autoconhecimento · Pausa para um papo

Sobre como aprender a se amar

Imagem: Pinterest

Acho que se amar é um movimento constante, mas, que, como uma dança, você precisa pegar o ritmo dos passos. Eu sei, não deveria ser assim, deveríamos aprender a nos amar assim como aprendemos a falar, a andar… Mas numa sociedade que nos cobra tantas coisas seria uma injustiça nos amar antes de amar o próximo, não é mesmo?

Mas é possível existir o segundo sem existir o primeiro? Quem tem dúvidas de que os dois andam lado a lado que vá pro final da fila repetir a prova.

Perdoar, aceitar, acolher, admirar, só pode ser genuíno quando nós damos o primeiro passo, e primeiro passo não em direção ao outro, mas sim em direção a nós mesmos.

Se autoamar é como jogo de xadrez, você diz pra todo mundo que sabe, porém, na prática, parece que bate aquela amnésia a ponto de você mal saber mover a primeira peça do tabuleiro. Falar sobre amor próprio pode até ser um en passant, uma conversa corriqueira de bar, porém um assunto constante a se destrinchar na terapia, com o terapeuta atento, pronto para anotar cada movimento entre fala, gesto e olhar.

Nessas trocas mais profundas, é como você pegar a lupa e se investigar minuciosamente sem deixar escapar os detalhes que, aos nossos olhos, são besteiras, mas que para o terapeuta vale ouro!

Eu falei “vale ouro”? Falar de amor próprio e como esse sentimento brota dentro de nós e desabrocha para mundo vale ouro de diferentes formas. É o maior ato de riqueza que podemos nos servir e, consequentemente, servir ao mundo!

Por isso, por mais que você não saiba jogar xadrez, vale a pena você ter todas as peças e, claro, o tabuleiro para quando você precisar, e vc vai precisar, lembrar que o primeiro passo você já deu 😍

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Para você, mulher, que vive um relacionamento abusivo

Foto: De Susan Flores para Pexels

Às voltas com meus pensamentos, decidi escrever para você, mulher, que vive um relacionamento abusivo e talvez nem se dê conta de que está dentro dele, pois, a manipulação e a perversidade são tão bem costuradas do outro lado que chegamos a achar que nós é a que somos erradas da história, e por aí vai…

Não tem nenhum problema com o seu cabelo, você pode jogá-lo pro lado quando quiser se sentir mais sexy, ou decidir cortar uma franja para botar pra jogo aquele corte que vc tanto deseja.

Não tem problema nenhum com a sua roupa; os centímetros da sua saia não irão dizer quem você é além de passar a mensagem de uma mulher livre para usar a roupa que quiser.

Também não tem nada de errado você ter de trabalhar por mais algumas horas algum dia, isso jamais vai te invalidar como mãe ou esposa.

E está tudo certo você viajar à trabalho, já que esse compromisso faz parte do seu escopo. Ficar fora de casa por algumas horas não vai te fazer acreditar que você é uma mãe e uma esposa que abandona o lar a bel-prazer.

Por falar em algumas horas longe de casa, ter uma noite com os amigos ou fazer aquela confraternização de fim de ano da firrma não é a morte. Muito pelo contrário, te ressuscita, faz você estreitar laços com quem tá contigo pra todas as horas ou quem divide contigo uma boa quantidade de horas por dia!

Ah, e sabe aquele trânsito caótico que você enfrentou outro dia e acabou chegando em casa a tempo de não pegar sua cria acordada para dar banho nela e niná-la? Entenda: não foi culpa sua! Não há necessidade de justificar que o motivo do seu atraso foi o trânsito.

E sabe de uma coisa? Você não precisa dormir com o celular embaixo do travesseiro com medo daquela mensagem de um amigo querido ou de um papo sobre homem pelado 👀 com as amigas. Ter esses tipos de distrações faz bem pra cabeça, é como dar um rolê com a máxima sensação de liberdade de ser quem você é.

