autoconhecimento · Pausa para um papo

Se autoconhecer é um parto sem fim, mas que vale a pena ser assistido todas as vezes que esse marco na vida humana acontecer

Foto: Pexels

Sei que não deveria ser de vez em quando, pois foi como uma promessa de casamento: na alegria e na tristeza, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença, eis que eu jamais o abandonaria. Foi difícil entender que eu estava insistindo em algo que não teria futuro, ou melhor, que faria sentido para mim no meu atual momento, já que, de uns tempos para cá, tenho me despido por inteira, sem nenhum pudor. É, caros, o espelho tem sido meu companheiro confidencial e olhar pra ele às vezes dói, uma vez que chego a não me reconhecer.

Mas, como nos relacionamentos, “dar um tempo” faz bem pra cabeça e pro coração, recalcular a rota é necessidade inerente da existência humana, pois, se estamos aqui para evoluir, precisamos rever nossas atitudes e conceitos de tempos em tempos.

Quando essa história da amor nasceu, eu era Fernanda. E, embora já tivesse nascido uma mãe dentro de mim, a Fernanda, na sua forma mais nua e crua, não tinha sido parida ainda. Precisava de tempo para curar, tomar corpo e pum: se lançar. Lançar para o alto avante, para a terra desconhecida que instiga medo e faz a gente querer desistir de acreditar no nosso potencial.

Esse terra tem nome e sobrenome e se chama Autoconhecimento com uma pitada de Amor-próprio. Digo amor próprio porque, quando chegamos na beira do abismo (é isso que o se descosturar faz!), o último gole que nos reste é o de amor-próprio. É preciso tirar das entranhas a fé em nós mesmos para continuar firme e forte.

Às duras penas, venho aprendendo que, quando existe um medo descomunal latente em nosso ser, é sinal de que o caminho tende a dar certo. Mas, certeza, certeza mesmo, só teremos quando chegar ao destino. Mas é aí que tá, talvez esse destino seja tão longe quanto a distância entre o céu e a terra e, quiçá, só passamos a conhecê-lo quando ingressarmos em outro planeta, num cosmo desconhecido nessa vida terrestre.

Por isso, como numa relacionamento em crise onde os dois lados se esforçam para dar certo não faz sentido olhar para trás. Afinal, o passado é um lugar onde não caibo mais e seu propósito foi servir de trampolim para eu chegar a conclusão do que quero e não quero — tanto ser quanto ter.

E nessas minhas andanças pelo labirinto que abriga o meu ser. revisito quem eu era aos dois, aos cinco, aos dez anos… e me reconecto com a Fernanda de hoje. No entanto, durante alguns momentos de distração sinto a Fernanda na sua forma mais límpida sem esvair entre os dedos. Tento segurá-la, mas minha ansiedade e inseguranças reaparecem para mostrar que não estão aqui pra brincadeira.

Cacilda, esse ônus de existir precisa fazer algum sentido, em algum momento da vida, em alguma situação. Então quer dizer que aquela “velha máxima” de que “Nem Tudo São Flores” é verdade? Poxa, vivi um terço da minha vida acreditando que isso era possível, mesmo inundada pelo drama de uma vida longe da família de origem.

Sim, ocorre que é possível encher de flores uma vida e aprender a ignorar os espinhos e, dependendo da resistência que você carrega, quebrá-los com os dedos, dando de ombros para eles.

Quanto ao futuro da minha relação com esta página, é indefinido. Mas, quando o assunto é compromisso comigo mesma, esse, mesmo nos meus lapsos mais profundos, eu carimbo com minha assinatura e registro em cartório em regime vitalício.

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Você está aberta para a vida?

Foto: Unsplash

Experiências traumáticas, dores existenciais, conflitos internos… Estes, são só a pontinha do iceberg do que eu posso chamar de bloqueios que não permitem você ser feliz de verdade.

Enquanto tentamos buscar no outro o que só encontramos dentro de nós, essas lacunas emocionais vão sendo empurradas para debaixo do tapete como poeira.

Só que uma hora, esse pó todo insiste sai do lugar à medida em que andamos sobre o tapete. É, eu sei, cutucar a ferida não é fácil. Essa habilidade requer força de vontade para não fazer vista grossa para aquilo que precisa de boa dose de atenção e coragem para não abandonar o que vem pedindo socorro dentro de você.

