autoconhecimento · Pausa para um papo

De um peito rasgado nasce um dia ensolarado

Me rasgo tentando compreender o que me prende como uma âncora que não deixa o barco navegar pelas ondas, ora turbulentas, ora calmas, de um mar que resiste a todas as formas de maus tratos.

Me remendo tentando entender o que me arrebentou o peito e me fez doer o coração enquanto eu ansiava por afeto, mas me vi sendo acometida pelo desamor.

Me atravesso toda vez que tento compreender a origem dos meus pensamentos, o motivo de me colocar na encruzilhada da vida e pedir para ser apedrejada quando, o que mais anseio, é por amor.

Me firo toda vez que crio cenas na minha cabeça de amores não consumidos. Me tiro de cena toda vez que tenho a prova viva de que eu preciso me calar diante de uma manifestação de raiva ou conclusão precipitada, ou até mesmo diante de um esboçar maquiado pela raiva.

Em compensação, festejo o amor, a cumplicidade,  a amizade genuína, o ato de doar ao outro, a virtude que nós seres humanos temos de vibrar pela alegria do próximo.

Me corto os pulsos toda vez que insisto em algo que me faz sangrar alma. Viver querendo o amor de quem está tomado pela sede de vingança, pelo querer ofertar sofrimento em detrimento da bem-aventurança, é como morrer estando viva.

Me despedaço quando perguntas não são respondidas, elogios são ignorados e refúgios me são dados.

Me quebro por inteira quando meu sorriso, meu olhar com afeto, minhas palavras amorosas são recebidas com pouca, ou quase nada, aceitação.

Me desfaço do meu ser toda vez que ocupo espaços que não me cabem, onde a indiferença, o desprezo são servidos de bandeja sem dó nem piedade.

É preciso ser muito para viver num mundo de tanta frieza, de tanto desprezo, onde o perdão não tem vez, e o desejo de lacrar é maior do que a vontade de amar.

Que não seja necessário nos arrebentar por inteira para entender que o amor é tão essencial quanto o ar que preenche nossos pulmões.

Que o romance entre o céu e as estrelas nos abasteça de esperança por um mundo tão cintilante quanto os astros que enfeitam nosso planeta. Que nossos dias sejam compostos de pessoas dispostas, a amar, a perdoar, a fazer da dor o antídoto para a cura.

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Enquanto a chegada de um amor preenche nosso peito, a desilusão esvazia

Via Pinterest

A desilusão faz você enrijecer os pensamentos, as palavras, as atitudes. É um misto de desesperança com falta de ânimo para investir com todas suas forças em um novo relacionamento. Enquanto a chegada de um amor preenche nosso peito, a desilusão esvazia. Esta última, anda com um pé na desconfiança e não mede esforços para se camuflar na rotina. Ela está nas conversas em aplicativos que não foram adiante, nos flertes mal sucedidos, nas andanças por aí, num amor que tinha tudo para vingar, mas, que por força maior e que não se explica, não se desenrolou.

Para os românticos desacreditados, a desilusão vira uma espécie de companheira, que te faz ligar a luz vermelha para qualquer pessoa que cogitar se aproximar de você. É como tomar doses de veneno que faz matar o amor antes mesmo dele ter nascido. Os desiludidos se sentem impotentes diante da esperança, eles mesmos se sabotam por achar que todo um passado periga de se repetir.

Acreditar num novo amor é quase como uma ameaça de existência para quem já não acredita mais numa relação romântica. Já que você criou um escudo de proteção, você quer, mesmo que inconscientemente, se livrar de qualquer sinal de fumaça de um novo amor.

A sorte é de quem, em meio a tantas desilusões, aprendeu que seu maior amor é você mesmo. Certo disso, mesmo com feridas abertas, se esforça como um malabarista para equilibrar os objetos atirados ao ar sem dar traços de que está descrente naquilo que faz o coração pulsar mais rápido, que faz tirar o fôlego e te fazer dormir sorrindo.

A desilusão traz segurança como de um trem que dificilmente vai sair do trilho e enfrentar as agruras de um amor. Estar descrente do amor é buscar nas estrelas o brilho para um caminhar distante dos outros, mas mais perto da gente.

P.s.: texto do meu segundo livro (quem souber o autor da colagem avisa, please!)

🌻 Lembrando que você pode comprar meu livro 1 clicando no link da bio do meu Instagram (@madreafina)! Beijos e bom restin de domingo!