desenvolver várias estratégias de enfrentamento, então sempre é tempo de começar algo novo.