Mais do que ajudar a lidar com suas próprias sombras, a psicoterapia pode ser seu salva-vidas para não se afogar nos conflitos internos. Ela pode te abrir para o plano mental de uma tal forma a ponto de não se reconhecer a mesma pessoa de dois anos atrás.

Se conhecer de forma profunda é investir na cura, é fazer as pazes com o passado e vislumbrar um futuro ais de vitórias do que de derrotas. Buscar ferramentas para se destrinchar é a maior prova de amor que você dá a você mesma.

Não existe caminho nem receita para você descobrir como e por onde seguir em direção às descobertas do seu ser e do aprimoramento pessoal. Mas se tem uma coisa que o autoconhecimento te leva é a viver uma vida de forma mais criativa.

Digo criativa no sentido de você contestar acontecimentos passados para ser melhor no presente e no futuro, além de questionar o “status quo” e buscar quebrar padrões coletivos.

Se para viver uma vida mais condizente com nossa verdadeira essência, onde existe a simbiose entre pensamentos e ações, é necessário se olhar no espelho e enfrentar a escuridão, que assim seja.

Ter nossos passos sincronizados em direção ao caminho da luz é percorrer o espírito de benevolência, se desintoxicando de todos os venenos mentais que um dia te levaram para a beira do abismo.

Esse pacto que você faz com você mesma te tira do entorpecimento de achar que o culpado de suas amarras e atitudes errôneas é o outro. Para mim, o relacionamento mais trabalhoso que temos é o que cultivamos com nós mesmas.

Não adianta fingir que somos o que não somos, não adianta fugir do resultado dos nossos atos, não adianta terceirizar a responsabilidade, pois, se tudo acontece como acontece, é porque, em algum momento, contribuimos para isso.

E apesar de todas as lutas e batalhas, posso te dizer uma coisa, mana, você pode resgatar o seu lado “mulher selvagem”, fazer as pazes com a sua criança e comandar o seu barco que navega nas marés da vida, por mais que as ondas testem a sua capacidade de resiliência. Seja forte, siga adiante e se supere! Beijos com carinho, Fernanda ❤.

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Enquanto a chegada de um amor preenche nosso peito, a desilusão esvazia

Via Pinterest

A desilusão faz você enrijecer os pensamentos, as palavras, as atitudes. É um misto de desesperança com falta de ânimo para investir com todas suas forças em um novo relacionamento. Enquanto a chegada de um amor preenche nosso peito, a desilusão esvazia. Esta última, anda com um pé na desconfiança e não mede esforços para se camuflar na rotina. Ela está nas conversas em aplicativos que não foram adiante, nos flertes mal sucedidos, nas andanças por aí, num amor que tinha tudo para vingar, mas, que por força maior e que não se explica, não se desenrolou.

Para os românticos desacreditados, a desilusão vira uma espécie de companheira, que te faz ligar a luz vermelha para qualquer pessoa que cogitar se aproximar de você. É como tomar doses de veneno que faz matar o amor antes mesmo dele ter nascido. Os desiludidos se sentem impotentes diante da esperança, eles mesmos se sabotam por achar que todo um passado periga de se repetir.

Acreditar num novo amor é quase como uma ameaça de existência para quem já não acredita mais numa relação romântica. Já que você criou um escudo de proteção, você quer, mesmo que inconscientemente, se livrar de qualquer sinal de fumaça de um novo amor.

A sorte é de quem, em meio a tantas desilusões, aprendeu que seu maior amor é você mesmo. Certo disso, mesmo com feridas abertas, se esforça como um malabarista para equilibrar os objetos atirados ao ar sem dar traços de que está descrente naquilo que faz o coração pulsar mais rápido, que faz tirar o fôlego e te fazer dormir sorrindo.

A desilusão traz segurança como de um trem que dificilmente vai sair do trilho e enfrentar as agruras de um amor. Estar descrente do amor é buscar nas estrelas o brilho para um caminhar distante dos outros, mas mais perto da gente.

P.s.: texto do meu segundo livro (quem souber o autor da colagem avisa, please!)

🌻 Lembrando que você pode comprar meu livro 1 clicando no link da bio do meu Instagram (@madreafina)! Beijos e bom restin de domingo!