E, por fim, você não é uma mãe ruim, uma mulher egoísta que só pensa no trabalho, tampouco burra, fracassada, louca, errada… Você é I.N.C.R.Í.V.E.L e merece todos os louros do mundo!!! ✨🧡

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Vivemos uma era de amores líquidos

Ilustração Nashid Chroma

A liquidez dos dias atuais, do mundo contemporâneo, que tudo se desfaz.
Do mundo que o sentir, se dissolve, que o partir se torna fuga e tudo resolve…
O mundo das relações, que se tornaram trocas de seres humanos dotados de emoções e sentimentos por outros, com os mesmos caracteres fisiológicos.
Que a falta de compreensão, paciência e tolerância, torna a vida, os problemas e sentimentos sem importância.
Vida esta, que precisa ser vivida com respeito a si próprio e ao outro ser humano.
Vida que se desfaz, quando um outro ser humano é incapaz de resolver os problemas e aquilo se tornar sólido.
Fluir e diluir, palavras que rimam, no entanto, são formas distintas.
Fluir é natural, a vida necessita ser vivida com suas alegrias e percalços, com seus altos e baixos, entendendo que todos seres humanos são dotados de vícios e virtudes, não é fácil, mas é o fluir.
A dissolução, liquidez, ocorre quando não se zela, quando tudo se derrete, quando não se importa com o que vai acontecer.
A vida, os sentimentos, são perecíveis, é necessário cuidado ao tocar, cuidado com o que falar.
Neste mundo de liquidez, onde a felicidade é para inglês ver, do bem estar individual, sem responsabilidade sentimental, seguindo o instinto animal, quero fugir.
O raso, não me atraí, profundidade e imensidão é o que me traz paz
A fluidez da vida, do enfrentamento é a minha cara.
As pessoas não são descartáveis, quase tudo é passível de conserto, se vale à pena, conserte, não descarte, tudo é aprendizado.
Viver é uma dádiva, precisamos saber viver e conviver com as diferenças…

Por Clarice Dias

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Quem ficou do seu lado na pandemia?

Senhoras amigas
Imagem de Pexels

Essa semana uma amiga irmã contou que levou suas preces pra minha mãe [a que habita outras galáxias] quando fiquei com suspeita de covid depois de uma viagem à trabalho, mesmo tomando todos os cuidados recomendados. Fui na lua e voltei quando ela me disso isso. Não que eu duvide da fidelidade da sua amizade ou da capacidade dela de me amar, mas o fato dela se esforçar a tal ponto de trocar umas ideias com quem me trouxe pra essa existência, demonstrando tamanha preocupação e amor, me fez encher os olhos.

Outro dia, uma outra amiga me contou que sempre na virada do ano reserva parte dos seus pedidos em forma de oração para as pessoas que mais ama. Achei lindo ela se apropriar da sua crença de que sabe o que é ‘melhor’ pra gente. Uma prova estratosférica de que só quer o melhor para aqueles que lhe cercam, não é?

Fiquei pensando depois… a pandemia nos afastou do que era artificial e nos uniu do real, mesmo à distância. Reforçou laços, colocou novas pessoas, reprogramou rotas. E mesmo que nem sempre estamos com aquela disposição de antes desse dilúvio de falar com um amigo, uma mensagem de poucas palavras, um sinalzinho sempre vai existir do outro lado da ‘janela’ de quem realmente se preocupa conosco.

Durante esse quase um ano em confinamento, quem esteve do seu lado de verdade, assim, sem pestanejar? Quem foi, de fato, empático com suas dores? Quem cuidou de você mesmo longe e se sentindo cansado? Quem foi que você pendurou no pescoço feito um amuleto?

O universo se encarrega daquele alguém que não economiza no afeto, que lamenta suas dores e te faz esquecer a massa cinzenta que paira sobre sua cabeça.

A pandemia acentuou que, sim, somos sozinhos nesse planeta, mas, uma coisa é certa, vai ter sempre alguém pra recolher o brilho do céu e nos dar de presente.