autoconhecimento · Pausa para um papo

O livro “Mulheres que Correm com os Lobos”, é uma luz no fim do túnel

Ilustração: alanjyk/ Pinterest

O livro “Mulheres que Correm com os Lobos”, da psicanalista Clarissa Pinkola Estés, foi um divisor de águas na minha vida. Após passar por quase três anos trancafiada em casa com minha filha de quatro anos na época da pandemia causada pelo Covid-19, seguida de um relacionamento turbulento de dez anos com pai dela, passei a viver uma crise existencial ferrenha, dessas que parecem que nunca ter fim.

E essa obra foi como um bálsamo para minha alma, deixando meu coração quentinho. E, embora não dê para resumir esse primor de livro em um post só, vou tentar explanar sobre este livro,  que mudou minha forma de enxergar a mim e o mundo a minha volta.

Em primeiro lugar, o nome do livro é uma associação das mulheres com os lobos, que precisam galgar seu espaço como um animal feroz no mundo formado por uma cultura machista e patriarcal. Os lobos não fazem mal a ninguém, eles só querem cuidar da sua matilha, bem como a mulher, que batalha para cuidar de si e dos seus. Mas antes de se tornar uma “mulher lobo”, eis que surgem alguns embates.

Chega um determinado momento da vida da mulher que ela coloca em xeque tudo que lhe foi passado como verdade em termos de valores, é quando ela começa a questionar o status quo e passa a desvendar suas próprias verdades. É como tirar a fenda dos olhos, por assim dizer, e passar a viver uma vida com propósito.

Essa mulher acorda de um sono profundo e vai em busca dos seus objetivos e do que acredita sem mais ter que viver à sombra dos outros. Ela passa a ter sua opinião própria e a florar dentro de ti sua natureza instintiva que, por muitos anos, foi abafada.

Essa mulher já não tem medo mais do que está por vir e, embora cambaleie entre seus valores reais e aquilo que lhe foi pregado como verdade, ela ainda resiste e consegue andar, a próprios passos, até que chega um momento em que ela não tem dúvidas sobre quem se é passa a ter uma força vital inquebrável.

A sensação de impotência e de anulação perante a uma sociedade que dita como devemos ser e agir cai por terra, uma hora ou outra. É quando nós temos de ser mães de nós mesmas. Nós que devemos nos acolher e nos oferecer o amor que merecemos para viver uma vida com sentido.

O livro ressalta que a mulher autossabotadora aparecerá ao longo de nossa trajetória, por isso é tão importante focar nos nossos valores internos, para que quando esse “monstro” der o ar dá graça nós tenhamos as ferramentas necessárias para expulsá-lo sem dó nem piedade.

Sabemos que é um tanto quanto difícil, afinal estamos falando de uma vida que envolve infância, relacionamentos desastrosos por vezes e vários nãos que a vida nos deu. Mas desistir é algo que não está no roteiro de uma mulher lobo, que luta como uma caçadora por suas convicções.

Quando a mulher se torna uma mulher selvagem, o medo fica pequeno perto da sua coragem. É preciso ativar esse lado selvagem da mulher lobo para que sonhos sejam construídos, objetivos sejam alcançados, relacionamentos atinjam o sucesso.

O livro traz luz sobre a importância de nós mulheres adquirirmos coragem para enfrentar aquilo que nos foi pregado como verdade absoluta ao longo de nossas vidas e que não faz mais sentido de ser carregado.

Trata-se de fardos que não nos pertencem, mas, que por algum tipo de insegurança, carregamos na nossa bagagem durante o tempo em que agíamos como sonâmbulas, andando pela casa, falando com as pessoas, mas sem saber do nosso propósito de vida.

Faltam poucas páginas para eu terminar de ler o livro, mas já logo adianto que é uma super leitura e promete mexer com suas estruturas. ☺