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Uma parcela da população é mais sensível e sofre mais com as ‘dores do mundo’

Imagem: Poppy Cat (@smithy670)

Dizem que 15%  da população é altamente sensível, posso me considerar que estou nesse bololô. Tudo me dói, existir me dói, injustiça me dói, desigualdade me dói, qualquer tipo de preconceito me dói. Eu não tolero falta de respeito com ser humano. Meu pai e minha família sempre me criticaram por eu ser assim, cheia de “mimimi”.

Eu era aquela que, aos dez anos de idade, dava comida para crianças com fome, que se fosse preciso eu tirava da minha boca para dar para quem mais precisava. Eu choro, me inquieto, me indigno com a falta de justiça. Choro com propagandas, com imagens, com lembranças, com músicas. 

Ser uma pessoa sensível tem seus senões… Você acaba tomando a culpa pelo mundo ser o que é sua e daí, amiga, o nosso equilíbrio fica por um triz. Tudo pode virar ansiedade, tudo pode ser motivo para te assombrar se você não controlar esse demônio da mulher culpada/ impostora adormecido dentro de você.

Acho que pessoas mais sensíveis precisam de uma dose extra de psicoterapia. Sim, porque, além das suas dores, precisam lidar com as dores do mundo, e, pra digerir isso tudo, a juda de um profissional cai muito bem. Recorrer à leituras, filmes e músicas também são um santo remédio!

Se descosturar e se remendar por dentro é dar chance de você tentar de novo, é buscar um novo caminho para suas curas, é se apegar ao seu autoamor e fazer dele o combustível necessário para se despontar na vida.

Pessoas mais sensíveis, possuem a capacidade de ter mais compaixão e respeito ao próximo, pois sabem onde o calo pode apertar no outro. São pessoas mais cheias de dedo, que, por vezes, pisam em ovos na tentativa de não cometer os mesmos erros alheios.

Também são pessoas que se cobram com mais frequência e também correm o risco de serem denominadas como egóicas, afinal, tudo pode ser motivo para se machucar quando na verdade o que elas estão buscando é viver em um mundo melhor, com mais empatia e amor.

Ei, migs, espero que esse texto faça sentido para você. Ficarei feliz e grata se puder comentar e/ou compartilhar o meu texto. Com amor, Fernanda ❤.

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A eterna culpa que insiste em bater na porta

Nessa semana, assisti a uma palestra do Swami Ishwarananda Siri, que atua em Kriya Yoga, que falava sobre carma e dharma (o vídeo está abaixo). Carma trata-se da ação e dharma do dever/processo, a missão da pessoa aqui na terra, por assim dizer. Sempre estive preocupada com o resultado. Mergulhada dentro da minha ansiedade, me via num mar sem fim de possibilidades quando me deparava com algum conflito ou uma autossabotagem. Hoje, consigo olhar mais para o meu dharma e tentar entender, durante todo o processo, qual o propósito de determinados acontecimentos em minha vida. Partindo do pressuposto de que ninguém é perfeito, tento me encontrar em meio a esse limbo em que me coloco como vilã, já que sempre detestei o estigma de vítima. Na minha cabeça, se não sou vítima, então serei vilã. A psicoterapia tem me ajudado e encontrar um meio termo, nem vítima nem vilã, apenas Fernanda, aquela que busca, em meio a tantas dores, agir em prol do bem, do amor. Se conhecer é um processo doloroso, onde várias camadas são descortinadas, uma mais desafiadora que a outra, muitas vezes, nem eu mesma me reconheço. Se olhar cara a cara é para os fortes. Tem gente que passa a vida inteira se escondendo de si mesmo, vociferando aos quatro cantos o erro alheio ou se projetando em terceiros. Longe de mim botar na conta do outro os meus débitos. Se não consigo saná-los, que eu os carregue em minha conta, pois, uma hora, espero, irei zerar toda essa dívida que devo a mim mesma. Mais compassiva e menos reativa, busco, nesse turbilhão de pensamentos, culpas, e autojulgamentos, encontrar a Fernanda que insiste em criar obstáculos para se derrubar. Se estamos nesta vida para desfrutar do amor, por que tentamos fugir dele na maior cara lavada? Se construir pode levar uma vida, mas se destruir, segundos. Nessa toada de sentimentos, tento buscar o que de mim deixei ir embora por uma falta de responsabilidade comigo mesma. Que o amor possa ser remédio para as minhas feridas e que minhas cicatrizes possam ajudar a decifrar quem eu fui e quem eu ainda me tornarei.